MPSP arquiva investigação sobre “cashback” de emenda a filiada ao PL

Promotor suspeita que tratativa não foi concluída e servidora teria “queimado a largada”. Inquérito foi arquivado por falta de materialidade

atualizado

metropoles.com

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Foto colorida de Amanda Servidoni, filiada ao PL
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) arquivou o inquérito aberto com base em reportagem do Metrópoles, que revelou áudios da servidora de Rio Claro (SP) Amanda Servidoni, em que ela supostamente cobra R$ 100 mil de “cashback” em uma emenda de R$ 300 mil.

Amanda é servidora afastada do município do interior paulista e presidente do projeto social “Mulheres pela Fé”, cuja madrinha é Valéria Bolsonaro (PL), deputada estadual e ex-secretária de Políticas para a Mulher da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O Metrópoles ainda teve acesso a áudios encaminhados por um homem – posteriormente identificado como irmão da ex-prefeita de Analândia Silvana Perin (Solidariedade), que foi cassada em setembro – destinados a Amanda. Nele, o interlocutor fala sobre ter dificuldades de encontrar agenda com “a prefeita” por causa de uma romaria.

O promotor Gustavo Luis de Oliveira Zampronho pediu todas as emendas de R$ 300 mil encaminhadas por deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Ele também solicitou todos os repasses de Valéria Bolsonaro, que se adiantou e entregou a planilha assim que a investigação foi aberta.

O promotor não encontrou nenhuma emenda de R$ 300 mil que correspondesse aos elementos citados nos áudios revelados pelo Metrópoles. Sem essas informações, novas diligências não foram requisitadas.

“Qualquer diligência de aprofundamento seria pura loteria”, escreveu Zampronho na promoção de arquivamento. “A investigação atingiu um ‘ponto cego’ intransponível. Requisitar medidas invasivas, como a quebra de sigilo bancário ou fiscal das representadas, com base apenas em uma gravação anônima de origem desconhecida e sem contexto, configuraria uma “pescaria de provas” (fishing expedition)”, concluiu.

A promotoria também investigou o imóvel em Rio Claro onde funciona a sede do movimento “Mulheres pela Fé” e o escritório político da deputada Valéria Bolsonaro e também não encontrou nenhum fluxo de dinheiro público no local. O imóvel é alugado pelo marido de Amanda, que é dono de uma gráfica.

“Queimado a largada”

Embora tenha promovido o arquivamento do caso por falta de materialidade, o promotor refutou a versão contada pela servidora afastada ao MPSP. Ela disse que, nos áudios, estava contando uma história que teria ocorrido com terceiros.

“O que nos parece é que a tratativa existiu, mas, por circunstâncias alheias à vontade de Amanda, a emenda pretendida, seja lá de qual parlamentar fosse, não foi destinada ao objetivo da conversa. Talvez ela tenha sido ansiosa e ‘queimado a largada’ nas negociações espúrias de um dinheiro que acabou não aparecendo”, afirmou o promotor.

No depoimento, Amanda também nega que seja assessora de Valéria Bolsonaro, embora tenha sido identificada assim em entrevistas para a mídia local.

Ida e volta ao PL

Após o escândalo, o diretório municipal do PL de Rio Claro pediu a desfiliação de Amanda do partido. Após a publicação do Metrópoles, outro áudio de Amanda ofendendo cachorros desabrigados circulou em grupos de WhatsApp em Rio Claro e a permanência da servidora afastada no partido foi considerada insustentável.

O ato do diretório municipal foi refugado pelas executivas Estadual e Nacional do PL e Amanda foi readmitida ao partido pelos dirigentes Tadeu Candelária e Valdemar Costa Neto.

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