Estelionatário usa nome do Metrópoles para aplicar golpes em São Paulo
Leonardo Monteiro Messeguer Pereira se identifica às vítimas como “diretor de conteúdo”, mas não tem ligação real com o portal de notícias
atualizado
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Alvo de processos na Justiça por danos materiais e morais, um estelionatário passou a usar o nome do Metrópoles para aplicar golpes. Leonardo Monteiro Messeguer Pereira, de 29 anos, apresenta-se como “diretor de conteúdo” deste portal de notícias, apesar de não ter qualquer ligação real com a empresa.
Segundo vítimas ouvidas pela reportagem, além do WhatsApp pessoal, Leonardo cria contas fraudulentas de homens e mulheres, como se fossem pessoas que integram a equipe dele. Na execução do método, o golpista exibe, inclusive, um crachá falso com a logomarca do veículo de comunicação.
Para as fraudes, Leonardo se apropria de informações reais do Metrópoles, como prints de páginas no Instagram com alto número de seguidores e até mídia kit, com dados verdadeiros da ampla audiência do site. Tudo isso para tentar passar confiança e enganar as vítimas.
Golpe do camarote
Segundo os proprietários de um camarote no estádio MorumBIS, na zona sul de São Paulo, o golpista utilizou credenciais falsas do Metrópoles para solicitar acessos gratuitos e negociar a compra de ingressos para grandes eventos, como o show do artista The Weeknd, em 31 abril e 1º de maio deste ano.
Leonardo teria feito diversas promessas, que evoluíram de uma permuta para uma negociação comercial no total de R$ 50 mil. Inicialmente, ele pediu acesso para dois jogos de futebol em troca de registrar a experiência e produzir uma suposta matéria para o portal.
O suspeito afirmou ainda que levaria famosos e atletas de peso para o camarote. No entanto, após os donos do espaço recusarem cortesias para o espetáculo musical, ele assegurou que havia conseguido uma empresa patrocinadora, chamada LM Gestão, para custear as entradas.
Em contrapartida, o suspeito garantiu que os famosos fariam uma divulgação completa do camarote, inclusive antes do evento, nas redes sociais. Para dar veracidade ao porte da ocasião, ele dizia que cuidaria de toda a logística dos convidados, inclusive com a contratação de fotógrafos e seguranças.
Durante a negociação, o indivíduo envolveu personalidades populares sob falsas promessas, com o objetivo de obter visibilidade. Entre os contatos feitos pelo estelionatário, estão atletas, como jogadores de futebol e skatista, além de influenciadores digitais e MCs.
Simultaneamente, o golpista procurava celebridades fingindo ser um representante do Metrópoles para oferecer acessos ao camarote. Em troca dos ingressos, os famosos deveriam gravar vídeos confirmando a presença e realizar postagens nas redes sociais em relação do show.
Um dos influencers envolvidos foi o humorista Gui Santana. A equipe do comediante confirmou o golpe. Enganados pela proposta, alguns famosos chegaram a fazer vídeos e postagens marcando o perfil do camarote no Instagram.
Leonardo realizou até uma visita técnica ao camarote. Contudo, a farsa foi descoberta no momento da emissão das notas fiscais, quando os empresários notaram inconsistências nos dados de Leonardo, que não usava, por exemplo, um endereço eletrônico oficial do Metrópoles.
O golpista tentou adiar o pagamento das notas fiscais para depois dos shows, o que aumentou as suspeitas às vésperas do evento. Apesar de terem cancelado as notas fiscais a tempo, os proprietários do camarote relatam um prejuízo financeiro devido à compra antecipada de 30 entradas que não foram pagas pelo estelionatário.
Em conversas obtidas pela reportagem, Leonardo promete matérias no portal para pessoas famosas. Contraditoriamente, o golpista afirma em um dos diálogos que “falar em nome” do Metrópoles é “algo sério”.
Ao descobrir a fraude, um dos proprietários do camarote entrou em contato com as celebridades envolvidas para alertá-las. Na tentativa de evitar danos à imagem do estabelecimento, já que algumas pessoas públicas haviam postado o @ do camarote, os donos decidiram inclusive honrar alguns dos convites, cedendo ingressos por conta própria para que os convidados não fossem também prejudicados.
“Sextortion”
Leonardo também é acusado de cometer “sextortion”, crime que configura uma modalidade de chantagem em que o agressor utiliza fotos, vídeos ou outros conteúdos íntimos para constranger, chantagear ou obter vantagens financeiras ou sexuais.
Uma das vítimas ouvidas pelo Metrópoles contou que o suspeito chegou a obter imagens dela de cunho erótico e passou a chantageá-la. A mulher também registrou boletim de ocorrência.
Método similar em denúncias anteriores
Na Justiça, Leonardo responde a processos por danos materiais e danos morais. Além disso, de acordo com boletins de ocorrência obtidos pelo Metrópoles, há mais de cinco registros em São Paulo contra ele por crimes de estelionato e ameaça.
A Polícia Civil investiga fraudes aplicadas por meio de redes sociais, incluindo a falsa venda de eletrônicos para jogadores de futebol e a falta de pagamento por serviços prestados. Em um dos casos, por exemplo o autor teria utilizado comprovantes de depósitos falsos para enganar as vítimas.
Segundo relatos, Leonardo utilizava páginas de lojas virtuais para propor aparelhos com preços atrativos. Ele oferecia produtos como “presentes” em troca de divulgação da loja on-line no perfil da pessoa pública. Ao conseguir a exposição, ele conquistava mais vítimas.
O que diz Leonardo
Procurado pelo Metrópoles via ligação, Leonardo Monteiro Messeguer Pereira não atendeu às chamadas. Em seguida, por mensagens, o suspeito solicitou contato da reportagem por e-mail para “confirmar” a veracidade da equipe. “Hoje em dia qualquer pessoa pode falar o que quiser sobre a outra, inventar, montar conversas”, alegou. “Nunca tive vínculo com a empresa mencionada”, acrescentou.
Por e-mail, Leonardo disse que nunca recebeu dinheiro na autoridade dessa empresa. “Em nenhum momento da minha vida obtive alguma vantagem financeira usando o nome do Metrópoles. Termino dizendo que meu advogado está à disposição de todos que quiserem algum tipo de explicação, assim como eu, e caso alguma pessoa mostre algum comprovante em meu nome ou de qualquer pessoa ligada a mim, de que eu seja beneficiado por usar o nome de uma empresa na qual não trabalho, eu afirmo que sou culpado. Caso contrário, fico ‘a disposição para maiores esclarecimentos em qualquer esfera”, afirmou, em nota.








