Marcha para Jesus: após atrito com Tarcísio, Nunes agradece a Flávio
Ricardo Nunes havia citado “perseguição política” em operação policial que apura supostas irregularidades em contrato da Prefeitura com ONG
atualizado
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O prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se encontraram, nesta quinta-feira (4/6), pela primeira vez desde que o emebedista levantou a hipótese de ter havido “perseguição política” na operação da Polícia Civil que apura suspeitas de irregularidades em um contrato da prefeitura paulistana com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de pontos de wi-fi no município.
A entidade é representada por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, que produziu a polêmica cinebiografia de Jair Bolsonaro, Dark Horse.
Apesar de a fala ter sido rebatida por Tarcísio, que defendeu a autonomia da corporação, vinculada ao governo estadual, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) endossou a acusação de Nunes, dizendo confiar na gestão e sugerindo uma suposta “perseguição estatal”. Agora, em discurso aos fiéis da Marcha para Jesus, o prefeito agradeceu a Flávio.
“Minha alegria é poder estar aqui, do lado dessas pessoas maravilhosas, do lado do Flávio Bolsonaro. Obrigado, Flávio”, afirmou. Você sabe que, com o meu governador Tarcísio, tem algo importante, apóstolo Estevam [Hernandes; presidente da Marcha para Jesus], que é o que a gente defende. Defendemos a família, o combate às drogas, o direito à vida. Isso é muito do que também diz a Marcha para Jesus”.
Mais cedo, no evento, Ricardo Nunes conversou com o Metrópoles e disse que não tinha “o que falar com o governador”. “Desde domingo, eu não falo com o Tarcísio. A operação aconteceu na segunda-feira, mas também não tenho o que falar, né? Porque a Polícia Civil tem a sua autonomia, é uma polícia de Estado, não tem nem o que falar com o governador. Está tudo tranquilo”, disse ele.
Nunes cita perseguição política em operação Wi-Fi Livre SP
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), elogiou Karina Ferreira da Gama, a dona da produtora Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil (ICB), que foram alvos de um mandado de busca e apreensão da Polícia Civil na última segunda-feira (1º/6) por suspeitas em contrato com a gestão municipal para instalação de pontos de wi-fi na capital.
A Go Up é responsável pelo filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O inquérito aberto busca entender se parte da verba dos cofres paulistanos também teria sido utilizada para financiar a obra audiovisual.
“Eu acho [que Karina é] uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora. Uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando, e que conhece o Bolsonaro, então está passando por isso”, afirmou o prefeito, em entrevista a jornalistas.
Nunes negou que exista verba municipal no financiamento da produção, atribuindo essa linha de investigação da Polícia Civil a “perseguição política”.
“Estão [Polícia Civil do governo paulista] indo atrás de um contrato com a Prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave, é perseguição política”, disse o emedebista. “Eu tenho empresa de embalagem, tenho fazenda, tenho várias atividades, e eu sou prefeito. Qual o problema da pessoa ter várias atividades? Se é essa a motivação [a relação de Karina com o filme], aí eu acho grave.”
Ato seguinte, Tarcísio rebateu o prefeito. “Operação da polícia é uma coisa que a gente não interfere. A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações, é uma instituição de Estado. Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público e a polícia cumpriu, e, portanto, tivemos a operação. Sempre vai ser assim”, disse Tarcísio durante coletiva de imprensa em evento de duplicação de rodovia, entre Araras e Rio Claro, no interior do estado, na terça-feira (2/6).
Tom político
Assim como nos últimos anos, a 34ª edição da Marcha Para Jesus foi marcada pela presença de políticos de direita, que tem no público evangélico uma das principais fatias do seu eleitorado e costuma usar o evento que reúne milhares de fiéis com palanque.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou em discurso aos presentes o Brasil vive uma guerra espiritual e que o evento serve como resposta ao “mundo do mal, que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano”.
Afirmou ainda que gostaria que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar depois de ser condenado por tentativa de golpe de Estado, estivesse presente no evento.
“Isso aqui hoje para mim está sendo muito importante. Porque a gente vê muita maldade acontecendo no Brasil, injustiça, perseguição. Minha família tá sendo vítima disso. E quando a gente vê milhões de pessoas assim que acreditam em Deus, louvando ao Senhor, dá uma virada de chave e uma alegria no coração. A gente vê que com fé a gente vai conseguir recuperar o nosso Brasil”, disse aos jornalistas.
Flávio ainda disse que um evento como a Marcha Para Jesus, que reúne milhares de evangélicos nas ruas da capital paulista, “pode irritar muita gente do lado de lá”.
“Aqui não vai ter censura. Nesse ato, eu tenho certeza que pode até estar irritando muita gente do lado de lá. Mas vão ter que aturar, porque isso aqui é a prova que o Brasil tem fé, que o Brasil tem futuro”, afirmou o senador.




















