Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Idosa resgatada de escravidão em SP: "Eu chorava o dia inteiro"

Idosa de 82 anos foi resgatada após 27 anos de trabalho análogo à escravidão para médica e empresário em Ribeirão Preto, no interior de SP

09/12/2022 09:31, atualizado 09/12/2022 15:42
Compartilhar notícia
Divulgação/ MPT
A vítima relatou que começou a trabalhar como empregada doméstica quando ainda era criança, na casa de outra família

São Paulo – A idosa de 82 anos que foi resgatada do trabalho análogo à escravidão afirma que “tinha dias que chorava o dia inteiro”. A vítima de exploração trabalhava na casa da médica Maria de Fátima Nogueira Paixão e do empresário Hamilton José Bernardo, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

“Tinha dia que eu chorava o dia inteiro de tristeza. Tristeza de trabalhar e ficar quieta. Não queria [estar lá]”, disse em entrevista à EPTV.

Agora, a mulher mora na casa do irmão, em Jardinópolis, e conta que sua vida está melhor. A idosa também recebe apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Idosa resgatada de escravidão em SP: “Eu chorava o dia inteiro” - destaque galeria
8 imagens
A mulher foi mantida trabalhando sem salário e sem folgas por 27 anos na casa de uma médica e um empresário
A idosa de 82 anos que foi resgatada de trabalho análogo à escravidão, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo
Quarto de idosa de 82 anos que foi mantida por décadas em trabalho análogo à escravidão por casal no interior de SP
A mulher foi mantida em trabalho análogo à escravidão por 27 anos
Ela trabalhava na casa de uma médica e um empresário
Médica Maria de Fátima Nogueira Paixão
1 de 8

Médica Maria de Fátima Nogueira Paixão

Reprodução
A mulher foi mantida trabalhando sem salário e sem folgas por 27 anos na casa de uma médica e um empresário
2 de 8

A mulher foi mantida trabalhando sem salário e sem folgas por 27 anos na casa de uma médica e um empresário

Divulgação/ MPT
A idosa de 82 anos que foi resgatada de trabalho análogo à escravidão, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo
3 de 8

A idosa de 82 anos que foi resgatada de trabalho análogo à escravidão, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo

Divulgação/ MPT
Quarto de idosa de 82 anos que foi mantida por décadas em trabalho análogo à escravidão por casal no interior de SP
4 de 8

Quarto de idosa de 82 anos que foi mantida por décadas em trabalho análogo à escravidão por casal no interior de SP

Divulgação/ MPT
A mulher foi mantida em trabalho análogo à escravidão por 27 anos
5 de 8

A mulher foi mantida em trabalho análogo à escravidão por 27 anos

Divulgação/ MPT
Ela trabalhava na casa de uma médica e um empresário
6 de 8

Ela trabalhava na casa de uma médica e um empresário

Divulgação/ MPT
Banheiro usado pela mulher de 82 anos
7 de 8

Banheiro usado pela mulher de 82 anos

Divulgação/ MPT
A mulher foi mantida trabalhando sem salário por 27 anos na residência do casal
8 de 8

A mulher foi mantida trabalhando sem salário por 27 anos na residência do casal

Divulgação/ MPT

“Agora estou feliz. Estou na casa do meu irmão. Aqui é uma paz, e lá não era. Aqui não tem ninguém que me amola, que me aborrece. É só nós dois”, relata.

“Foi errado”

Depois de ser resgatada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a vítima tem mais clareza sobre o que ocorreu durante os 27 anos em que trabalhou sem ter folgas nem receber remuneração e direitos.

“Ela [patroa] tinha condição de me dar um salário. Foi errado o que ela fez comigo. Para ela não trabalho mais, não”, afirma, em relação à médica. Maria de Fátima Nogueira Paixão recebe uma aposentadoria da prefeitura de Ribeirão Preto no valor de R$ 21 mil.

A acusada de promover trabalho análogo à escravidão inscreveu a idosa no Benefício Previdenciário Continuado (BCP), mas a vítima nem sequer tinha acesso ao seu cartão de saque, que ficava sob a responsabilidade da patroa.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters