Eleição 2026

Pesquisas eleitorais podem induzir a resposta do entrevistado? Entenda

Pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) acionou o TSE após cair em pesquisa que indicou vantagem de Lula

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte Metrópoles
Montagem com fotos de Lula e Flavio Bolsonaro - Metr[opoles
1 de 1 Montagem com fotos de Lula e Flavio Bolsonaro - Metr[opoles - Foto: Arte Metrópoles

Após a divulgação do áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, pesquisas eleitorais apontaram uma queda do pré-candidato do PL à Presidência da República nas simulações de voto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — até então os levantamentos mostravam um empate técnico entre os dois.

Em meio a crise, Flávio e seus aliados questionaram o resultado da pesquisa feita pela AtlasIntel, que apontou uma queda de cinco pontos percentuais para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno e de seis pontos em eventual segundo turno contra o Lula. Para o partido PL, a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre Flávio e Vorcaro “contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados”.

O Metrópoles procurou especialistas em pesquisas eleitorais e campanhas políticas para saber o questionário apresentado aos eleitores nas sondagens pode induzir as respostas. Em um contexto geral, eles afirmam que os levantamentos podem realmente influenciar os entrevistados, a depender da forma como a pergunta é construída. Contudo, no caso da Atlas, a análise é de que, em princípio, não há indícios de irregularidade.

“A intenção de voto veio antes do bloco sobre o episódio envolvendo Daniel Vorcaro. Então, o eleitor já tinha declarado seu voto antes de entrar naquele assunto. Eles foram corretos, portanto não teve contaminação”, avalia o estrategista Wilson Pedroso.

Segundo ele, para ter um problema real na pesquisa, “precisa existir uma distorção metodológica clara”. Pedroso explica que o debate normalmente fica muito mais técnico do que político dentro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável por validar os levantamentos realizados pelos institutos.

Nessa sexta (22/5), o Datafolha divulgou uma nova pesquisa de intenções de voto para a Presidência da República que também mostrou queda de Flávio Bolsonaro após a revelação do caso Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro que recebeu patrocínio milionário do Banco Master. De acordo com o instituto, Lula abriu quatro pontos percentuais de vantagem sobre o senador carioca.

Formato pode induzir o entrevistado?

A interferência na resposta do entrevistado pode ocorrer por meio de diversos elementos estruturais e metodológicos. De acordo com especialistas, os temas apresentados são cruciais para o resultado.

Segundo Wilson Pedroso, sócio da Real Time Big Data, a pesquisa é muito sensível ao ambiente da pergunta. Se você coloca um tema emocional antes da intenção de voto, aquilo pode mexer com a resposta seguinte. Isso vale tanto para política quanto para consumo”, diz.

Para o consultor político, que trabalhou nas campanhas tucanas de João Doria, Bruno Covas e Rodrigo Garcia, o formato on-line de apresentação do questionário aplicado aos entrevistados tem peso considerável.

“No on-line, o layout também pesa. Questionário longo demais faz o entrevistado responder no automático. Pergunta no fim recebe menos atenção do que pergunta no começo. Em celular, isso fica ainda mais forte, porque a leitura é mais rápida e superficial”, acrescenta.

Além disso, um questionário muito longo pode cansar o eleitor, independentemente do formato escolhido, seja presencial, por telefone ou on-line. Conforme Fernando Ivo Antunes, sócio do Instituto de Pesquisa Política (Inpep), todo a construção dessa relação interativa influencia. “A busca dos institutos é pela menor taxa possível de interferência”, afirma.

“O modo como se constrói o questionário ou como o pesquisador interage com o eleitor pode, sim, induzir o entrevistado. A boa pesquisa busca compreender o sentimento do eleitor com as informações postas no cotidiano e não ajudar o eleitor com algum input para então obter a resposta da pesquisa. Por isso, é fundamental a imprensa conhecer o método utilizado e o questionário completo”, alerta.

Antunes observa que um método mal feito pode causar danos à própria democracia. “Acredito que o eleitor tenha o direito de saber como está a intenção de voto, rejeição e outros dados que uma boa pesquisa pode ofertar, mas se isso não está dentro de um método sério, o prejuízo pode ser danoso para a democracia.”


Quali x Quanti

As pesquisas eleitorais funcionam como ferramentas técnicas para captar o sentimento do eleitorado. Dividem-se em diferentes tipos, métodos de coleta e estruturas de questionário. Existem duas abordagens principais que se complementam:

  • Quantitativa: é a mais comum, focada em medir dados numéricos, como intenção de voto, índices de rejeição e nível de conhecimento dos candidatos.
  • Qualitativa: busca entender as motivações subjetivas por trás dos números, investigando o que leva o eleitor a escolher determinado candidato ou como ele percebe temas específico.

Há um dilema econômico, segundo Wilson Pedroso, na escolha do método. A pesquisa presencial ainda consegue alcançar melhor quem é menos conectado, principalmente no interior e nas faixas de renda mais baixas. A telefônica ganhou velocidade, mas sofre muito com gente que não atende ligação desconhecida. Já a on-line cresceu muito porque entrega resultado rápido e com custo menor”, diz.

Já Fernando Antunes ressalta que o comportamento do entrevistado é distinto frente às duas técnicas: “Não há um método errado e outro certo. São estilos diferentes e isso influencia no comportamento do eleitor, pois ele se comporta diferente quando está frente a frente com um pesquisador e quando está apenas com o celular na mão respondendo algo.”

O TSE exige registro completo da pesquisa, metodologia, amostra, questionário e contratante. “Quando aparece uma acusação de indução, o tribunal olha principalmente a ordem das perguntas, a linguagem usada e se houve algum direcionamento explícito”, diz Pedroso.

Em sua avaliação, olhar apenas o número é um erro. “O mais importante é entender contexto, momento da coleta, perfil da amostra e estrutura do questionário”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações