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Justiça absolve falso médico acusado por morte de mulher em Sorocaba

Júri avaliou que não há relação entre a conduta de Fernando Henrique Dardis e a morte da paciente Helena Rodrigues, medicada por ele

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Homem branco com barba e cabelo curto - Metrópoles
1 de 1 Homem branco com barba e cabelo curto - Metrópoles - Foto: Reprodução

Preso por exercício ilegal da medicina, Fernando Henrique Dardis foi absolvido da acusação de matar uma paciente enquanto atuava como falso médico, em Sorocaba, no interior de São Paulo. A decisão do júri popular aconteceu na última quinta-feira (26/2).

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O homem foi acusado pela morte de Helena Rodrigues, em 2011. Na ocasião, a mulher foi à Santa Casa de Sorocaba com sintomas de infarto. Ela foi atendida pelo falso médico, que prescreveu um analgésico após diagnóstico de dor nas costas. Helena sofreu uma parada cardíaca e morreu no dia seguinte.

No julgamento, Fernando Dardis foi absolvido por falta de nexo causal, ou seja, entenderam que não ficou comprovada a relação entre a conduta do falso médico e a morte da vítima. “A paciente chegou à Santa Casa com uma queixa de dor lombar, e os medicamentos ministrados foram para dor lombar. Não foi o Fernando que deu alta para ela. A paciente ficou cinco horas internada no hospital. Então, mostramos de maneira técnica que não tinha como atribuir à atitude dele a responsabilidade pela morte da dona Helena”, afirmou o advogado do homem, Fernando Liebman, ao Metrópoles.

Além do homicídio com dolo eventual, Fernando Dardis também respondia por exercício ilegal da medicina e falsificação de documento por prescrever uma receita sem competência para tal. Ele foi absolvido da acusação de exercício ilegal da medicina por já ter sido condenado e preso pelo mesmo crime em processo diferente. Em relação ao crime de falsificação de documento, ele foi absolvido por clemência  — quando os jurados perdoam o réu por motivos humanitários. O Ministério Público (MPSP) considera recorrer da decisão.

Em processos separados, o falso médico também é acusado pela morte de outra paciente, Therezinha Monticelli Calvim, e por forjar a própria morte para fugir das autoridades. Os casos ainda não foram julgados.

Falsa morte e registro de filha

Fernando Dardis foi preso em junho de 2025, após se entregar no 1° Distrito Policial de Guarulhos, na Grande São Paulo. Antes da prisão, ele teria forjado a própria morte para escapar das condenações. Ele teria desembolsado R$ 5 mil para conseguir o corpo de um indigente para ser usado no falso enterro que arquitetou para si mesmo, em Guarulhos.

Segundo a investigação da Polícia Civil, a farsa só foi possível com o provável auxílio de servidores públicos do município. A fraude só foi descoberta após o homem registrar o nascimento da filha em um cartório. O advogado afirmou que o falso médico não foi responsável por forjar a morte, mas “foi conivente depois que ficou sabendo” do caso.

“Ele afirmou no depoimento que tinha uma filha para nascer e queria apenas conhecer e registrar essa filha. Após isso, ele enfrentaria o processo. E foi o que aconteceu”, afirmou o advogado.

Também durante o depoimento, o homem teria afirmado que se passou por médico para agradar à própria mãe. “Ele narrou uma questão muito pessoal dele, de que era o sonho da vida da mãe dele ter algum filho médico, por conta dos negócios da família. Ele tentou realizar esse sonho e começou uma pulsão de mentiras, acabou se perdendo nessas mentiras para a família”, afirmou o advogado.


Falso médico absolvido por morte de paciente

  • Fernando Henrique Dardis foi absolvido da acusação de homicídio pela morte da paciente Helena Rodrigues, ocorrida em 2011, após decisão do júri  em Sorocaba.
  • A mulher procurou a Santa Casa de Sorocaba com sintomas de infarto e recebeu recebeu diagnóstico de dor lombar. Ela sofreu parada cardíaca e morreu no dia seguinte.
  • Na avaliação do júri, não ficou comprovada relação direta entre a conduta do falso médico e a morte da paciente.
  • O homem também responde, em ações distintas, pela morte de outra paciente e por forjar a própria morte para fugir das autoridades. Os casos ainda não foram julgados.
  • Ele já foi condenado e preso por exercício ilegal da medicina.

 

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