PL encaminha candidato ao Senado em SP e intensifica briga na direita
Bolsonaristas projetam briga entre candidatos da direita ao Senado em SP caso se confirme a candidatura de André do Prado pelo PL
atualizado
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Com o avanço da articulação para o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, ser o candidato do PL ao Senado em São Paulo, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já projetam um cenário de briga interna na disputa pelos votos do eleitorado de direita.
Isso porque, caso se confirme o atual cenário, o campo pode ser representadospor três candidatos com potencial de serem competitivos: além de Prado, que tem o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), os deputados federais Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo) são os outros nomes que se colocam como pré-candidatos do campo bolsonarsita.
Com duas vagas em disputa, o cálculo feito nos bastidores é que, caso a esquerda confirme a formação de uma chapa “centrista” para a corrida ao Senado — Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB) são as opções –, será difícil a direita fazer as duas cadeiras, sobrando apenas uma.
Neste cenário, nas últimas semanas, Tarcísio e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, intensificaram as articulações para viabilizar a candidatura de André do Prado, considerado de perfil mais moderado. Para isso, precisam convencer Eduardo Bolsonaro (PL), uma vez que o partido entende que caberá ao ex-deputado e ao pai a palavra final sobre quem será o representante da legenda na corrida.
Junto com Valdemar, seu padrinho político, o presidente da Alesp viajou aos Estados Unidos no último fim de semana e se encontrou com Eduardo para tratar do assunto. Foi a segunda vez que o trio se reuniu em solo americano em pouco mais de dois meses. A aliados, Prado relatou ter tido uma “ótima conversa” e estar otimista.
A ofensiva, no entanto, é feita com cautela e a ideia dos aliados de Prado é que o próprio Eduardo bata o martelo e torne pública a decisão. O objetivo é evitar começar a pré-campanha já em rota de colisão com Eduardo e seu grupo, que preferiam outros nomes considerados do “bolsonarismo raiz”, como os deputados Mario Frias e Marco Feliciano.
O vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo (PL), conta com a simpatia de Jair Bolsonaro, de quem é amigo pessoal, e chegou a ter o seu nome citado como o favorito para a vaga por membros da sigla, mas perdeu força nas últimas semanas.
O temor do entorno de André do Prado é que ele seja fustigado por Salles e Derrite, sob alegação de que não representa as bandeiras mais caras à direita. Aliados já têm feito comparações com a situação vivida pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) na campanha municipal em 2024, quando o então candidato à reeleição, mesmo oficialmente apoiado por Bolsonaro e o PL, perdeu votos do eleitorado bolsonarista para o influenciador Pablo Marçal.
A artilharia já está mirada contra André do Prado pelos concorrentes. Em pré-campanha ao Senado, Salles tem rodado o interior do estado e espalhado o apelido de “Valdemarzinho” ao presidente da Alesp na tentativa de vincular o adversário ao Centrão e a escândalos de corrupção e trazer para si os votos bolsonaristas.
Diante disso, Prado tem feitos acenos. Na tarde dessa quinta-feira (23/4), o presidente da Alesp postou um vídeo nas redes sociais editado com várias cenas em que o “pupilo de Valdemar”, como é chamado por alguns do PL, aparece ao lado de Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
“Tenho orgulho de estar ao lado de quem construiu e segue construindo um projeto sólido para o Brasil. Do eterno presidente Jair Bolsonaro, do governador Tarcísio de Freitas, do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, entre muitos outros nomes. Lideranças que representam valores, coragem e compromisso com o nosso País”, escreveu o deputado.
Em meio às negociações, aliados especulam que espaço o PL poderia oferecer a Eduardo e a seu grupo em troca da candidatura de André do Prado. Uma das saídas defendidas pela ala de Eduardo seria a possiblidade de ele ser o suplente do presidente da Alesp na disputa. No dia 15 de maio, deputados mais próximos a Eduardo devem fazer uma nova visita ao ex-deputado nos Estados Unidos.












