“Não consegui ver vídeo todo”, diz secretário sobre estupro de meninos
Secretário da Segurança Pública de SP definiu as imagens do estupro coletivo contra as crianças como “terrível e inesquecível”
atualizado
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O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, revelou não ter conseguido assistir até o fim o vídeo do estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, por conta da brutalidade do crime, ocorrido no dia 21 de abril, no bairro União de Vila Nova, na zona leste da capital.
Em uma coletiva de imprensa nesse domingo (3/5), o secretário, que tem 45 anos de experiência profissional na polícia, definiu a cena do crime como “terrível e inesquecível” e disse que o vídeo vai ficar na memória “durante muito tempo”.
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O Metrópoles teve acesso às imagens e optou por não divulgá-las devido ao nível de crueldade contra as crianças. Nelas, é possível ver o grupo de abusadores debochando do desespero das vítimas. Em outro momento, uma das crianças é agredida com tapas na cabeça.
Entenda o caso
Duas crianças, de 10 e sete anos, foram atraídas por quatro adolescentes e um adulto a um imóvel da região, após serem convidadas para soltar pipa, no dia 21 de abril. Ao chegarem no local, as duas foram abusadas sexualmente.
O adulto, identificado como Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, tomou a iniciativa de gravar os abusos com o próprio celular e, posteriormente, pediu para um adolescente seguir com a filmagem. Essa gravação foi enviada pelo próprio Alessandro a um grupo de conversas no WhatsApp e, depois, caiu nas redes sociais.
A partir da divulgação na internet, a irmã de uma das vítimas identificou a criança e registrou um boletim de ocorrência, no dia 24 de abril.
Prisões e negociação com o foragido
- Até o momento, três adolescentes e um adulto – Alessandro Martins dos Santos – foram identificados e detidos pelo crime. Um menor de idade segue foragido.
- Segundo o secretário da Segurança Pública Osvaldo Nico Gonçalves, equipes da polícia estão negociando com a família desse adolescente foragido para que ele se entregue. A delegada Janaina Dziadowczyk também afirmou que acredita que o investigado vai se entregar após a negociação com as autoridades. “A melhor coisa a fazer neste momento.”
- Dos três menores apreendidos, dois foram levados pelos pais, nessa quinta-feira (30/4), à sede do 63° Distrito Policial (DP), Vila Jacuí, responsável pela investigação. Outro adolescente foi apreendido em Jundiaí, interior de São Paulo.
- O único maior de idade envolvido no estupro coletivo foi preso na Bahia. De acordo com a investigação do caso, ele deve ser levado para São Paulo nesta segunda-feira (4/5).
- De acordo com a polícia, todos os envolvidos detidos confessaram o crime.
Próximos passos da investigação
Além de negociar a apreensão do quarto menor suspeito de envolvimento no estupro, a polícia também busca identificar quem foram as pessoas que compartilharam as imagens dos abusos nas redes sociais.
Segundo a investigação, o adulto preso pelo crime filmou o estupro e enviou para conhecidos pelo aplicativo de mensagem WhatsApp. A partir desse envio, as gravações foram divulgadas nas redes sociais. As autoridades afirmaram que aqueles que compartilharam os vídeos também podem ser indiciados e pediu que as pessoas que estão divulgando os vídeos, mesmo que na boa intenção de expor a revolta sobre o crime, parem de expor as crianças.
Além disso, a equipe policial investiga a possibilidade de moradores da comunidade onde as crianças vivem terem feito ameaças, evitando que a família registrasse boletim de ocorrência. Segundo os delegados do caso, algumas pessoas queriam que o assunto fosse “resolvido” dentro do próprio bairro, sem envolvimento da polícia.
