Em festa, policial posa ao lado de operador de laranjas ligado ao CV
Valdir Carvalho, da Dise de Americana, aparece em festa com Thiago Ralado, apontado como dono de rede de laranjas usada por CV e Fictor
atualizado
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O influenciador Thiago Branco de Azevedo, o Ralado, apontado pela Polícia Federal (PF) como operador de uma rede de lavagem de dinheiro com pelo menos 100 empresas de fachada, fez postagens nas redes sociais ao lado de um investigador da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Americana, órgão da Polícia Civil responsável por combater o tráfico de drogas na região.
As publicações indicam que Valdir Carvalho da Silva Filho e Ralado eram amigos íntimos e viajaram juntos no período em que, segundo a PF, o influenciador já coordenava a teia de laranjas.
Com 286 mil seguidores no Instagram, Ralado ostenta uma vida de luxo na plataforma, com fotos ao lado de cantores sertanejos e em países da Europa. Na última quarta-feira (25/3), ele foi alvo da Operação Fallax, deflagrada pela PF por fraudes de até R$ 500 milhões contra o sistema financeiro. O influenciador segue foragido.
De acordo com as investigações, o influenciador utilizava as empresas de fachada para obter empréstimos bancários com documentos falsos. O esquema seria utilizado para alavancar o patrimônio da célula do Comando Vermelho (CV) no interior de São Paulo e da cúpula da holding de investimentos Fictor. O CEO do grupo, Rafael Góis, e o ex-sócio Luiz Rubini também foram alvo da PF.
Questionada pelo Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a relação do investigador Valdir Carvalho com Ralado é apurada por meio de um procedimento correcional.
A pasta não informou quando o caso teria começado a ser investigado. “A instituição reforça que não compactua com condutas incompatíveis com o exercício da função policial e que pune com rigor qualquer irregularidade confirmada, nos termos da legislação vigente.”
Após a publicação da reportagem, o advogado Murilo Medrado Novaes, que representa Valdir, procurou o Metrópoles e disse que a reportagem associa o policial “a organização criminosa e a atividades de lavagem de dinheiro com base exclusivamente em uma fotografia tirada em ambiente social, sem que exista qualquer procedimento investigatório, criminal ou administrativo instaurado em seu desfavor e sem que tenha sido observado o contraditório jornalístico”.
“Vamos fazer empréstimo”
Em uma transmissão ao vivo, que teria sido realizada no fim de 2020, Ralado conversa com seus seguidores no que parece ser uma festa, com som alto e bebidas. Valdir aparece de camiseta e sunga, sorrindo e fazendo um “joia” com a mão, enquanto segura um copo de drink.
Durante a live, o influenciador faz provocações ao amigo Pedro Moura, conhecido como Anão do Pânico, que acompanhava a transmissão.
“Pedrinho, ó aqui. ‘Mama’ o pai. Tá duro? Quebrou? Tá precisando de um qualquerzinho? Vamos fazer empréstimo. Aqui não é Crefisa, não”, afirma Ralado. “Tá duro, caraio? Eu queria ter uns amigos duros desse jeito.”
Assista:
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que Ralado mantinha sua rede de laranjas pelo menos desde 2019. O esquema funcionava a partir da criação de empresas de fachada em nome de desconhecidos e da utilização dos CNPJs para a obtenção de empréstimos e financiamentos que nunca eram pagos. A investigação aponta que, para isso, o influenciador cooptava agentes bancários por meio do pagamento de propina.
Ralado e CV
A atividade criminosa de Ralado foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, interior de São Paulo.
A rede de empresas de fachada era utilizada pelo Bando do Magrelo para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Meses depois, o MPSP apontou que o Comando Vermelho teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.
Fictor e Banco Master
Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor anunciou uma proposta de compra do Banco Master, um dia antes da primeira fase da Operação Compliance Zero e da decretação da liquidação da instituição financeira, por suspeita de oferecer títulos falsos.
Após o anúncio da oferta e a liquidação do Master, a Fictor diz que sofreu crise de confiança e de liquidez. Em comunicado, o grupo afirmou que sua reputação foi atingida “por especulações de mercado” e atribuiu o aperto financeiro ao aumento de notícias negativas após a decisão do BC.
Em 1º de fevereiro deste ano, a Fictor Holding e a Fictor Invest entraram com pedido de recuperação judicial. O grupo declarou dívida estimada entre R$ 4 bilhões e R$ 4,2 bilhões e pediu a suspensão de cobranças por 180 dias; as demais subsidiárias ficaram fora do pedido.








