MPF cobra investigação sobre atuação da PM em ato da esquerda em São Paulo.
Imagens mostram policiais apontando armas para manifestantes e público fugindo de bomba de gás lacrimogêneo em ato pró-Lula

O Ministério Público Federal (MPF) enviou um ofício ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) pedindo investigação sobre a conduta da Polícia Militar (PM) durante um ato pró-Lula (PT) no dia 18 de outubro, no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste da capital.
O requerimento foi enviado após uma denúncia no canal do MPF que apontou para a ocorrência de uso abusivo da força por policiais contra os manifestantes.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram agentes apontando armas para o público. Em seguida, é possível ouvir um estrondo e um grito anunciando que houve emprego de gás lacrimogêneo para dispersar os presentes no local.
No ofício, o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Paulo Thadeu Gomes da Silva, pede ao MPSP a instauração de inquérito civil e/ou procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar a responsabilidade disciplinar, civil e criminal dos agentes envolvidos na operação.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNo documento, ele destaca que o dever constitucional da Polícia Militar e do Estado é garantir a segurança e a integridade física dos manifestantes, permitindo o pleno exercício da liberdade política.
O MPF solicitou ao Ministério Público estadual que requisite junto ao Comando-Geral da Polícia Militar e à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) a identificação completa da escala de serviço, dos oficiais responsáveis pelo comando do policiamento no local e no horário do evento, bem como os relatórios de uso de munição não letal e agentes químicos.
Também requisita que o MPSP avalie a possibilidade de envio de recomendação ao Comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo para readequação dos protocolos de atuação em eventos públicos, assegurando o direito de reunião pacífica.
O ato da esquerda no Largo da Batata aconteceu no mesmo dia de uma manifestação em apoio ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), na Avenida Paulista, a cerca de 5 km dali.
Inicialmente, um grande evento pró-Lula estava marcado para o Vale do Anhangabaú, mas foi transferido após o túnel que passa pelo local alagar por causa da forte chuva daquela semana.
O ato, convocado por grupos de esquerda, foi então transferido para o Largo da Batata. A própria União Nacional dos Estudantes (UNE) chegou a reservar o local, mas mudou de ideia por entender que o evento deveria ser realizado nas periferias, e não no centro.

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Ver todasMesmo assim, decidiu manter a reserva, por temer atos de violência, conforme noticiado pelo Metrópoles, na coluna de Demétrio Vecchioli. O acesso ao local e também à Avenida Paulista, onde aconteceria a manifestação pró-Flávio, se dá de metrô pela Linha 4-Amarela, o que aumentaria as chances de os dois grupos se encontrarem e provocarem tumulto nas estações.
Apesar do racha sobre manter ou não o ato pró-Lula no Largo da Batata, o evento foi mantido, sobretudo, após a líder do movimento Fortes, Isadora Brizola, candidata do PDT a deputada estadual nas eleições de 2026, tomar a frente da mobilização.
