Justiça decide que praça cercada por ex-juiz seja reintegrada à cidade
Praça é alvo de disputa com a Prefeitura da capital desde 2006; Justiça entendeu que ex-juiz nunca chegou a exercer posse sobre o terreno

São Paulo — A Justiça de São Paulo acatou um pedido da Prefeitura de São Paulo e determinou que a praça Ramiro Cabral da Silva, em Interlagos, zona sul, seja reintegrada ao município. O espaço público havia sido cercado pelo ex-juiz Wanderley Sebastião Fernandes em março, em meio a uma disputa judicial que se arrasta desde 2006 e já foi para a segunda instância.
Na decisão publicada nesta quarta-feira (1º/5), a juíza Carmen Cristina Fernandez, da 5ª Vara de Fazenda Pública, afirmou que Fernandes “não teria chegado a exercer posse sobre a área, a qual, há alguns anos, encontra-se sob a posse do Município, razão pela qual não lhe assiste o direito de simplesmente cercar o imóvel neste momento”.
A magistrada afirmou, ainda, que a Subprefeitura de Capela do Socorro presta manutenção periódica no local e realiza investimentos.

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Ver todasA praça fica a poucas quadras da casa onde o mora o prefeito Ricardo Nunes (MDB). O terreno tem quase 800m² e foi batizado como Praça Ramiro Cabral da Silva em 2009, ainda na gestão Gilberto Kassab (PSD).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPA Procuradoria Geral do Município (PGM) argumenta que o local já era uma área pública em 2002, quando o juiz aposentado Wanderley Sebastião Fernandes adquiriu o terreno. O negócio que ele alega ter realizado não teria efeito legal.
Pagamento de IPTU
Contudo, o ex-juiz chegou a pagar Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) do terreno — e a prefeitura só poderia ter feito a cobrança, segundo a defesa do ex-magistrado, caso o reconhecesse como proprietário.
No começo de 2016, a 6ª Câmara de Direito Público deu razão ao ex-juiz, mas o caso ainda é passível de recurso por parte da Prefeitura.
Após cercar o terreno em março, Fernandes instalou placas de “vende-se” no terreno. Na semana passada, a Prefeitura ingressou com outra ação judicial referente ao terreno, agora requerendo a reintegração de posse do local.
Por nota, a Prefeitura informou que “está adotando as medidas cabíveis e pertinentes sobre o caso citado”. “A gestão municipal defende que a área é pública e foi solicitada medida de urgência”, diz o texto.



