Justiça mantém expulso ex-presidente do Juventus suspeito de fraude
Antonio Ruiz Gonzales foi afastado do Atlético Juventus em meio a investigação policial contra ex-dirigentes por desvio de R$ 2,3 milhões
atualizado
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A Justiça de São Paulo manteve o ex-presidente Antonio Ruiz Gonzales afastado do conselho deliberativo do tradicional Clube Atlético Juventus.
A expulsão foi determinada inicialmente em 9 de março em meio a uma investigação policial que apura um possível desvio de R$ 2,3 milhões que seriam aplicados em obras de conservação do Estádio Conde Rodolfo Crespi, localizado na Rua Javari, no bairro da Mooca, zona leste da capital paulista.
Em 19 de março, o ex-dirigente obteve decisão favorável. O juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 12ª Vara Cível de São Paulo, anulou a exclusão e determinou que o Juventus realizasse uma nova convocação para o julgamento de sindicância, sob prazo de 10 dias para análise de documentos.
No entanto, nessa terça-feira (24/3), o desembargador José Rubens Queiróz Gomes, da 7ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), interrompeu a eficácia do entendimento de primeira instância até que o mérito seja julgado pelo colegiado.
Fraude no Juventus
- O estádio do Juventus é tombado como patrimônio histórico da cidade de São Paulo. Por isso, em 2022, o time firmou com a Prefeitura de São Paulo um termo de compromisso relacionado ao potencial construtivo do estádio do Juventus.
- Liberado há cerca de três anos pela administração municipal, o montante milionário que seria aplicado em obras de conservação, contudo, teria sido usado para pagar supostos empréstimos feitos à associação esportiva.
- Após uma sindicância interna, segundo documentos obtidos pelo Metrópoles, funcionários investigados por envolvimento na fraude foram afastados.
- O clube solicitou à polícia, por meio da abertura de um inquérito, “adoção das medidas investigativas cabíveis, a fim de resguardar o patrimônio moral e material do Clube Atlético Juventus e promover a responsabilização dos envolvidos”.
- A sindicância evidenciou “dupla lesão ao patrimônio do clube, com grave repercussão financeira e institucional”. Para evitar interferências, recomendou-se a suspensão preventiva de dirigentes do período de 2019 a 2020, assim como o afastamento cautelar de funcionários da tesouraria.
- Em setembro deste ano, a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa chegou a realizar uma proposta de multa devido ao descumprimento de termos do acordo que previa a reforma. O Juventus pode enfrentar uma dívida de cerca de R$ 5,3 milhões, que também inclui uma restituição estabelecida pela gestão municipal.
- O Juventus sugeriu que haja bloqueio das contas dos destinatários do pagamento e também sequestro das quantias ligadas ao termo de compromisso.
- O caso foi protocolado na 4ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Lavagem ou Ocultação de Bens e Valores.
Ainda de acordo com o relatório da apuração interna, houve três tentativas de suspensão ou cancelamento da reunião que afastou o ex-presidente, com diferentes fundamentos. Um dos argumentos apresentados seria de que o prazo da convocação teria transcorrido durante o Carnaval.
Ainda assim, a reunião foi mantida, “sob o entendimento de que o procedimento observou as regras estatutárias e de que o ex-presidente teve ciência formal da apuração, apresentou defesa escrita e teria, inclusive, possibilidade de defesa perante o plenário”.
O relatório interno também afastou a possibilidade de perseguição política: “O ex-presidente Antonio Ruiz Gonzales foi excluído do Conselho não por divergência política, mas ao final de procedimento estatutário instaurado para apurar possível responsabilidade por prejuízo de grande monta ao clube”, diz o documento.
Estelionato e associação criminosa
Em 20 de outubro de 2025, a Polícia Civil abriu um inquérito após a direção do Clube Atlético Juventus apresentar uma notícia-crime contra ex-dirigentes do clube. Além de Antonio Ruiz Gonsalez, entre os suspeitos estão Ivan Antipov, conselheiro vitalício e ex-presidente do conselho deliberativo; Paulo Troise Voci, ex-vice-presidente do clube; e Raudinei Anversa Freire, ex-diretor de futebol.
Responsável pela apuração, o delegado Tiago Fernando Correia, da 3ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro, apontou a necessidade de detectar possível estelionato e existência de uma “associação criminosa, estruturada para lesar o patrimônio da agremiação”. A autoridade policial constatou que haveria indícios de “apropriação indébita majorada”.
Estádio do clube
Também conhecido como Estádio da Javari, o Estádio Conde Rodolfo Crespi foi inaugurado em 26 de abril de 1925 e adquirido da família Crespi pelo Clube Atlético Juventus em 1967.
Atualmente, numa área aproximada em 15 mil metros quadrados, o espaço comporta 5 mil pessoas. No entanto, segundo o clube, já registrou a presença de 15 mil torcedores.
Em 2019, o estádio foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).
