Governo de SP é condenado por abordagem da PM à Caminhada SP Negra
Justiça condenou governo estadual a pagar R$ 750 mil por atitude discriminatória da PM contra grupo que realizava Caminhada São Paulo Negra

São Paulo — O governo estadual foi condenado a pagar R$ 750 mil por dano moral coletivo por uma abordagem realizada pela Polícia Militar (PM) contra um grupo de pessoas que realizava a Caminhada São Paulo Negra, em 2020, por bairros da região central da capital paulista. A decisão judicial aponta que houve “atitude discriminatória, com contornos nítidos de racismo institucional”.
A abordagem aconteceu em outubro de 2020. Durante três horas, policiais militares seguiram os participantes da caminhada, que realizavam visita turística a locais dos bairros do Bexiga e da Liberdade para resgate da memória da população negra na cidade. De forma geral, os passeios começam na Praça da Liberdade e terminam no Largo Paissandu, passando por cerca de dez pontos relevantes na região.

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Ver todasDe acordo com a Defensoria Pública, 14 pessoas participavam da atividade. O grupo foi acompanhado pela PM, que alegou a proibição de aglomeração durante a pandemia de Covid e possível tumulto à ordem. Segundo os integrantes, a discriminação ficou evidente quando os participantes passaram por aglomerações maiores ao longo da caminhada, sem a intervenção da polícia em relação a essas outras pessoas.
A decisão do juiz Fausto Dalmaschio Ferreira, da 11ª Vara de Fazenda, veio após ação coletiva ajuizada pela Defensoria Pública. O valor será revertido para um fundo em favor da população negra, por meio de projetos culturais e turísticos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPSegundo Ferreira, “a conduta do Estado representou atitude discriminatória, com contornos nítidos de racismo institucional, em desfavor de um grupo de turismo particular que se propunha, ostensivamente, a expor a história e cultura negra e sua tentativa de apagamento no centro de São Paulo”.
Coordenador-auxiliar do Núcleo Especializado de Defesa da Diversidade e da Igualdade Racial, o defensor público Danilo Martins Ortega diz que há provas suficientes de “atuação seletiva e injustificada da Polícia Militar”.
“A implementação de ensino da história e da cultura afro-brasileira nos currículos dos cursos de formação e capacitação dos policiais militares, as discussões, diálogos e iniciativas antirracistas são de suma importância no combate ao racismo estrutural e institucional”, afirmou.
O que diz o governo estadual
Questionada nesta terça-feira (23/4), a Procuradoria-Geral do Estado informa que ainda não foi intimada da referida decisão.



