Unifesp recruta jovens com depressão para pesquisa de novo tratamento
Adolescentes entre 12 e 19 anos com depressão e comportamento suicida podem participar do estudo sobre a eficácia da escetamina subcutânea
atualizado
Compartilhar notícia

O Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) está recrutando voluntários com depressão para participarem do estudo de um novo tratamento da doença em adolescentes. A pesquisa quer avaliar a eficácia e segurança da escetamina subcutânea.
Segundo os pesquisadores, 60% dos adolescentes não respondem ao tratamento de depressão, sendo que a doença atinge 8% deles. Ao Metrópoles, o psiquiatra da Infância e Adolescência Iury Magalhães, que também é Supervisor do Ambulatório de Desenvolvimento Integral de Crianças e Adolescentes da Unifesp, disse que tem sido verificado um aumento do diagnóstico nessa faixa etária e também dos comportamentos de risco.
“A gente precisa estudar novas relações que também nos ajudem a dar suporte a essa população”, falou.
Magalhães explicou que uso da escetamina já tem evidência na população adulta. Agora, a intenção é avaliar a resposta nos adolescentes.
“Lembrando que os adolescentes não são mini-adultos e têm as suas particularidades. O metabolismo é diferente e o que faz com que a medicação também tenha uma resposta diferente. E é por isso que a gente precisa estudar como eles vão reagir a essa medicação através de algumas escalas para analisar efeitos colaterais, bem como também os efeitos na redução de sintomas depressivos”, pontuou.
O pesquisador explicou que a escetamina é indicada para tratamentos de depressão resistente, ou seja, para aquelas pessoas que não responderam a dois antidepressivos prévios.
O medicamento é aplicado por meio de spray no nariz. O grupo da Unifesp vem estudando a aplicação pela via subcutânea – injeção sob a pele de forma superficial, geralmente no abdômen – com demonstrações da mesma eficácia.
“A via subcutânea é importante de ser estudada porque ela reduz o custo da operação e com isso consegue fornecer o tratamento para mais gente tornando ela, de certa forma, mais acessível”, disse.
O grupo da Unifesp publicou um artigo científico que reúne todos os estudos já feitos da medicação em adolescentes ao redor do mundo e resume as análises estatísticas. Magalhães conta que os pesquisadores apontaram que o efeito antidepressivo da medicação nessa população é evidente principalmente nas primeiras 24 horas. Agora, então, precisam de mais estudos para “dar essa robustez científica”.
Estudo de novo tratamento contra a depressão
Os interessados em participar do estudo devem ter entre 12 e 19 anos e diagnóstico de depressão e comportamento suicida. Os atendimentos serão realizados com a presença de algum familiar no Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (Caism), localizado na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
Como os adolescentes serão atendidos
- Interessados passam por triagem, que verifica critérios de inclusão (depressão e comportamentos suicidas).
- Selecionados serão acompanhados por psiquiatras da infância e adolescência.
- Também é prevista avaliação do contexto familiar por meio de psicóloga.
- Além disso, efeitos cognitivos serão analisados em avaliação neuropsicológica.
A intervenção com medicamento vai realizada duas vezes na semana por um mês – com oito aplicações, ao todo.
O tratamento é gratuito, com monitoramento intensivo e apoio às famílias.
