Operação cumpre mandados contra falsos médicos suspeitos por 9 mortes
Dois falsos médicos são responsáveis por cerca de 2 mil atendimentos em hospital privado ao longo de 2 anos, de acordo com a Polícia Civil

A Polícia Civil faz, nesta terça-feira (26/5), operação contra falsos médicos suspeitos de envolvimento em nove mortes, em São Paulo. São cumpridos dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão na capital paulista, bem como em São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes.
De acordo com a investigação, dois homens atuavam como falsos médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. Eles são apontados como responsáveis por cerca de 2 mil atendimentos na unidade ao longo de dois anos, com nove mortes decorrentes de mau atendimento.
Segundo o delegado José Mariano de Araujo Filho, responsável pelo caso, há indícios de omissão e negligência do hospital, além de suspeitas de lavagem de dinheiro. A gestora operacional e o diretor clínico da unidade serão afastados por ordem judicial.
“Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas. A investigação aponta uma atuação clandestina prolongada, com consequências gravíssimas para pacientes e indícios de falhas que vão além dos falsos médicos. Nosso trabalho agora é aprofundar a apuração para responsabilizar todos os envolvidos nesse esquema”, disse o delegado.
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Ver todasDe acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), apenas um dos alvos havia sido localizado até a publicação desta reportagem.
O que diz o hospital
Procurado, o Hospital Jardim Helena disse que foi “surpreendido”, em junho de 2025, por informações de autoridades policiais sobre a falsidade ideológica atribuída a um dos dois indivíduos acusados como falsos médicos. “Registra-se que, na data da operação, os referidos indivíduos não se encontravam nas dependências do hospital”, afirmou, em nota.
“Tão logo tomou ciência dos fatos, a direção do hospital apresentou registro de Boletim de Ocorrência no 22° Distrito Policial (São Miguel Paulista), em 9 de junho de 2025, e proativamente disponibilizou às autoridades competentes a documentação relacionada aos investigados. Em paralelo, a direção do Hospital iniciou sindicância interna para apuração dos fatos.”
O hospital disse ter sido “vítima da atitude ilegal de indivíduos que atuam irregularmente na profissão médica”. Segundo a unidade, os falsos médicos não integravam o quadro funcional direto da instituição. “A contratação ocorreu por intermédio da empresa VHN Clínica Médica Ltda. para a prestação de serviços médicos de pronto socorro, seleção e recrutamento, tendo a responsabilidade de realizar a validação documental dos profissionais prestadores de serviços médicos”, afirmou.


