Marina: classificar PCC e CV como terroristas impacta amigos de Flávio

Pré-candidata ao Senado, Marina Silva (Rede) afirmou que o Brasil é quem tem que ser responsável pela própria segurança

atualizado

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Mario Agra/Câmara dos Deputados
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1 de 1 marina silva câmara - Metrópoles - Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados

A pré-candidata ao Senado e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) afirmou nesta sexta-feira (29/5) que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) pelos Estados Unidos como organizações terroristas internacionais vai impactar “amigos” dos que defenderam a proposta, sem citar nomes.

“Eu acho que vai impactar, em primeiro lugar, os amigos de quem foi fazer esse tipo de proposta, aqueles que estão envolvidos em crime organizado,” disse Marina. “Esses serão os mais impactados, com certeza”.

O anúncio dos EUA na última quinta-feira (28/5) foi feito um dia após o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e presidente norte-americano, Donald Trump, em que o pré-candidato à Presidência afirmou ter pedido a classificação das facções brasileiras como terroristas.

A ex-ministra do Meio Ambiente defendeu que o Brasil é quem deve cuidar dos próprios problemas envolvendo a segurança nacional. “Hoje, o debate sobre segurança está nacionalizado. Por isso que o presidente Lula se dispõe a trabalhar com todos os governadores. Agora, criar ganchos, que é uma linguagem da diplomacia, para possibilitar qualquer tipo de aventureirismo intervencionista no nosso país, isso não é tolerável”.

O PCC e CV serão oficialmente incluídos na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) em 5 de junho. Segundo o governo Trump, as facções estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e as redes criminosas afetam diretamente a segurança dos Estados Unidos. A lista inclui cartéis mexicanos, gangues centro-americanas e organizações venezuelanas ligadas ao tráfico internacional de drogas, armas, pessoas e lavagem de dinheiro.

Flávio e Orcrim

Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou que o senador teria financiado e lucrado com a construção ilegal de prédios erguidos pelas milícias usando dinheiro público, segundo revelou o site Intercept Brasil à época. Segundo o órgão, o investimento para as edificações levantadas por três construtoras teria vindo de “rachadinha”, supostamente coletada no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Uma das maiores sombras que pairam sobre a trajetória política do senador é sua proximidade com o miliciano Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, morto pela polícia baiana em fevereiro de 2020, segundo versão oficial. O chefe do grupo criminoso integrava, segundo o MP, “o núcleo executivo da organização criminosa” liderada pelo atual senador.

Flávio homenageou o então policial na Alerj. Também o visitara na cadeia, quando ele respondia a um processo por homicídio. Por fim, empregou a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher dele, Danielle Mendonça da Costa, como funcionárias fantasmas em seu gabinete na Alerj, segundo a investigação.

O órgão afirmou que o capitão Adriano “se valia de parentes para integrar o núcleo executivo da ORCRIM (organização criminosa)”. O documento estima que ele repassou mais de R$ 400 mil para contas administradas por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio acusado de ser o operador financeiro da organização.

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