Sem uniforme, escola cívico-militar cria regra de vestuário, e pais reagem
Escola Estadual Professor Gastão Ramos, em Osasco, ainda não recebeu uniformes e divulgou comunicado com regra própria de vestuário
atualizado
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O atraso na entrega de uniformes nas escolas cívico-militares de São Paulo tem feito colégios estabelecerem regras próprias sobre como os alunos devem se vestir.
Em Osasco, na Grande São Paulo, as exigências viraram motivo de reclamação entre os pais, que se viram obrigados a comprar roupas novas para os filhos às vésperas da volta às aulas.
Nessa quarta-feira (28/1), menos de uma semana antes do início do ano letivo, a Escola Estadual Professor Gastão Ramos enviou um comunicado às famílias dos estudantes informando o novo padrão de vestimenta a ser cumprido pelos alunos.
No aviso (veja abaixo), a escola diz que calças jeans não serão mais aceitas e que os estudantes terão de usar calças pretas de moletom, sarja, tactel ou helanca, além de camiseta na cor cinza. O problema é que, até o ano passado, o padrão de vestimenta da escola previa calça jeans azul-marinho ou preta.
“Isso tinha que ter sido combinado antes. Ou no ano passado ou antes. Você acha que essa criançada toda tem dinheiro para comprar uniforme novo em cima da hora?”, critica Cláudia Xavier Araújo, empreendedora e mãe de uma aluna do colégio.
A filha dela, Ana Cristina, disse ao Metrópoles que gastou R$ 80 para comprar a calça jeans até então aceita pelo colégio e, depois de receber o comunicado, precisou desembolsar mais R$ 100 para investir em outra peça. Mesmo assim, não sabe se o produto vai chegar a tempo.
“A calça que eu comprei agora vai chegar dia 5. As aulas começam dia 2”, diz Ana.
O filho de Adriano Faustino de Miranda também não tem o modelo exigido pelo colégio no guarda-roupa e diz que a família terá que ir às compras. “Acho que, para começar [o programa cívico-militar], realmente, tinha que estar tudo pronto.”
Mãe de três alunos da escola, Olívia Caroline Silva de Oliveira também criticou a medida. “Um absurdo ter que comprar uniforme para uma escola do governo”, afirma ela. “Meus filhos usam calça jeans. Então, semana que vem, se forem à escola, não vão poder entrar?”, questiona.
Olívia questiona ainda a quantidade de uniformes que a escola pretende oferecer para as crianças. Ela diz que a unidade informou que cada aluno terá um kit com uma calça, uma bermuda, um blusão e duas camisetas. Para a mãe, o número é insuficiente, considerando que não haverá tempo hábil para lavar e secar as peças caso os estudantes se sujem.
A reportagem solicitou explicações para a Secretaria da Educação sobre as exigências envolvendo os uniformes. Por telefone, a pasta disse que o comunicado da Escola Estadual Professor Gastão Ramos não segue as diretrizes das escolas cívico-militares.
Segundo a secretaria, o regimento das unidades que participam do programa prevê que, até a chegada dos uniformes escolares, os alunos utilizem calça jeans azul-marinho ou preta, tênis e camiseta branca. A pasta alega que está em contato com a direção da unidade para nova orientação.
Divergência entre pais e filhos
Os pais entrevistados são favoráveis ao modelo cívico-militar e dizem acreditar que a presença de policiais vai melhorar a segurança da escola e a disciplina dos alunos, mas alguns filhos discordam do programa.
A principal questão para os adolescentes, segundo as famílias, são as restrições envolvendo a aparência. “O que está mais pegando é as pessoas falando que vai ter que prender o cabelo, não pode usar esmalte, essas coisas. Quando a gente é adolescente, gosta de cabelo solto”, diz a aluna Ana Cristina.
Como mostrado pelo Metrópoles, o regimento das escolas prevê que as meninas fiquem com cabelo preso e os meninos tenham cortes curtos. Piercings, bonés e alargadores estão proibidos, assim como risquinho na sobrancelha.
Depois de um vaivém na Justiça, as aulas nas escolas cívico-militares devem começar na próxima semana, em uma vitória da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), que criou o programa para agradar à base bolsonarista do governo. A gestão alega que o modelo tem como objetivo melhorar os indicadores das escolas, mas especialistas em educação dizem que não há estudos que comprovem que a militarização impacte positivamente a qualidade do ensino.






























