Tarcísio pode substituir Flávio na corrida presidencial? Entenda regra
Em meio à crise na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), o nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltou a circular
atualizado
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Em meio à crise na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) devido à relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltou a circular como alternativa da direita na corrida presencial. No entanto, o atual governador de São Paulo não pode entrar como substituto nas eleições deste ano ao Planalto.
Tarcísio está legalmente impedido de assumir a candidatura à Presidência da República por não ter deixado a gestão estadual dentro do período de desincompatibilização para concorrer a outro cargo eletivo. O prazo é previsto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“O afastamento deveria se dar no prazo de até seis meses antes da eleição. Como não aconteceu, o governador só poderá concorrer à reeleição ao mesmo cargo”, diz o advogado Guilherme Barcelos, especialista em direito eleitoral.
Segundo o calendário eleitoral, o dia 4 de abril foi o limite para o registro, no TSE, dos estatutos de partidos políticos e de federações que poderão participar do pleito, assim como a data final para formalizar o domicílio eleitoral.
Em 2026, o primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro. Cada eleitor deverá votar para seis postos. Além de presidente, as opções a serem preenchidas são: deputado federal, deputado estadual, senador (1ª opção), senador (2ª opção) e governador.
Pesquisas eleitorais
A revelação da conexão entre Flávio e o dono do Banco Master, que teria transferido ao menos R$ 61 milhões para um fundo associado à família Bolsonaro nos Estados Unidos, supostamente para financiar o filme Dark Horse, caiu como uma bomba na campanha presidencial do “filho 01” do ex-presidente da República. O acordo entre o pré-candidato e Vorcaro previa repasse de até R$ 134 milhões.
O escândalo tem contribuído para a queda na preferência do eleitorado pelo senador, segundo as pesquisas mais recentes. O levantamento do Datafolha divulgado nessa sexta-feira (22/5) mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 43% das intenções de voto no 2º turno das eleições 2026. Segundo o instituto, o petista abriu quatro pontos de vantagem contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No levantamento anterior, realizado entre 12 e 14 de maio, o petista e o senador apareciam empatados, com 45% no segundo turno.
A AtlasIntel/Bloomberg também mostrou na terça-feira (19/5) crescimento da vantagem do presidente Lula (PT) sobre Flávio, com queda de cinco pontos percentuais do pré-candidato do PL no primeiro turno e de seis pontos em eventual segundo turno: 41,8% contra 48,9%. Na pesquisa anterior, em abril, os dois estavam tecnicamente empatados: Flávio tinha 47,8%, enquanto Lula somava 47,5%.
Metodologia questionada
Após a divulgação da pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg, Flávio acionou o TSE contra o estudo. Em nota, o PL alegou que a “ação questiona a metodologia adotada e sustenta que o questionário teria sido estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”.
No levantamento, 95,6% dos entrevistados afirmaram ter ficado sabendo do vazamento e 65,2% disseram que as informações não os surpreenderam. Para 45,1%, a repercussão enfraqueceu muito a candidatura de Flávio.
Por outro lado, o recente levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado nessa quinta (21/5), demonstrou que a crise na pré-campanha de Flávio não contaminou a candidatura à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O estudo traz Tarcísio 13,8 pontos percentuais à frente do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) — 47,3% contra 33,5% —, um cenário de estabilidade na comparação com os levantamentos anteriores e que projeta uma vitória do atual governador ainda no primeiro turno. Os outros dois candidatos, Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), não atingiram nem 5% cada.
Em abril, a vantagem de Tarcísio sobre Haddad era de 14,7 pontos. A oscilação registrada agora ficou dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2,5 pontos para mais ou para menos.
