Fintechs alvo de nova Carbono Oculto giraram R$ 26 bilhões em 4 anos
Segundo a Receita Federal, seis novas fintechs funcionavam como bancos paralelos do PCC na lavagem de dinheiro do crime organizado
atualizado
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Seis novas fintechs investigadas na segunda fase da Operação Carbono Oculto operavam como “bancos paralelos” do Primeiro Comando da Capital (PCC) e movimentaram mais de R$ 26 bilhões em quatro anos, apontou a Receita Federal. Elas são alvo de uma operação, que ocorre na manhã desta quinta-feira (28/5), e que cumpre 59 mandados de busca e apreensão contra a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
Segundo a Receita Federal, as seis fintechs movimentaram esses valores entre 2022 e 2025. As startups eram usadas pelo crime organizado para a prática de sonegação fiscal, blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro, principalmente com as “contas-bolsão”, que centralizavam e, posteriormente, dispersavam os recursos ilícitos, dificultando o rastreamentos das operações e a identificação dos beneficiários finais das transações.
As investigações apontaram que as seis empresas compunham um poderoso núcleo financeiro e eram utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis e entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, além de pagamentos de colaboradores e de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores.
Quem são os alvos da operação
- Ceopag Instituição de Pagamento, Ceopar, Fundopay S.A. e XBR Participações
- America Payment S.A
- Sispay Instituição de Pagamento, Vpay Instituição de Pagamento e May Servex Negócios Imobiliários
- Smart Solutions Instituição de Pagamento e Smart Safe Locação e Processamento de Dados
- YAW Instituição de Pagamento S.A
- Ello Gestora de Recursos Ltda
Ainda de acordo com a Receita, as operações começaram a levantar suspeitas a partir de pagamentos realizados em espécie, procedimento considerado estranho à natureza de uma instituição de pagamento. As operações mantinham contas abertas em outras instituições bancárias, o que gerava uma dupla camada de ocultação. Estima-se que, entre 2022 e 2024, uma única instituição investigada recebe depósitos de mais de R$ 1 bilhão em espécie.
Até 2025, as instituições de pagamento não estavam obrigadas a apresentar a e-Financeira, declaração que as instituições financeiras devem enviar periodicamente à Receita Federal. Sem a obrigatoriedade do documento, os órgãos de controle e de fiscalização não tinham acesso à identificação da movimentação dos clientes das instituições de pagamento. Após o implemento dessa obrigação, ocorrido na sequência da Operação Carbono Oculto, mais de 450 instituições adicionais começaram a apresentar a declaração.
Das seis fintechs alvos da operação desta quinta, três entregaram a declaração informando a movimentação de cerca de R$ 8 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025. As outras três também serão autuadas pela não entrega do documento.
Também já foram identificadas pelas autoridades, uma série de transações de pelo menos R$ 365 milhões em criptoativos das instituições de pagamento investigadas com empresas suspeitas de lavagem de dinheiro para organizações criminosas no âmbito de outras operações.
Carbono Oculto
Deflagrada em agosto do ano passado, a Operação Carbono Oculto revelou o avanço do crime organizado no ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamentos e de investimento.
O objetivo da nova operação é avançar no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro e na adulteração de combustível com uso de nafta (solvente).
Em outra frente, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustível. Apuração conjunta com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) revelou uma estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas fantasma.
Uso de laranjas
A denúncia descreve estrutura criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos estados do país. Os denunciados utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo.
Nesse núcleo, estariam sendo utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização.
Com essa fase da operação, as instituições dão mais um passo aprofundado na atuação integrada e na compreensão do ecossistema criminoso que alimentam as organizações criminosas, especialmente nos mecanismos de lavagem de capitais, que garantem o poderio econômico que as mantém em atividade e fomentam o seu crescimento.
São cumpridos 59 mandados de busca e apreensão. Além do MPSP e da ANP, participam a Receita Federal, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado e as polícias Civil e Militar.
O Metrópoles entrou em contato com as empresas citadas e aguarda retorno. O espaço está aberto para atualizações.





