Eleição 2026

Grupo de Tarcísio tentará conversa com Salles para evitar racha em SP

Pré-candidatura de Ricardo Salles (Novo) ao Senado preocupa nomes da chapa de Tarcísio na corrida, que enxergam divisão do eleitorado em SP

atualizado

metropoles.com

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Hugo Barreto/Metrópoles
Imagem colorida do Deputado federal Ricardo Salles, relator da CPi do MST - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida do Deputado federal Ricardo Salles, relator da CPi do MST - Metrópoles - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

O entorno do deputado federal Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado em São Paulo, e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) demonstra preocupação com a pré-candidatura do deputado federal Ricardo Salles (Novo) ao Senado.

O temor é de que a presença de Salles na disputa divida o eleitorado de direita e prejudique o desempenho de Derrite e do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, que deve ser oficializado como pré-candidato do PL ao Senado.

Caso se concretize a escolha, a dupla “oficial” de candidatos ao Senado da coligação de Tarcísio será André e Derrite. Salles, embora o partido Novo tenha oficializado apoio à reeleição de Tarcísio, não faz parte oficialmente da chapa e é tido como um candidato “outsider”.

Com isso, aliados afirmam que Tarcísio e seu grupo devem procurar Salles nas próximas semanas para buscar algum tipo de composição para convencê-lo a desistir da corrida, optando, por exemplo, por uma candidatura à reeleição na Câmara dos Deputados ou mesmo para a Alesp.

Derrite e Salles são próximos. Interlocutores do ex-secretário de Segurança Pública apostam que ele pode ajudar nessas tratativas. O ex-ministro do Meio Ambiente, no entanto, afirma que não desistirá da candidatura ao Senado.

Disputa na direita

Com duas vagas ao Senado em disputa por estado, o cálculo feito nos bastidores é de que, caso a esquerda confirme a formação de uma chapa “centrista” para a corrida à Casa — Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB) são as opções –, será difícil a direita levar as duas cadeiras.

Na última pesquisa Quaest, divulgada nessa quarta-feira (28/4), Derrite apareceu em terceiro lugar em dois cenários testados, com 8%, atrás de Simone (14%) e França (12%) – em outro cenário, com Marina Silva no lugar de França, a ex-ministra do Meio Ambiente também atinge 12%. Salles tem 6% e André, 5%.

O temor do entorno de André é de que ele seja fustigado especialmente por Salles, sob alegação de que não representaria as bandeiras mais caras à direita.

Aliados já têm feito comparações com a situação vivida pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) na campanha municipal em 2024, quando o então candidato à reeleição, mesmo oficialmente apoiado por Bolsonaro e o PL, perdeu votos do eleitorado bolsonarista para o influenciador Pablo Marçal.

“Valdemarzinho”

Nos últimos dias, Salles passou a centrar sua artilharia nas redes sociais contra André, acusando o presidente da Alesp de não apoiar bandeiras da direita e de ter feito aliança com o PT durante suas gestões à frente da Alesp.

Já em pré-campanha pelo interior do estado, Salles tem colado o apelido “Valdemarzinho” no presidente da Alesp na tentativa de vincular o adversário ao centrão e seus escândalos de corrupção.

Já André tem feitos acenos ao bolsonarismo. Na semana passada, o presidente da Alesp postou um vídeo nas redes sociais editado com várias cenas em que o “pupilo de Valdemar”, como é chamado por alguns do PL, aparece ao lado de Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.

A postagem foi feita logo após André ter ido, com Valdemar, aos Estados Unidos conversar com Eduardo Bolsonaro sobre a pré-candidatura. Já na última segunda-feira (27/4), esteve ao lado de Tarcísio e Flávio na Agrishow, em Ribeirão Preto, no interior paulista, a primeira agenda pública após a oficialização da pré-candidatura do governador e do senador carioca.

Quem bate o martelo

O aval de Eduardo é considerado fundamental pelo grupo, uma vez que o “filho 03” é tido como o “dono da vaga” pelo PL, já que um acordo previa que o ex-deputado seria o candidato do partido ao Senado. A candidatura, no entanto,  se tornou inviável após Eduardo passar a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido à sua atuação nos EUA.

André e seu entorno têm adotado cautela e discrição na articulação junto a Eduardo. O objetivo é evitar  que a pré-candidatura seja iniciada em crise com os bolsonaristas, sendo alvo de “fogo amigo” de quadros do PL que viam com mais simpatia nomes mais alinhados à agenda do grupo, como o deputado federal Mario Frias (PL) e o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL).

Para isso, a interlocutores, André afirma que deve fazer acenos ao bolsonarismo raiz, como lançar críticas ao STF. O deputado tem argumentado que vai seguir o tom adotado pelo próprio PL sobre o tema. A agenda anti-STF é o principal foco da direita para a campanha ao Senado nesta eleição. A ideia é conseguir, caso eleitos, uma maioria suficiente para ameaçar a abertura de processos de impeachment de ministros da Corte na próxima legislatura.

Ligado a Valdemar, André é considerado um político de centro e de perfil conciliador, tendo a simpatia inclusive de deputados do PT dentro da Alesp. No entanto, a palavra final caberá a Bolsonaro e a Eduardo, citados nesta quarta-feira (29/4) por Tarcísio como os nomes que baterão o martelo.

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