Deputada do PSol diz que processo no Conselho de Ética é “retaliação”

Conselho de Ética da Alesp abriu o processo contra a deputada Monica Seixas (PSol) após uma discussão com a secretária Sonaira Fernandes

atualizado

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Rodrigo Romeo/Alesp
Fotografia colorida mostra a deputada Monica Seixas, do PSol, uma mulher negra de canelos cacheados na altura do ombro, vestindo blazer e calça rosa e uma camisa azul, e discursando no plenário da Alesp - Metrópoles
1 de 1 Fotografia colorida mostra a deputada Monica Seixas, do PSol, uma mulher negra de canelos cacheados na altura do ombro, vestindo blazer e calça rosa e uma camisa azul, e discursando no plenário da Alesp - Metrópoles - Foto: Rodrigo Romeo/Alesp

São Paulo – Alvo de um processo no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa (Alesp) por discutir com a secretária de Políticas para a Mulher, Sonaira Fernandes, a deputada estadual Monica Seixas (PSol) se diz vítima de retaliação por sua oposição ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) na Casa.

Nesta terça-feira (24/10), o conselho abriu um processo por quebra de decoro parlamentar contra Monica por citar a pouca verba destinada à pasta de Sonaira e chamar a secretária, que é bolsonarista e se diz antifeminista, de token – termo utilizado no movimento negro para se referir à falsa inclusão racial (veja no vídeo abaixo).

“A minha tentativa de ofensa foi ao governador. Quem é que usa a Sonaira como escudo e não permite que ela tenha políticas afirmativas para mulheres e homens negros e negras? O governador. Então, a Sonaira não tem absolutamente nada com o que se ofender pela fala”, afirma a deputada ao Metrópoles.

Monica também afirma que o processo é, na verdade, uma retaliação à oposição que ela faz tanto ao projeto de privatização da Sabesp quanto à proposta para transferir recursos da Educação para a Saúde, projetos enviados pelo governo Tarcísio à Alesp na semana passada.

“Nesses dias estou sendo ameaçada de todas as formas possíveis de perder o mandato, mas o pior processo contra mim ainda está por vir: eu fiz uma atividade em solidariedade à Palestina e diversos parlamentares estão dizendo que vão cassar o meu mandato por apoio ao Hamas”, diz.

“Retaliação” contra processo da Justiça Eleitoral

Além disso, a deputada também afirma que muitos colegas estão incomodados com o fato de a Justiça Eleitoral estar convocando os parlamentares para depor em ação que investiga o ex-deputado Wellington Moura (Republicanos) de violência política contra Monica.

No ano passado, Moura – então vice-presidente da Alesp – virou réu no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) por dizer, no plenário, que colocaria um “cabresto na boca” da deputada do PSol.

“Quando a Justiça Eleitoral começa a convocar os deputados aqui da Casa para depor, ressuscitando esse caso, estrategicamente o Conselho de Ética também aprova uma punição contra mim”, afirma a deputada.

Segundo Monica, o processo no conselho é um “recado” da base governista caso ela continue a “obstruir ou exercer o direito ao contraditório” na Assembleia.

“Ainda temos uma longa etapa pela frente para que eu possa me defender. Mas é um recado porque o processo do Wellington voltou e é um recado porque estou incomodando na obstrução da Sabesp e no corte do orçamento da Educação”, diz.

Votaram a favor da abertura do processo contra Monica os deputados Carlos Cezar (PL), Delegado Olim (PP), Marta Costa (PSD), Altair Moraes (Republicanos), Eduardo Nóbrega (Podemos), Alex de Madureira (PL), que é o corregedor da Casa, e Barros Munhoz (PSDB), presidente do Conselho de Ética. Todos integram a base governista na Alesp.

O único voto contrário foi o da deputada Ediane Maria, colega de partido de Monica Seixas. O processo pode resultar num pedido de censura pelo uso da palavra token.

“Sim, eu sou uma pessoa negra que discute racismo e não poderia mais falar token na Assembleia”, lamenta a parlamentar.

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