Já preso, “CEO do Jeep” é alvo da PF em operação contra MC Ryan
Foi a partir do armazenamento do iCloud de Rodrigo Morgado que a PF chegou na operação que prendeu MC Ryan nesta quarta-feira (15/4)
atualizado
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Rodrigo de Paula Morgado, conhecido como “CEO do Jeep” e apontado como contador do Primeiro Comando da Capital (PCC), é um dos 39 alvos de prisão temporária da Polícia Federal (PF) na operação desta quarta-feira (15/4). Ele já estava preso, após ser alvo de uma outra operação também da PF.
Morgado foi preso em outubro de 2025, durante a Operação Narco Bet, que identificou a participação do empresário em um esquema milionário de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico. Na ocasião, o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira, também foi preso.
Foi a partir do armazenamento em nuvem do iCloud de Morgado, acessado na época, que a PF colheu as informações necessárias para deflagrar a Operação Narco Fluxo, que prendeu o cantor MC Ryan e o dono da Choquei, Raphael Sousa, nesta quarta-feira (15/4). A ação investiga um grupo criminoso liderado pelo funkeiro, suspeito de lavar R$ 1,6 bilhão.
Segundo a PF, o empresário foi apontado como contador e operador-chave do grupo, articulando transferências bancárias e prestando auxílio direto aos também investigados Tiago de Oliveira e Alexandre de Paula Sousa santos no processo de “proteção patrimonial” do MC Ryan.
Ainda de acordo com o material da investigação, as mensagens encontradas no armazenamento do Morgado indicaram que o empresário teria viabilizado repasses em nome de terceiro e prestado serviços de gerenciamento financeiro para atender as demandas dos respectivos clientes, desde a ocultação de patrimônio até evasão fiscal.
O fato de Morgado aparecer como investigado em outras fases da operação desta quarta reforçou a convicção da PF de que o empresário atuava como intermediador de Ryan.
O Metrópoles procurou a defesa de Rodrigo Morgado e aguarda um posicionamento. O espaço está aberto.
Liderança de MC Ryan
A PF aponta o MC Ryan SP como líder do esquema de lavagem de dinheiro. Após a lavagem, os valores eram reinseridos na economia formal a partir da aquisição de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor.
A investigação ainda indica que Ryan pagava operadores de mídia para publicar conteúdos favoráveis a ele e promover suas plataformas de apostas. O objetivo seria mitigar eventuais crises de imagem relacionadas às investigações. O artista também teria transferido participações societárias para “laranjas”, inclusive familiares, para ocultar seu patrimônio.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.
- De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
- Entre os presos na operação desta quarta estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
- A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
- O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
- De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf“.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”. A defesa ainda alegou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.
Já os advogados de MC Poze divulgaram a seguinte nota: “A defesa de Marlon Brandon [nome de batismo de Poze] desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.
A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, não foi localizada.

















