Pai da filha da PM Gisele presta depoimento à Polícia Civil
O ex-marido deve comentar sobre a relação com a ex-esposa e a personalidade da vítima. PM foi encontrada morta em 18 de fevereiro
atualizado
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O ex-marido da policial militar (PM) Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento em que morava, está prestando depoimento à Polícia Civil, na tarde desta sexta-feira (13/3), na sede do 8° Distrito Policial (Belenzinho), na região central de São Paulo.
Há expectativa de que o homem comente sobre a relação com a ex-esposa e também sobre a personalidade da vítima. O depoimento faz parte da investigação sobre a morte suspeita da PM no dia 18 de fevereiro.
Um dia antes de a mulher ser encontrada morta, o ex-marido havia buscado a filha do casal no apartamento de Gisele. Agora, em sua apresentação à polícia, o homem também deve afirmar que a ex-mulher nunca havia tido a intenção de se matar enquanto estiveram juntos.
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, então marido da vítima, é investigado por perseguir, intimidar e ameaçar a esposa morta. Depoimentos de amigos e familiares denunciam que o relacionamento do casal era conturbado e a polícia apura se o homem tem responsabilidade pela morte de Gisele.
Relembre o caso
- Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça, disparado pela arma do companheiro, no dia 18 de fevereiro.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, no entanto, após depoimentos de familiares e inconsistências nos relatos do marido, a ocorrência foi alterada para morte suspeita.
- Em declaração inicial dada à polícia, o coronel alegou ter pedido o divórcio, o que teria causado uma reação negativa da esposa, que teria, então, atentado contra a própria vida. Os fatos teriam ocorrido, segundo declaração do oficial, quando ele estava no banho.
- O coronel disse ter acionado o resgate do helicóptero Águia, da PM, e a presença da corporação no endereço, além de ter entrado em contato com um amigo desembargador, para comparecer ao local.
- Após o ocorrido, o oficial da PM disse que foi levado ao Hospital das Clínicas (HC) para atendimento psicológico com duas profissionais.
- O militar, contudo, ainda retornou para casa, onde tomou um banho e trocou de roupa, o que gerou estranhamento na investigação.
- Duas semanas após a morte da companheira, Geraldo Neto pediu afastamento de suas atividades na Polícia Militar.
Fragilidades na versão do coronel
A versão apresentada pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto sobre a morte da esposa foi confrontada por uma série de elementos reunidos no inquérito policial, obtido pela reportagem.
Desde o início, o coronel alega que a mulher teria cometido suicídio. No entanto, detalhes reunidos ao longo da investigação passaram a enfraquecer essa versão.
A defesa do oficial, por meio de nota, afirmou que o cliente não é investigado, suspeito, ou indiciado “no procedimento formal em curso”, o qual classificou como “trágico suicídio”.
Quem era a PM esposa de coronel encontrada morta
A agente, que recentemente havia conseguido uma promoção para o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), deixou uma filha e era apontada como uma amiga presente.
Gisele trabalhava desde os 17 anos, idade em que obteve um emprego como caixa em um supermercado, na zona leste. A policial foi criada e sempre morou na região do Jardim Romano, antes de se mudar com o marido para o centro da capital paulista.
Em entrevista ao Metrópoles, uma amiga da vítima contou que a policial sempre quis ter o próprio dinheiro e decidiu entrar para a corporação. A colega definiu Gisele como “centrada e determinada”.
Antes de morrer, a mulher estava feliz em poder ganhar mais e ter melhor qualidade de vida. Segundo pessoas próximas, ela “fazia o possível e o impossível” para cuidar da filha.














