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Flávio enviou DM a Richarlison defendendo amigo Willer Tomaz

Mensagem foi enviada quando Richarlison reclamou de ter tomado prejuízo de R$ 10 milhões por casa em Angra

23/10/2026 19:26, atualizado 23/10/2026 19:44
Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro e Richarlison
Flávio enviou DM a Richarlison defendendo amigo Willer Tomaz

O senador Flávio Bolsonaro (PL) respondeu às queixas públicas do atacante Richarlison sobre um prejuízo de R$ 10 milhões com uma casa em Angra dos Reis (RJ) enviando a ele, em particular, imagens de um contrato sigiloso, supostamente firmado entre o advogado Willer Tomaz e o empresário Renato Rocha Velasco, ex-agente do jogador.

As mensagens foram enviadas em julho, pelo Instagram, após Richarlison repercutir um vídeo que recuperava o assunto. Nelas, Flávio diz que Richarlison deveria cobrar seu empresário e pede que o jogador deixe de expô-lo. Na época, ele já era pré-candidato à Presidência.

Por esse contrato, Willer teria fechado um acordo com a empresa Sport70, uma sociedade entre Richarlison e Velasco, para supostamente ressarci-la pelas benfeitorias feitas na casa de Angra quando ela esteve em posse do atacante. Mas Richarlison e Velasco romperam e esse dinheiro nunca chegou ao jogador. Quando o acordo foi fechado, a informação do rompimento entre atleta e empresário já era pública.

Richarlison sente ter sido roubado duas vezes: a primeira quando perdeu a casa que entende ter comprado legalmente; a segunda, quando viu aqueles que tomaram sua casa ressarcirem outra pessoa que não ele pelas despesas que ele teve no local, perdendo, por isso, também o direito de recorrer à Justiça.

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Procurada pela coluna a respeito dessas mensagens, a campanha de Flávio disse que ele nunca foi parte da ação judicial. “O senador não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com o imóvel em questão, tentar associá-lo é factualmente infundado e eleitoralmente motivado”, respondeu a assessoria do candidato. A reportagem reforçou o questionamento sobre as mensagens e não teve resposta.

A disputa é complexa, mas, em resumo, a Sport70 (sociedade entre Richarlison e Velasco) e o então deputado estadual Alencar Silveira Jr, ex-presidente do América-MG (clube formador do atacante), compraram uma casa em Angra das mãos de um posseiro. Achando que a mansão ainda estava à venda, Willer levou Flávio Bolsonaro para conhecê-la e o senador se encantou, ouvindo daquele que se apresentava como antigo dono (o posseiro Antonio Marcos Pereira da Silva) que ela já havia sido vendida.

A casa, contudo, seguia registrada em nome de uma empresa inativa há muito tempo, a W Locadora, que não ocupava mais o terreno desde a década de 1980 e cujos sócios já são falecidos. Ao notar isso, Willer procurou o inventariante de um dos sócios desta empresa e comprou o direito de posse, conseguindo em poucas horas a regularização junto à SPU (Secretaria do Patrimônio da União), ainda no governo Jair Bolsonaro (PL). Também de forma célere, conseguiu a reintegração de posse no Tribunal de Justiça do Rio.

Richarlison reclama que a casa foi “tomada” dele

Depois de comprar a casa e reformá-la, Richarlison foi surpreendido com a polícia chegando lá em um fim de tarde para tirar sua família do local. Vídeos mostram que, quando um funcionário de Alencar Silveira voltou ao local para retirar seus pertences, deparou-se com homens fortemente armados, agindo a mando de Willer.

A querela se arrastou nos tribunais, em diversos processos, com a viúva de um dos sócios da W Locadora dizendo ter sido enganada, Velasco conseguindo assumir como inventariante do outro sócio, e contratos mostrando que a empresa já havia vendido a casa muito tempo atrás – portanto não poderia vendê-la de novo.

O processo principal foi encerrado este ano, por desistência da Sports70, o que aconteceu sem a anuência do principal interessado, Richarlison. Afinal, pelo acordo que fizera com o empresário e o cartola, 50% da casa (e das despesas) eram dele, ficando Alencar Silveira e Renato Velasco com 25% cada um.

Naquele momento, o atacante e o agente, porém, já tinham rompido, por iniciativa de Richarlison, que teria se sentido enganado ao confrontar quanto Velasco cobrava dele de reembolso por despesas da casa e qual o custo efetivo daqueles serviços e bens. Aquele foi o estopim para o atacante olhar a relação econômica que tinha com seu empresário e descobrir que Velasco ficava com uma fatia muito maior dos seus rendimentos do que o autorizado pela Fifa.

Mais de um ano depois de ser “demitido” por Richarlison, Velasco teria assinado um contrato, em próprio nome e como representante da Sport70, se comprometendo a desistir da disputa judicial em troca de um valor em dinheiro depositado em três contas correntes de titularidade do empresário como pessoa física. Flávio Bolsonaro mandou para Richarlison um print com o trecho do contrato que cita essas contas.

A situação deixou o jogador ainda mais incomodado, já que Tomaz tinha conhecimento de que a casa havia sido reformada por Richarlison, e não pelo empresário, e era ocupada pela família do jogador até a reintegração de posse. Mesmo assim, não o procurou para um acordo, acertando diretamente com o empresário, com quem o atacante está publicamente rompido desde 2024.

Além disso, nem Richarlison nem Alencar Silveira Jr (que hoje é conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais) tiveram acesso ao contrato e, sem isso, não conseguem ir à Justiça cobrar que Velasco reparta com eles qualquer valor eventualmente recebido como ressarcimento de despesas que os três tiveram na casa.

Alencar diz que chegou a cobrar Bolsonaro em uma visita de Jair a Minas Gerais. “Pedi pro Bolsonaro me ajudar. ‘Ele falou que o Willer é um aproveitar, oportunista, não converso com ele, já me prejudicou. Quem tem contato com ele é o Flávio’. Isso ouvi da boca dele na Assembleia. O advogado tentou de tudo quanto é jeito comprar meus 25%. Agora o que eu quero é que a PF investigue direito tudo isso”.

Tomaz se defende afirmando que Richarlison nunca foi parte do processo, apenas a Sport70, que tem Velasco como administrador. “Não fui eu quem o procurou, mas ele que me procurou buscando um acordo, primeiro através do advogado dele, depois ele em pessoa. O Richarlison nunca tomou parte do processos”, disse ele à coluna.

O advogado mandou à reportagem, em julho, três trechos do documento: duas cláusulas em que Velasco se compromete a desistir de qualquer processo e duas assinaturas eletrônicas do empresário, na pessoa física e como representante da Sport70. Os valores, porém, são mantidos sob sigilo.