Juíza cita bons “antecedentes” ao soltar suposto operador de CV e Fictor

Em decisão na última terça (31/3), Maria Isabel do Prado concedeu liberdade provisória a 15 alvos da Operação Fallax, da Polícia Federal

atualizado

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Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, um dos principais alvos da Operação Fallax - Metrópoles
1 de 1 Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, um dos principais alvos da Operação Fallax - Metrópoles - Foto: Imagem cedida ao Metrópoles

Ao conceder liberdade provisória ao homem apontado como operador de uma rede de laranjas que seria usada pelo Comando Vermelho (CV) e pela holding de investimentos Fictor, a juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal de São Paulo, afirmou que não há informações sobre antecedentes criminais do investigado ou indícios de que ele tenha cometido crime após a expedição do mandado de prisão.

Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, foi alvo da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no último dia 25. Na ocasião, o suspeito não foi localizado pelas equipes de investigação. Dois dias depois, ele se entregou à polícia, em Piracicaba, acompanhado da esposa, Glaucia Juliana Iglesias, e do cunhado, Julio Ricardo Iglesias, que também foram beneficiados com liberdade provisória.

“Assim, tratando-se de delito praticado sem violência ou grave ameaça, e não havendo apontamentos sobre antecedentes criminais, descumprimento de cautelares judiciais, ou indícios cometimento de crime após compromisso firmado perante o Poder Judiciário, reconsidero o decreto de prisão preventiva e entendo, por ora, como suficiente a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, com fundamento na garantia da aplicação da lei penal”, disse Maria Isabel do Prado.

Ao todo, a juíza determinou a soltura de 15 pessoas. Elas ficam proibidas de manter contato com outros investigados e de mudar de endereço. No caso dos presos por suspeita de envolvimento com a rede de laranjas, a magistrada proibiu a criação de novas empresas e movimentações bancárias em contas de terceiros. No caso dos gerentes bancários presos, ela impôs a suspensão do exercício das funções nas instituições financeiras.

Na mesma decisão, Maria Isabel do Prado manteve as prisões de dois investigados, Pedro Guilherme Gosmim e Luiz Guilherme da Silva Fermino, que teriam tentado fugir, e três que seguem foragidos.

De acordo com as investigações, Ralado criava centenas de empresas em nome de desconhecidos e usava os CNPJs para obter empréstimos e financiamentos junto a instituições financeiras. Para isso, diz a PF, ele cooptava gerentes bancários que aprovavam as operações irregulares mediante o pagamento de propinas.

A atividade criminosa do influenciador foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, também no interior.

Meses depois, o MPSP apontou que o CV teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.

Fictor

De acordo com as investigações da PF, Ralado também teria oferecido seus serviços de ocultação e alavancagem de patrimônio à cúpula da Fictor. Na representação que deu origem à Operação Fallax, os delegados citaram conversas entre o suspeito e Rafael Góis, CEO da holding de investimentos.

Uma das trocas de mensagens mencionadas pela PF na representação teria ocorrido no fim de 2023. Referindo-se a Rafael Góis como “chefe”, Ralado sugere um superfaturamento de uma das empresas em nome de laranja, que estava sem movimentação nos últimos 12 meses, para viabilizar uma operação. O CEO da Fictor teria respondido com naturalidade, dizendo que já tinha a simulação referente ao ano anterior.

Rafael foi alvo de mandado de busca e apreensão, teve até R$ 47 milhões em bens bloqueados pela Justiça e o sigilo bancário quebrado. As medidas também foram impostas a outras pessoas ligadas à Fictor, como o ex-sócio Luiz Rubini.

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