No Chile: 2º falso médico que atendia em hospital de SP está foragido

Identificado como Mike, o homem utilizava a identidade falsa de um médico real, com o mesmo nome, para realizar atendimentos em um hospital

atualizado

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Guilherme Bianchi/Metrópoles
Imagem colorida de itens apreendidos durante operação que prendeu falso médico - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de itens apreendidos durante operação que prendeu falso médico - Metrópoles - Foto: Guilherme Bianchi/Metrópoles

Um segundo falso médico investigado por envolvimento na morte de nove pacientes no Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, fugiu e está no Chile, segundo a Polícia Civil. Identificado apenas como Mike, o criminoso utilizava a identidade falsa de um médico real, com o mesmo nome, de Catanduva, cidade do interior paulista.

O homem é alvo de um mandado de prisão emitido em uma operação deflagrada pela polícia nesta terça-feira (26/5). O cúmplice dele, Marcos Phelipe de Barros, que também atuava como falso médico, foi preso de manhã.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação começou por meio de um disk-denúncia, no final do ano passado. Equipes constataram que Mike praticava “exercício irregular da medicina” e montaram uma primeira operação em dezembro para prendê-lo. Na época, porém, o falso médico fugiu para o Chile e segue foragido.

O secretário da Segurança Pública (SSP), Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou durante coletiva de imprensa, nesta terça-feira, que a Polícia Civil vai “comunicar as autoridades do Chile” sobre o criminoso. A ideia é trazer o farsante de volta ao Brasil para poder prendê-lo.

“Vamos denunciar, vamos buscar, vamos fazer o que for possível. Comunicar às autoridades do Chile, internacional, é questão de trazer esse cara para cá. Existe um monitoramento em cima do investigado, né? Apesar de estar em outro país, a gente tem aí alguns canais para poder continuar essa investigação em cima dele”, informou o secretário.

De acordo com a SSP, imagens do suspeito vão ser divulgadas em breve para a imprensa.

Companheiro foi flagrado aplicando mounjaro no meio da rua

Marcos Phelipe de Barros, companheiro de Mike preso nesta terça-feira (26/5), foi flagrado aplicando uma injeção de mounjaro em uma mulher no meio da rua, segundo a Polícia Civil.

Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o criminoso encontrando a paciente na calçada de um condomínio. Eles se abraçam e caminham em direção a um carro. A mulher tira a blusa e o suspeito aplica a injeção no braço direito dela. Os dois se abraçam novamente e o homem volta para o condomínio (assista acima).

Marcos Phelipe utilizava a identidade falsa de Nicolas Joseph de La Mata, o nome de um verdadeiro médico também de Catanduva, e “fazia bicos principalmente de questão estética”, conforme a polícia. O médico real teve seu registro e certificado copiado pelo criminoso e não tinha conhecimento dos crimes.

Pacientes morreram por “mau atendimento”

De acordo com a investigação, Mike e Marcos Phelipe atuavam como falsos médicos no hospital particular Jardim Helena. Eles são apontados como responsáveis por cerca de 2 mil atendimentos na unidade ao longo de dois anos, com nove mortes decorrentes de mau atendimento.

É o caso de uma senhora que chegou ao hospital com problemas no coração e foi atendida por um dos criminosos. A paciente estava com um aneurisma na aorta, porém ficou oito horas sem realizar um exame cardíaco e, por conta do atraso, morreu.

Uma fisioterapeuta também morreu por conta de uma manobra de ressuscitação feita incorretamente por um dos médicos. A mulher estava diagnosticada com dengue e chegou ao hospital com o nível de plaquetas muito baixo.

A paciente evoluiu para uma parada cardíaca e os farsantes não souberam como ressuscitar a mulher. Eles tentaram realizar uma manobra de ressuscitação, porém foi mal executada e causou uma série de lesões internas na fisioterapeuta, que acabou morrendo.

Hospital também é investigado

Segundo o delegado José Mariano de Araújo Filho, titular do 22° Distrito Policial (São Miguel Paulista) e responsável pelo caso, há indícios de omissão e negligência do Hospital Jardim Helena, além de suspeitas de lavagem de dinheiro. A gestora operacional e o diretor clínico da unidade foram afastados por ordem judicial.

O delegado afirmou em coletiva à jornalistas que a direção do hospital já havia sido alertada por funcionários sobre o atendimento incorreto dos falsos médicos. Os colaboradores da unidade argumentaram que os criminosos eram “extremamente infantis, experientes e queriam que funcionários como, por exemplo, enfermeiros de nível superior prestassem atendimento enquanto eles ficam dormindo”, segundo a polícia.

O Metrópoles entrou em contato com o Hospital Jardim Helena e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações.


Entenda a investigação

  • Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, a investigação começou através de um disk-denúncia, no ano passado.
  • Em dezembro, o 22° DP constatou que um médico no Hospital Jardim Helena praticava medicina ilegal e montou uma operação para prender o suspeito.Identificado como Mike, o suspeito, porém, fugiu para o Chile. Ele utilizava o registro de um verdadeiro médico, também chamado Mike, de Catanduva.
  • Posteriormente, a investigação identificou outro indivíduo, o Marcos Phelipe, que atuava como falso médico no hospital.
  • O homem foi preso nesta terça-feira (26/5) pelos policiais do 22° DP.
  • A Polícia Civil também pediu o afastamento da gestão do hospital para apurar possível omissão e envolvimento no crime.
  • A investigação segue em busca do falso médico foragido no Chile.

 

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