Ex-presidente é expulso de conselho de tradicional clube paulista
Antonio Ruiz Gonzales foi expulso do Conselho Deliberativo do Juventus da Mooca durante investigação policial que apura possível desvio
atualizado
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Antonio Ruiz Gonzales, ex-presidente do Juventus da Mooca, clube tradicional da zona leste de São Paulo, foi excluído do Conselho Deliberativo do clube nesta segunda-feira (9/3). A expulsão aconteceu em meio a uma investigação policial que apura um possível desvio de R$ 2,3 milhões.
A exclusão de Gonzales foi realizada durante uma apuração interna do clube que discutiu a responsabilidade dele em um prejuízo financeiro causado à associação. O documento do Juventus que oficializou a expulsão aponta que o caso teve origem em um “contrato firmado em 2019, com a empresa CSP- Conlutas e, segundo o parecer da Comissão de Sindicância, o clube acabou suportando uma condenação judicial que levou à necessidade de buscar ressarcimento de aproximadamente R$ 800 mil”.
O conselho entendeu que não se discutiu apenas a rescisão do contrato, mas também atos posteriores que teriam contribuído para o prejuízo causado ao Juventus.
Fraude no Juventus
- O estádio do Juventus é tombado como patrimônio histórico da cidade de São Paulo. Por isso, em 2022, o time firmou com a Prefeitura de São Paulo um termo de compromisso relacionado ao potencial construtivo do estádio do Juventus.
- Liberado há cerca de três anos pela administração municipal, o montante milionário que seria aplicado em obras de conservação, no entanto, teria sido usado para pagar supostos empréstimos feitos à associação esportiva.
- Após uma sindicância interna, segundo documentos obtidos pelo Metrópoles, funcionários investigados por envolvimento na fraude foram afastados.
- O clube solicitou à polícia, por meio da abertura de um inquérito, “adoção das medidas investigativas cabíveis, a fim de resguardar o patrimônio moral e material do Clube Atlético Juventus e promover a responsabilização dos envolvidos”.
- A sindicância evidenciou “dupla lesão ao patrimônio do clube, com grave repercussão financeira e institucional”. Para evitar interferências, recomendou-se a suspensão preventiva de dirigentes do período de 2019 a 2020, assim como o afastamento cautelar de funcionários da tesouraria.
- Em setembro deste ano, a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa chegou a realizar uma proposta de multa devido ao descumprimento de termos do acordo que previa a reforma. O Juventus pode enfrentar uma dívida de mais de R$ 5,3 milhões, que também inclui uma restituição estabelecida pela gestão municipal.
- O Juventus sugeriu que haja bloqueio das contas dos destinatários do pagamento e também sequestro das quantias ligadas ao termo de compromisso.
- O caso foi protocolado na 4ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Lavagem ou Ocultação de Bens e Valores.
Ainda de acordo com o relatório da apuração interna, houve três tentativas de suspensão ou cancelamento da reunião que agora afastou o ex-presidente, com diferentes fundamentos. Um dos argumentos apresentados seria de que o prazo da convocação teria transcorrido durante o Carnaval. Ainda assim, a reunião foi mantida, “sob o entendimento de que o procedimento observou as regras estatutárias e de que o ex-presidente teve ciência formal da apuração, apresentou defesa escrita e teria, inclusive, possibilidade de defesa perante o plenário”.
O relatório interno também afastou a possibilidade de perseguição política: “o ex-presidente Antonio Ruiz Gonzales foi excluído do Conselho não por divergência política, mas ao final de procedimento estatutário instaurado para apurar possível responsabilidade por prejuízo de grande monta ao clube”, diz o documento.
O Conselho Deliberativo autorizou, por unanimidade, o ingresso de uma ação regressiva para ressarcimento de R$ 800 mil, valor referente a condenação sofrida pelo Juventus na Justiça.
Estelionato e associação criminosa
Em 20 de outubro de 2025, a Polícia Civil abriu um inquérito após a direção do Clube Atlético Juventus apresentar uma notícia-crime contra ex-dirigentes do clube. Além de Antonio Ruiz Gonsalez, entre os suspeitos estão Ivan Antipov, conselheiro vitalício e ex-presidente do conselho deliberativo; Paulo Troise Voci, ex-vice-presidente do clube; e Raudinei Anversa Freire, ex-diretor de futebol.
Responsável pela apuração, o delegado Tiago Fernando Correia, da 3ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro, apontou a necessidade de detectar possível estelionato e existência de uma “associação criminosa, estruturada para lesar o patrimônio da agremiação”. A autoridade policial constatou que haveria indícios de “apropriação indébita majorada”.
