Falsos médicos: fisioterapeuta com dengue morreu após manobra errada

Segundo as investigações, nove pessoas morreram após tratamentos inadequados prescritos por dois falsos médicos, em São Paulo

atualizado

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Guilherme Bianchi/ Metrópoles
Imagem colorida de autoridades policiais em coletiva. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de autoridades policiais em coletiva. Metrópoles - Foto: Guilherme Bianchi/ Metrópoles

Um dos nove pacientes vítimas de dois falsos médicos morreu de dengue após passar por manobras incorretas de reanimação. Os dois suspeitos atuavam como falsos médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo.

Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a paciente, uma fisioterapeuta, estava diagnosticada com dengue, com nível de plaquetas muito baixo, e os falsos médicos não souberam direcionar o atendimento. A mulher teve uma parada cardíaca, e os suspeitos não sabiam como ressuscitá-la.

“Era uma manobra que, para a medicina, seria muito simples de uma pessoa com conhecimento técnico executar, que é uma manobra de ressuscitação, só que eles não sabiam. O resultado foi catastrófico, produziu uma série de lesões internas”, explicou o secretário.

Além da ocorrência relacionada a essa paciente, outro caso que chamou a atenção das autoridades foi o de uma idosa que chegou à unidade com problemas no coração. Segundo a investigação policial, a mulher ficou oito horas sem passar pelo exame cardíaco que diagnosticaria um aneurisma na horta. A mulher morreu.

Não há crianças entre as vítimas. As autoridades afirmaram que já têm o laudo médico das nove mortes causadas pela dupla de falsos médicos.


Falso médico foragido

  • Um dos dois suspeitos de atuarem como falsos médicos está foragido no Chile, segundo a investigação.
  • De acordo com a polícia de São Paulo, as autoridades do Chile já foram informadas sobre o suspeito, e é “questão de tempo” até ele ser trazido à capital paulista.
  • O foragido é identificado como Mike. Ele usava o nome de um médico de Catanduva, no interior de São Paulo.
  • O outro suspeito, identificado Marcos Phelipe de Barros, foi preso nesta terça-feira (26/5).

De acordo com a investigação, os homens são apontados como responsáveis por cerca de 2 mil atendimentos no Hospital de Clínicas Jardim Helena ao longo de dois anos, com pelo menos nove mortes decorrentes de mau atendimento.

Segundo o delegado José Mariano de Araujo Filho, responsável pelo caso, há indícios de omissão e negligência do hospital, além de suspeitas de lavagem de dinheiro. A gestora operacional e o diretor clínico da unidade serão afastados por ordem judicial.

“Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas. A investigação aponta uma atuação clandestina prolongada, com consequências gravíssimas para pacientes e indícios de falhas que vão além dos falsos médicos. Nosso trabalho agora é aprofundar a apuração para responsabilizar todos os envolvidos nesse esquema”, disse o delegado.

Além dos mandados de prisão – um deles ainda em aberto –, foram cumpridos sete de busca e apreensão na capital paulista, bem como em São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes.

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