Estupro coletivo: dois menores são irmãos e entrega foi negociada
Os dois adolescentes foram levados à polícia pelos próprios pais, na última quinta. Último suspeito pelo estupro foi capturado nessa segunda
atualizado
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Dois dos adolescentes suspeitos de terem se envolvido no estupro coletivo contra duas crianças, de 7 e 10 anos, na zona leste de São Paulo, são irmãos, segundo informações da Polícia Civil. Eles foram levados à polícia pelos próprios pais, na última quinta-feira (30/4), após negociações entre os agentes e a família.
A informação foi confirmada pelo delegado Júlio César Geraldo, do 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), responsável pela investigação, em entrevista ao Metrópoles.
“Os dois outros irmãos se entregaram porque os policiais acabaram explicando à família a conveniência de que eles parassem de fugir e nós conseguimos realizar a apreensão dos adolescentes dessa forma”, afirmou o delegado.
Além dos dois adolescentes, apreendidos desde a última quinta-feira, também já foram capturados pela polícia os três outros envolvidos no crime:
- um menor de idade foi detido em Jundiaí, no interior de São Paulo;
- outro adolescente foi encaminhado à delegacia nesta segunda-feira (4/5), junto da mãe;
- o único maior de idade envolvido, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi preso na Bahia e aguarda transferência para São Paulo.
Ainda sobre o papel desempenhado pelos menores de idade no crime, Júlio César afirmou que a responsabilização deles será limitada de acordo com o que está estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e que inicialmente os jovens foram encaminhados à Fundação Casa.
Menores dizem que ato começou como “brincadeira”
Ao Metrópoles, o delegado Júlio César Geraldo também afirmou que, segundo os depoimentos apresentados até o momento pelos menores apreendidos, o estupro coletivo das duas crianças teria começado como uma “brincadeira”.
“Os adolescentes, todos eles falaram e confirmaram o ocorrido dizendo que foi uma brincadeira que foi para o lado errado“, afirmou o delegado.
“Óbvio, isso é inaceitável, uma brincadeira com toques de sadismo não é minimamente aceitável como desculpa. Mas todos eles narram que a brincadeira, como eles disseram, tomou um rumo errado. A impressão que dá é que eles acham que escalou, mas a polícia não aceita essa situação, uma vez que nós entendemos a gravidade de um crime que, por ser praticado por maior, é um crime hediondo“, completou Júlio César.
O delegado também reforçou que ainda não há uma posição de Alessandro Martins dos Santos, o único maior de idade envolvido no crime, sobre o episódio. A previsão é que o suspeito chegue a São Paulo entre segunda e terça-feira (5/5), quando estará disponível para ser ouvido pela polícia.
Próximos passos da investigação
Após a detenção dos cinco envolvidos no estupro coletivo das duas crianças, a polícia agora busca identificar quem foram as pessoas que compartilharam as imagens dos abusos nas redes sociais.
Segundo a investigação, o adulto preso pelo crime filmou o estupro e enviou para conhecidos pelo aplicativo de mensagem WhatsApp. A partir desse envio, as gravações foram divulgadas nas redes sociais. As autoridades afirmaram que aqueles que compartilharam os vídeos também podem ser indiciados e pediu que as pessoas que estão divulgando os vídeos, mesmo que na boa intenção de expor a revolta sobre o crime, parem de expor as crianças.
“A publicação de material dessa natureza é criminal e nós vamos olhar isso com atenção”, afirmou o delegado Júlio César Geraldo, em entrevista ao Metrópoles.
“Até aproveito esse espaço para pedir às pessoas que deixem [de compartilhar]. […] Não há porque nós promovermos a exposição dessas crianças e isso é, sim, objeto da nossa preocupação e do nosso cuidado”.
Entenda o caso
- Duas crianças, de 7 e 10 anos, foram atraídas por quatro adolescentes e um adulto a um imóvel da região, após serem convidadas para soltar pipa, no dia 21 de abril.
- Ao chegarem no local, as duas foram abusadas sexualmente.
- O adulto, identificado como Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, tomou a iniciativa de gravar os abusos com o próprio celular e, posteriormente, pediu para um adolescente seguir com a filmagem.
- Essa gravação foi enviada pelo próprio Alessandro a um grupo de conversas no WhatsApp e, depois, caiu nas redes sociais.
- A partir da divulgação na internet, a irmã de uma das vítimas identificou a criança e registrou um boletim de ocorrência, no dia 24 de abril.
