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Nova sede de governo: moradores veem jogo de empurra com desapropriações

Proprietários de apartamentos alvos de obra do governo no centro dizem que CDHU propôs desapropriação antecipada e agora não retorna contato

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Édson Lopes Jr/SECOM
Parque Princesa Isabel é inaugurado no Centro da capital após revitalização da área
1 de 1 Parque Princesa Isabel é inaugurado no Centro da capital após revitalização da área - Foto: Édson Lopes Jr/SECOM

Moradores de prédios que serão demolidos para a construção da nova sede do governo estadual no centro de São Paulo têm vivido uma rotina de incertezas em meio ao avanço do projeto e relatam um jogo de empurra-empurra por parte da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) no processo de desapropriações.

Pegos de surpresa com o anúncio da obra, em 2024, os moradores dos edifícios Princesa e Henrique, alvos do projeto, afirmam ter sido procurados no primeiro semestre de 2025 pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). A estatal teria perguntado ao grupo quem teria interesse em uma negociação amigável para deixar os imóveis.

“A proposta era que essa desapropriação se anteciparia ao leilão [que definiu o consórcio responsável pela obra da nova sede]”, conta o morador do edifício Princesa Silvio Monteiro de Lima, de 56 anos, que participou de uma reunião organizada pela CDHU para falar sobre o tema.

Segundo ele, a companhia chegou a enviar peritos para avaliar o valor dos imóveis. Depois disso, no entanto, a estatal parou de retornar às tentativas de contato dos moradores.

Agora, tanto a CDHU quanto a gestão Tarcísio afirmam que as desapropriações não serão mais conduzidas pelo governo, e ficarão totalmente sob a responsabilidade da empresa privada que vai gerir a obra. O Metrópoles apurou que as perícias nos apartamentos serão refeitas do zero.

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Odair mora há 19 anos na frente da Praça Princesa Isabel. Desde que soube do projeto que pode demolir seu prédio, ele não tem dormido direito: "gosto muito daqui"
Marcio diz que sonha em ver o centro cheio de turistas, mas teme perder o emprego caso o hotel em que trabalha seja demolido
Antônio soube do projeto pela TV e também teme perder o emprego em um prédio do bairro com a mudança
Proprietária do imóvel alugado por Edson avisou ele sobre projeto do governo, mas disse não saber quando será a desapropriação dos apartamentos do prédio
Praça Princesa Isabel
Francisco, Julius e Odair moram em prédio da década de 1950 que pode vir abaixo com projeto do governo Tarcísio
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Francisco, Julius e Odair moram em prédio da década de 1950 que pode vir abaixo com projeto do governo Tarcísio

Jessica Bernardo / Metrópoles
Odair mora há 19 anos na frente da Praça Princesa Isabel. Desde que soube do projeto que pode demolir seu prédio, ele não tem dormido direito: "gosto muito daqui"
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Odair mora há 19 anos na frente da Praça Princesa Isabel. Desde que soube do projeto que pode demolir seu prédio, ele não tem dormido direito: "gosto muito daqui"

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Marcio diz que sonha em ver o centro cheio de turistas, mas teme perder o emprego caso o hotel em que trabalha seja demolido
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Marcio diz que sonha em ver o centro cheio de turistas, mas teme perder o emprego caso o hotel em que trabalha seja demolido

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Antônio soube do projeto pela TV e também teme perder o emprego em um prédio do bairro com a mudança
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Antônio soube do projeto pela TV e também teme perder o emprego em um prédio do bairro com a mudança

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Proprietária do imóvel alugado por Edson avisou ele sobre projeto do governo, mas disse não saber quando será a desapropriação dos apartamentos do prédio
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Proprietária do imóvel alugado por Edson avisou ele sobre projeto do governo, mas disse não saber quando será a desapropriação dos apartamentos do prédio

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Praça Princesa Isabel
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Praça Princesa Isabel

Jessica Bernardo / Metrópoles

As propostas da CDHU

Silvio mora há 20 anos com a família no prédio que fica em frente ao Parque Princesa Isabel, em uma das quadras que serão totalmente modificadas pelo projeto. Desde que soube da obra do governo, ele tem participado das reuniões e audiências públicas sobre o projeto.

O aposentado conta que estranhou quando a CDHU apresentou, em maio, uma proposta de negociação antecipada aos moradores do seu prédio e de um edifício vizinho. Isso porque o próprio edital do projeto previa que as desapropriações seriam negociadas pelo consórcio que assumisse a parceria público-privada (PPP).

“Eu só deixei a CDHU avaliar o meu apartamento porque fiquei com medo. Porque, no fim, eu ia ficar sozinho dentro do prédio”, diz o aposentado, comentando que a ideia de negociar diretamente com o governo animou seus vizinhos e ele achou melhor não ser o único a esperar pelo leilão.

Naquele dia, representantes da CDHU disseram que os moradores poderiam negociar entre a possibilidade de receber uma indenização no valor do apartamento ou fazer uma permuta por outro imóvel. Até mesmo a possibilidade de que a companhia financiasse outra residência foi aventada pelos representantes. O encontro contou com a presença do presidente da CDHU, Reinaldo Iapequino.

“Segundo o presidente, já em setembro era para a gente ir tirando as coisas, que ia começar a sair quem já tivesse feito o acordo. [Disseram] que eles pagariam logo [a indenização] e que garantiriam tudo com a Caixa Econômica”, conta o professor Odair Paulo Tognon, de 51 anos, um dos moradores que estiveram na reunião.

“[Eles disseram] que teria dois caminhos: ou nós faríamos com eles, ou com a empresa que ia ganhar a licitação lá no leilão”.

“Destruir apartamentos”

Odair diz que, naquele dia, o presidente da companhia disse que a CDHU começaria a “destruir” os apartamentos que fossem sendo deixados vazios, mesmo que outros vizinhos ainda estivessem no prédio e quisessem entrar na Justiça para negociar, por exemplo.

O Metrópoles teve acesso a uma gravação da reunião e confirmou a fala. No áudio, Reinaldo diz que a companhia buscará entrar em acordo com 100% dos moradores, mas que se tiver uma maioria de apartamentos vazios, começará a descaracterizá-los.

“Imagina que a gente consiga [esvaziar] 30 [apartamentos]. Se a gente conseguir 30, o que nós vamos fazer? Vamos destruir os apartamentos por dentro. Eu não posso gerar risco de ter invasão. A gente precisa ter as nossas condições”, disse o presidente.

Odair e Silvio dizem que quase todos os moradores aceitaram negociar antecipadamente com a CDHU, mas desde setembro de 2025 o grupo não tem mais retorno da companhia. O grupo chegou a montar um abaixo-assinado cobrando resposta sobre o andamento do processo, mas não foi mais atendido pelo governo.

A escolha do governo

Diretor-presidente da Companhia Paulista de Parcerias, empresa estatal que estruturou o projeto da PPP no centro, Edgar Benozatti disse que a gestão Tarcísio optou por manter as desapropriações com o setor privado “para proteger o cronograma” da obra, que tende a andar mais rapidamente quando essa etapa é feita pela iniciativa privada, segundo ele.

Em entrevista ao Metrópoles, Edgar afirmou que os apartamentos passarão por uma nova perícia, contratada pela concessionária e revisada por um certificador independente, para garantir um preço atualizado e justo aos proprietários.

“Mesmo que eu quisesse utilizar esses laudos [que já foram feitos pelos peritos anteriores], à medida que o tempo vai passando, eu vou prendendo a data base. Então, de todo modo, a gente precisaria fazer aqui um novo estudo, um novo laudo, até pra dar o valor justo por morador, que pode ter feito uma reforminha na casa dele, algum tipo de melhora ali. Isso tem que ser levado em consideração”.

Segundo o diretor, as propostas feitas pela concessionária para as desapropriações serão exclusivamente de pagamento em dinheiro pelo valor do imóvel, não sendo mais ofertadas possibilidades de permuta, por exemplo. Edgar disse que as famílias receberão um valor adequado para que possam se manter no centro.

A reportagem questionou se ao diretor se ele sabia que a CDHU tinha apresentado uma proposta independente aos moradores e enviado peritos próprios antes, mas ele afirmou “não recordar” de “todos os detalhes das ações da CDHU”.

“Fato é que a CDHU foi muito parceira nesse aspecto de diálogo com a população, porque é um processo complexo. É um processo razoavelmente traumático para as pessoas. A gente tenta que ele seja o mais suave possível, mas a gente reconhece as dificuldades inerentes a esse processo de desapropriação”, afirmou.

O que diz a CDHU

Em nota, a CDHU disse que iniciou o diálogo com os moradores dos edifícios Henrique e Princesa “com a finalidade de dar transparência à situação e de abrir as tratativas sobre as desapropriações”.

A empresa afirma que realizou duas reuniões com os residentes e apresentou os procedimentos necessários à desapropriação, “incluindo todas as etapas e exigências formais”.

“Todo o histórico das tratativas com os moradores será disponibilizado à coordenação do projeto e ao consórcio vencedor”, diz a nota. A empresa não respondeu por que deu início ao processo de negociação para a desapropriação e depois parou de responder aos moradores.

O governo Tarcísio prevê que 312 imóveis, entre residenciais e comerciais, serão desapropriados para a obra. No total, a estimativa é que o número de famílias que precisarão deixar suas casas passe de 700.

A gestão promete que tanto quem vive em casas próprias quanto as famílias moram em pensões e cortiços na região terão condições de continuarem morando no centro.

Veja fotos do projeto:

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Edifícios de diferentes tipologias, dispostos em direções e alturas diversas, delimitam espaços que conectam ruas em numerosas direções
Na parte onde existem dois bens tombados na quadra 34 e está em frente a outros três haverá uma praça seca
Quadras 46/52
Conjunto de edifícios que  promova conexões urbanas, segundo escritório.
No dia 7 de agosto,  o projeto da Opera Quatro, escritório de arquitetura paulistano, conquistou o primeiro lugar no concurso para a construção da nova sede administrativa do governo de São Paulo.
Projeto vencedor do concurso para o novo centro administrativo de São Paulo é assinado pelo arquiteto Pablo Basilio de Sá Leite Chakur, da Opera Quatro Arquitetura Ltda
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Projeto vencedor do concurso para o novo centro administrativo de São Paulo é assinado pelo arquiteto Pablo Basilio de Sá Leite Chakur, da Opera Quatro Arquitetura Ltda

Divulgação / Concurso Centro de SP
Edifícios de diferentes tipologias, dispostos em direções e alturas diversas, delimitam espaços que conectam ruas em numerosas direções
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Edifícios de diferentes tipologias, dispostos em direções e alturas diversas, delimitam espaços que conectam ruas em numerosas direções

Reprodução Ópera Quatro
Na parte onde existem dois bens tombados na quadra 34 e está em frente a outros três haverá uma praça seca
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Na parte onde existem dois bens tombados na quadra 34 e está em frente a outros três haverá uma praça seca

Reprodução Ópera Quatro
Quadras 46/52
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Quadras 46/52

Reprodução Ópera Quatro
Conjunto de edifícios que  promova conexões urbanas, segundo escritório.
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Conjunto de edifícios que promova conexões urbanas, segundo escritório.

Reprodução Ópera Quatro
No dia 7 de agosto,  o projeto da Opera Quatro, escritório de arquitetura paulistano, conquistou o primeiro lugar no concurso para a construção da nova sede administrativa do governo de São Paulo.
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No dia 7 de agosto,  o projeto da Opera Quatro, escritório de arquitetura paulistano, conquistou o primeiro lugar no concurso para a construção da nova sede administrativa do governo de São Paulo.

Reprodução Ópera Quatro
O projeto vencedor exibe calçadões, áreas verdes e áreas que integram pedestres entre os novos edifícios, além de salas com pufes
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O projeto vencedor exibe calçadões, áreas verdes e áreas que integram pedestres entre os novos edifícios, além de salas com pufes

Reprodução Ópera Quatro
Centro Administrativo do governo do estado de São Paulo: 288.000,00m²
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Centro Administrativo do governo do estado de São Paulo: 288.000,00m²

Reprodução Ópera Quatro

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