Missão Planalto: por que campanha de Haddad em SP é vital para Lula
Fernando Haddad foi convencido por Lula a disputar eleição contra Tarcísio de Freitas mesmo com resistência do ministro em ir às urnas
atualizado
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A decisão do PT de lançar a o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato ao Governo de São Paulo tem motivações que vão além da disputa pela cadeira do Palácio dos Bandeirantes.
A principal delas é a avaliação de que um bom palanque no maior colégio eleitoral do país é essencial para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo petistas ouvidos pelo Metrópoles, a presença de Haddad na cabeça de chapa é a opção mais segura para isso.
Na última pesquisa Datafolha, o ministro da Fazenda apareceu como o melhor candidato do campo progressista em São Paulo, com intenções de voto que variam entre 31% e 28%, a depender do cenário. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera em todos os levantamentos.
O favoritismo do atual governador contribuiu para que o PT optasse por seu nome mais forte no estado, já que uma eventual “lavada” de Tarcísio e do bolsonarismo em São Paulo poderia custar a vitória de Lula em um cenário polarizado e, provavelmente, com resultado apertado.
Em 2022, Haddad perdeu a eleição paulista para Tarcísio com uma diferença de 2,6 milhões de votos. Na disputa presidencial, o resultado em São Paulo foi similar: Lula teve 2,7 milhões a menos que Jair Bolsonaro no estado. Na conta nacional, Lula venceu Bolsonaro com apenas 2,1 milhões de votos a mais. Na avaliação dos petistas, o fato de ter “perdido de pouco” em São Paulo foi determinante para a vitória.
A título de comparação, em 2018, quando Haddad perdeu a eleição presidencial para Bolsonaro, a diferença entre ambos no estado de São Paulo foi de 8 milhões de votos. Naquela eleição, o candidato petista ao governo paulista foi o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho. Com apenas 2,6 milhões de votos, o atual ministro do Trabalho ficou em quarto lugar e não chegou ao segundo turno.
Recall de 2022
Com isso, o PT aposta no bom desempenho de Haddad em 2022 e no recall do ministro junto ao eleitorado. O ministro também representa um aceno ao centro da legenda no estado, que é majoritariamente conservador. Apesar da biografia ligada ao PT e da proximidade pessoal com Lula, o ministro é visto como alguém com bom diálogo com o setor financeiro e de linha econômica mais liberal que a média dos petistas.
O próprio Tarcísio já avaliou a interlocutores que Haddad teve boas intenções à frente da Fazenda, mas que teria sido prejudicado pelo próprio PT nas tentativas de equilibrar as contas do governo.
Além disso, ao longo do mandato, Haddad serviu como um porta-voz do legado do governo Lula e, no último ano, passou a enfatizar comparações entre as políticas do governo paulista e as da gestão Bolsonaro. Já Tarcísio também foi uma voz de destaque em defesa do governo Bolsonaro, especialmente na economia, o que deve conferir um tom nacional aos embates do pleito paulista.
“Haddad está pronto para fazer esse debate”, diz um aliado próximo ministro.
Outro fator que pesou na decisão foi a preferência dos pré-candidatos a deputado do PT no estado, que acreditam que ter Haddad na cabeça de chapa pode ajudar a puxar votos e aumentar a bancada do partido no Congresso.
