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Os “pontos fracos” de Tarcísio que o PT vai explorar na campanha em SP

Embora reconheça a dificuldade da eleição em SP, petistas elencam fragilidades do governo Tarcísio que poderão ser atacadas na campanha

atualizado

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Paulo Guereta / Governo de SP
Tarcísio de Freitas
1 de 1 Tarcísio de Freitas - Foto: Paulo Guereta / Governo de SP

Mesmo com a chapa em São Paulo ainda indefinida, quadros do PT paulista já elencam em conversas internas o que consideram os pontos fracos do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que devem ser explorados na campanha eleitoral.

Embora reconheçam a dificuldade em desbancar o atual mandatário, que tem bons índices de aprovação e aparece em primeiro lugar em todas as pesquisas de cenário no estado, petistas acreditam que o pleito pode ser apertado e evitam taxar de “impossível” uma vitória.

Na avaliação de políticos do partido, a gestão Tarcísio tem fragilidades que podem municiar a campanha do PT, seja ela liderada ou não pelo ministro Fernando Haddad (PT) — nome favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a corrida.

Um dos principais temas que serão alvo de ataques é justamente uma das vitrines de Tarcísio: a privatização da Sabesp. A ideia da oposição é ressaltar o baixo preço pelo qual a estatal foi vendida, considerado abaixo do mercado pelos críticos do processo.

O Metrópoles mostrou que o próprio Tarcísio e seu entorno têm preocupações de que um eventual cenário de crise hídrica neste ano será atrelado à desestatização da companhia pelos adversários durante a campanha eleitoral.

Outro assunto que o PT já vem explorando para desgastar a gestão Tarcísio são os possíveis tentáculos do escândalo do Banco Master na teia de relações do governo paulista com personagens ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O assunto já vinha sendo explorado devido ao fato de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, ser o maior doador da campanha de Tarcísio em 2022, com R$ 2 milhões. Como Zettel é investigado pela Polícia Federal (PF) por ser operador dos negócios do banqueiro, a doação é frequentemente associada por opositores ao próprio dono do Master.

O líder do PT na Assembleia Legislativa (Alesp), deputado Antonio Donato (PT), publicou um vídeo recentemente em que liga o caso Master às negociações envolvendo as privatizações da Emae, empresa de geração de energia elétrica e de gestão hídrica, e da Sabesp, tendo como fio condutor os negócios do empresário Nelson Tanure, apontado como sócio oculto de Vorcaro.

Os petistas também relembram a operação da Polícia Federal que desmantelou um esquema fraudulento envolvendo funcionários da Secretaria da Fazenda do Estado e empresários do varejo, entre eles, o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira. A operação prendeu um auditor fiscal apontado como o líder do esquema e atingiu outros servidores da Fazenda estadual.

Na área de segurança, a campanha petista pretende enfatizar o mau resultado nos índices de feminicídio. Os dados oficiais relativos a janeiro mostram crescimento desse tipo de violência e de outras agressões contra as mulheres, segundo a Secretária da Segurança Pública. Em dezembro, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito para investigar uma suposta omissão do governo paulista diante dos crescentes casos de feminicídio e violência de gênero no estado.

Ainda no campo da segurança, a oposição a Tarcísio costuma citar o sentimento de insegurança nas ruas da população, relacionado especialmente a casos de furto e roubo de celular. O PT também deve explorar os casos de violência policial que marcaram a gestão de Guilherme Derrite (PP) e a alta letalidade das operações Verão e Escudo.

Além disso, o governador tem sido alvo de críticas de associações e sindicatos de categorias policiais, que alegam que Tarcísio não cumpriu promessas de valorização salarial.

Já na educação, o projeto de digitalização promovido pelo secretário Renato Feder será uma das “vidraças” atacadas, bem como os casos de materiais didáticos distribuídos com erros de informação no conteúdo.

O PT também deverá criticar a iniciativa de Tarcísio de promover as escolas cívico-militares, cuja implementação foi marcada por falta de uniformes e dúvidas da comunidade sobre como será o funcionamento do modelo, que conta com monitores policiais dentro das unidades.

Na campanha, Tarcísio deve usar o fato de tirar do papel obras de grande porte e consideradas estratégicas como uma das principais bandeiras. Para atacar nesse flanco, o PT vai contra-argumentar que boa parte dos empreendimentos só foi possível graças à participação de recursos federais, o que, segundo o partido, Tarcísio busca esconder quando cita essas realizações.

Entre as obras que entram nesse contexto e são citadas como exemplos por parlamentares do partido, estão o Rodoanel Norte, túnel Santos-Guarujá e o trem intercidade São Paulo-Campinas, além dos investimentos da União na construção de moradias.

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