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São Paulo

Nunes anuncia intervenção em empresa após casos Transwolff e Upbus

A empresa de ônibus Transunião foi alvo de operação do MPSP nesta quinta-feira (25/6) por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC

25/06/2026 16:05
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Reprodução/Instagram
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, (MDB) anunciou que vai publicar um decreto de intervenção da empresa Transunião, que foi alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa opera no sistema público da capital paulista. A medida será publicada em edição extra no Diário Oficial.

Segundo a prefeitura, o interventor será o funcionário de carreira da SPTrans Ângelo Fêde, que era responsável pelo Grupo de Apoio Institucional da Diretoria de Operações da SPTrans e trabalha na empresa há 49 anos. Já a SPTrans assumirá a gestão e operação da concessionária.

A mesma medida foi adotada contra as empresas Transwolff e Ubpus, que também foram alvo da Operação Fim da Linha em 2024 por suspeita de envolvimento com o PCC.

“Em 2024, nós já fizemos a intervenção da Transwolff e da Upbus. A Upbus já concluiu, ela já não está mais no sistema. A Transwolff, a mesma coisa, fiz a caducidade. Infelizmente, até agora, a gente não teve uma decisão, um enredo com relação à questão judicial desses dois processos, de condenação ou não”, afirmou o prefeito durante uma agenda nesta manhã. “Por parte da Prefeitura, vamos continuar dentro dessa linha de muito rigor e de não aceite, em hipótese alguma, de qualquer tipo de vinculação de uma concessionária, de uma empresa que seja ligada à Prefeitura, que tenha qualquer relação com atividade criminosa”.

Nunes ainda prometeu que o serviço de ônibus não será interrompido. A Transunião opera na zona leste tem três garagens e transporta 262 mil passageiros por dia, em 50 linhas.

Operação Última Parada

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram, na manhã desta quinta-feira (25/6), a Operação Última Parada, contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de ônibus. Cinco pessoas são alvo de mandados de prisão. Três delas já haviam sido presas até o início da manhã, incluindo o vereador Senival Moura (PT).

Segundo as autoridades, a investigação revelou um núcleo paralelo que tomava decisões relativas à empresa Transunião e transferia valores para criminosos do PCC. A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados, além de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

A empresa ainda teria usado dinheiro da facção para vencer a licitação que garantiu o direito de operar no transporte público da cidade de São Paulo. De acordo com as investigações, a companhia passou por uma série de alterações societárias entre 2015 e 2019, com seu capital passando de R$ 100 mil para R$ 50 milhões, com o objetivo de se adequar ao certame.

Quem são os alvos da operação

Pedidos de prisão temporária

  • Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”): apontado como autor do homicídio de Adauto Soares Jorge e articulador da lavagem de dinheiro.
  • Senival Pereira de Moura (vereador): identificado como real beneficiário e líder oculto da Transunião.
  • Leonel Moreira Martins: operador financeiro e elo entre a empresa e o núcleo familiar beneficiário.
  • Lourival de França Monário: atual diretor-presidente formal da Transunião, envolvido em movimentações financeiras incompatíveis.
  • Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”): apontado como operador e suporte de Senival Moura; envolvido na morte de Adauto.

Afastamento da Transunião

  • Lourival de França Monário (diretor-presidente)
  • William Remorini Freitas (diretor financeiro)
  • Kelly Cristina Santos Ribeiro (diretora comercial)
  • Edgar Paiva da Rocha (presidente do Conselho de Administração)
  • Leonardo Wendell do Nascimento (conselheiro)
  • Weslei Castro Gomes (conselheiro)

Suspensão de atividade econômica

  • Transunião Transportes S.A: pivô do esquema de lavagem de dinheiro.
  • Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda: apontada como núcleo de lavagem em benefício do PCC.
  • SPM – Transporte Urbano de Passageiros S/A: vinculada a Senival Pereira de Moura.
  • Universo Bus Comércio e Serviços Ltda: vinculada a Jair Ramos de Freitas e Fábio Fernandes de Souza, supostos integrantes do PCC.
  • LMP Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.
  • ICM Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.
  • FRF Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.

Na representação, a Polícia Civil ainda pede o afastamento do sigilo de dados telefônicos e telemáticos em dispositivos eletrônicos vinculados aos investigados.

Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, afirmou que os crimes envolvendo a Transunião já eram investigados na época, mas faltavam alguns elementos para incluí-los na operação.

O ponto de partida para as investigações foi a morte de Adauto Soares Jorge, assassinado a tiros em uma padaria no bairro Lajeado, na zona leste, em março de 2020. Dois anos depois, as apurações já apontavam que ele atuava como um laranja de Senival, na Transunião. O parlamentar foi preso nesta quinta.

Metrópoles procurou o vereador Senival Moura, mas não obteve resposta. A reportagem tenta contato com os outros citados.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans, informou que a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente às linhas sob sua responsabilidade.

“A Administração Municipal aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora.”

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