Homem apontado como líder de laranjas usados por CV e Fictor é solto
Além de Thiago Branco de Azevedo, o Ralado, que ficou cinco dias preso, outros 17 investigados foram beneficiados por decisão judicial
atualizado
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A Justiça Federal determinou nessa terça-feira (31/1) a soltura de 18 suspeitos presos durante a Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na semana passada contra fraudes bancárias de até R$ 500 milhões. Entre os alvos que deixaram a prisão está Thiago Branco de Azevedo, o Ralado, apontado como principal operador do esquema. A decisão acontece cinco dias após a prisão dele.
De acordo com as investigações, Ralado criou uma rede de empresas de fachada em nome de desconhecidos que era usada pelo Comando Vermelho (CV) e por executivos da holding de investimentos Fictor, que também foram alvos da PF.
Ralado se entregou à polícia na última sexta-feira, em Piracicaba, interior de São Paulo, após ficar dois dias foragido. Na audiência de custódia, sua prisão havia sido mantida. A companheira do suspeito, Glaucia Juliana Iglesias, e o cunhado, Julio Ricardo Iglesias, também foram soltos nessa terça. A decisão é da juíza Maria Isabel do Prado.
Ao representar pela operação da semana passada, a equipe de investigação da PF citou trocas de mensagens entre o CEO da Fictor, Rafael Góis, e Ralado, em que eles estariam supostamente conversando sobre alavancagem de patrimônio por meio das empresas de fachada.
Segundo a PF, o operador usava as empresas em nome de laranjas e documentos falsos para obter empréstimos bancários fraudulentos. Para isso, cooptava gerentes bancários mediante o pagamento de propina.
Rafael Góis e o ex-sócio da Fictor Luiz Rubini tiveram o sigilo bancário quebrado pela Justiça Federal em São Paulo e foram alvo de bloqueio judicial de até R$ 47 milhões, a pedido da PF.
Ralado
A atividade criminosa de Ralado foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, interior de São Paulo.
De acordo com as investigações, ele usava documentos falsos para criar empresas de fachada em nome de desconhecidos e obter empréstimos bancários que nunca eram pagos. A rede de empresas era utilizada pelo Bando do Magrelo para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Meses depois, o MPSP apontou que o Comando Vermelho teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.
