Estupro coletivo: menores dizem que ato começou como “brincadeira”
Polícia Civil apreendeu o quinto e último suspeito de participar do estupro coletivo nesta segunda-feira, e agora coleta depoimentos
atualizado
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O estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, na zona leste de São Paulo, teria começado como uma “brincadeira”, segundo depoimentos dos próprios menores envolvidos.
Nesta segunda-feira (4/5), a Polícia Civil apreendeu o quinto e último suspeito do crime, ocorrido no dia 21 de abril, em São Paulo. Agora, os agentes avançam a uma nova etapa da investigação, incluindo a coleta de depoimentos dos envolvidos — quatro adolescentes e um maior de idade —, conforme explicado pelo delegado Júlio César Geraldo, do 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), responsável pela investigação, em entrevista ao Metrópoles.
“Os adolescentes, todos eles falaram e confirmaram o ocorrido dizendo que foi uma brincadeira que foi para o lado errado“, afirmou o delegado.
“Óbvio, isso é inaceitável, uma brincadeira com toques de sadismo não é minimamente aceitável como desculpa. Mas todos eles narram que a brincadeira, como eles disseram, tomou um rumo errado. A impressão que dá é que eles acham que escalou, mas a polícia não aceita essa situação, uma vez que nós entendemos a gravidade de um crime que, por ser praticado por maior, é um crime hediondo“, completou Júlio César.
O delegado também reforçou que ainda não há uma posição de Alessandro Martins dos Santos, o único maior de idade envolvido no crime, sobre o episódio. O homem, que tem 21 anos, foi preso na Bahia e aguarda a realização de trâmites burocráticos para ser trazido a São Paulo e prestar depoimento à polícia, o que deve acontecer na terça-feira (5/5).
Ainda sobre o papel desempenhado pelos menores de idade no crime, Júlio César afirmou que a responsabilização deles será limitada de acordo com o que está estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e que inicialmente os jovens foram encaminhados à Fundação Casa.
Último adolescente se entregou
O último adolescente foragido, suspeito de participar do estupro coletivo das crianças, foi encaminhado à delegacia na manhã segunda-feira, junto com a mãe. Com a apreensão desta manhã, todos os cincos envolvidos estão sob custódia das autoridades.
A rendição do menor de idade foi negociada com a família dele. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele foi localizado no bairro Ermelino Matarazzo, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão realizado entre a madrugada e a manhã desta segunda (4/4).
Dois dos adolescentes apreendidos já tinham sido levados pelos pais, na última quinta-feira (30/4), à delegacia. Outro menor de idade foi apreendido em Jundiaí, interior de São Paulo.
Próximos passos da investigação
Após a detenção dos cinco envolvidos no estupro coletivo das duas crianças, a polícia agora busca identificar quem foram as pessoas que compartilharam as imagens dos abusos nas redes sociais.
Segundo a investigação, o adulto preso pelo crime filmou o estupro e enviou para conhecidos pelo aplicativo de mensagem WhatsApp. A partir desse envio, as gravações foram divulgadas nas redes sociais. As autoridades afirmaram que aqueles que compartilharam os vídeos também podem ser indiciados e pediu que as pessoas que estão divulgando os vídeos, mesmo que na boa intenção de expor a revolta sobre o crime, parem de expor as crianças.
“A publicação de material dessa natureza é criminal e nós vamos olhar isso com atenção”, afirmou o delegado Júlio César Geraldo, em entrevista ao Metrópoles.
“Até aproveito este espaço para pedir às pessoas que deixem [de compartilhar]. […] Não há porque nós promovermos a exposição dessas crianças, e isso é, sim, objeto da nossa preocupação e do nosso cuidado.”
Entenda o caso
- Duas crianças, de 10 e 7 anos, foram atraídas por quatro adolescentes e um adulto a um imóvel da região, após serem convidadas para soltar pipa, no dia 21 de abril.
- Ao chegarem ao local, as duas foram abusadas sexualmente.
- O adulto, identificado como Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, tomou a iniciativa de gravar os abusos com o próprio celular e, posteriormente, pediu para um adolescente seguir com a filmagem.
- Essa gravação foi enviada pelo próprio Alessandro a um grupo de conversas no WhatsApp e, depois, caiu nas redes sociais.
- A partir da divulgação na internet, a irmã de uma das vítimas identificou a criança e registrou um boletim de ocorrência, no dia 24 de abril.
