Tsunami ou marolinha? Estrategistas avaliam impacto de áudio de Flávio
Marqueteiros avaliam que áudio em que Flávio chama Vorcaro de “meu irmão” não é suficiente para Lula ficar confortável na disputa eleitoral
atualizado
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Estrategistas políticos avaliam que o áudio vazado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em meio ao escândalo do extinto Banco Master, não foi suficiente para desgastar a pré-campanha do candidato bolsonarista e assegurar uma disputa tranquila para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na tentativa de reeleição à Presidência.
Ministros, parlamentares, empresários e marqueteiros se reuniram no último fim de semana no Fórum Esfera, que ocorreu em Guarujá, no litoral paulista. As mensagens trocadas entre Flávio e Bolsonaro foram tema nos painéis e nas rodinhas de conversa nos corredores.
A avaliação é de que o escândalo ocorreu muito cedo na corrida presidencial, o que daria tempo para Flávio se recuperar na disputa contra o petista. Além disso, a diferença entre os dois candidatos, mostrada nas pesquisas de intenção de voto após a divulgação das conversas do senador do PL e de Vorcaro, não foi tão grande. Marqueteiros dizem que os eleitores ainda não estão concentrados na disputa eleitoral.
“O que acontece é que a gente está muito longe da eleição, ainda tem a Copa do Mundo. As pessoas estão mais preocupadas em saber se o Neymar vai jogar ou não vai […] como vão ser as festas juninas no Nordeste. Então, tem uma série de fatos que ainda estão chamando atenção do brasilieiro”, afirmou o marqueteiro Lula Guimarães.
O estrategista — que já participou das campanhas presidenciais de Eduardo Campos e Marina Silva em 2014, de João Doria em 2016 e, mais recentemente, de Guilherme Boulos para a prefeitura paulistana —, acredita que o áudio não será um “fato decisivo”, mas fará parte de um conjunto de escândalos que vão desgastar a imagem de Flávio.
“Essa mancha na biografia do Flávio Bolsonaro, provavelmente assim como outros escândalos que ele tem, vão perdurar e permanecer até eleição e representará um ponto de desgaste, com certeza”, concluiu Guimarães.
Mesmo que Lula tenha conseguido abrir uma vantagem contra Flávio – antes do áudio os candidatos apareciam empatados dentro da margem de erro das pesquisas –, outros candidatos da direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), não tiveram um desempenho que evidencie uma alternativa para o eleitorado conservador.
O anitpetismo ainda é mais proeminente para a parcela de eleitores de direita, que poderiam abandonar Flávio, do que uma eventual corrupção envolvendo os milhões de reais do Banco Master enviados para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, também preso atualmente.
No entanto, caso novas crises da reputação de Flávio surjam, em um momento mais próximo da eleição, a candidatura do filho do ex-presidente pode ficar mais comprometida, segundo especialistas.
Lula abre vantagem
A pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (22/5), mostrou Lula com quatro pontos de vantagem em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro. Antes disso, o instituto AtlasIntel havia mostrado o petista sete pontos à frente, em levantamento divulgado na terça-feira (19/5).
A vantagem é considerada pequena para quem acompanha de perto a pré-campanha. Aliados de Lula dizem que o cenário seria um pouco mais confortável se essas pesquisas mostrassem uma diferença na casa de 10 pontos.
Estrategistas políticos analisam que, diante da falta de outros candidatos com condições de vencer Lula nas eleições, é provável que muitos eleitores de Flávio não compactuem com a relação próxima que o pré-candidato do PL demonstrou ter com Vorcaro no áudio vazado.
No entanto, a suspeita de relação espúria não seria suficiente para uma mudança radical de voto no segundo turno. Há uma previsão, entre consultores políticos, de que o “voto envergonhado” em Flávio ainda vá surtir efeito na disputa contra o petista.
Flávio contra-ataca
Flávio Bolsonaro já partiu para o contra-ataque, dizem marqueteiros. O primeiro movimento foi questionar a pesquisa AtlasIntel, que após medir a intenção de voto dos eleitores, exibiu o áudio de Flávio com Vorcaro para tentar medir o impacto na percepção dos eleitores sobre o pré-candidato.
“Foi uma coleta complementar à pesquisa principal. Portanto, não houve nenhum tipo de contágio sobre o questionário, sobre os resultados que a gente vem vendo”, avaliou o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, em painel no Fórum Esfera, evento que reuniu políticos e empresários no último fim de semana no litoral paulista.
“Quando você tem uma polarização política muito forte e opiniões muito cristalizadas, há uma resistência clara de aceitar um fato negativo”, completou.
Depois de questionar a pesquisa, o passo seguinte do entorno de Flávio foi pedir publicamente pela instauração de uma CPI do Master, na tentativa de mostrar que o pré-candidato não teria nada a esconder. O pedido, no entanto, é posterior ao acordo já feito, lá atrás, entre o senador David Alcolumbre (União-AP) e a oposição para enterrar a CPI. Ademais, Flávio assinou somente dois dos cinco pedidos para a instalação de comissões de inquérito do Master que tramitam no Congresso Nacional.
A partir de agora, o candidato deve tentar mostrar relações questionáveis do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com personagens controversos, como o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
