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São Paulo

Dark Horse: produtora cita cláusula de sigilo ao não revelar contratos

Go Up, responsável por filme sobre história de Jair Bolsonaro, diz que contratos com atores e fornecedores têm acordo de confidencialidade

21/06/2026 03:00
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Lara Abreu / Arte Metrópoles
Produtora de Dark Horse

A produtora de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), citou cláusulas de confidencialidade nos contratos com atores e fornecedores ao justificar por que os documentos não foram apresentados à Polícia Civil de São Paulo.

Como revelado pelo Metrópoles, a Go Up Entertainment, responsável pelo filme, entregou uma perícia privada indicando que o custo total teria sido R$ 75 milhões, considerando R$ 54 milhões gastos nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil. O documento, no entanto, não detalhou as despesas.

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Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Jim Caviezel irá interpretar Jair Bolsonaro no filme Dark Horse
Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Dark Horse
Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Jim Caviezel irá interpretar Jair Bolsonaro no filme Dark Horse
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Jim Caviezel irá interpretar Jair Bolsonaro no filme Dark Horse

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Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Jim Caviezel como Jair Bolsonaro
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Jim Caviezel como Jair Bolsonaro

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Os documentos foram juntados aos autos de um inquérito em que a dona da Go Up, Karina Ferreira da Gama, é investigada pela suspeita de desviar dinheiro da Prefeitura de São Paulo para a produção de Dark Horse.

A suspeita é que o esquema envolva a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que tem a produtora como representante, e foi contratada por R$ 108 milhões pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para instalar pontos de Wi-fi na periferia da capital. Tanto a produtora quanto a prefeitura negam qualquer irregularidade no contrato.

Questionada pela reportagem, a Go Up informou, sem dar detalhes, que alguns dos maiores gastos do filme foram com atores norte-americanos, o que teria elevado as despesas fora do Brasil. No entanto, os contratos teriam sido firmados com o chamado “non-disclosure agreement” (NDA).

Segundo a produtora, o dispositivo, que pode ser traduzido como “cláusula de não divulgação”, previa processos milionários na Justiça dos Estados Unidos caso alguma das partes revelasse detalhes sobre os valores a serem pagos e as especificações do trabalho.

A principal estrela do elenco de Dark Horse é o ator Jim Caviezel, que atuou em filmes como Paixão de Cristo e Som da Liberdade. No novo longa, ele interpreta Jair Bolsonaro. Segundo apurado pelo Metrópoles, seu contrato com a produtora prevê o pagamento de alguns milhões de dólares.

Na perícia privada apresentada no inquérito, os gastos são citados de forma genérica, sem especificar o que ocorreu em cada etapa da produção:

  • Desenvolvimento do projeto, nos Estados Unidos – US$ 383 mil;
  • “Soft-production” – US$ 2,6 milhões;
  • Pré-produção, nos Estados Unidos – US$ 2,6 milhões;
  • Produção e filmagem nos Estados Unidos – US$ 1,9 milhão;
  • Produção e filmagem no Brasil – US$ 3,7 milhões; e
  • Pós-produção, nos Estados Unidos – US$ 1,9 milhão.

Segundo a perícia, até o dia 10 de junho, o fundo Havengate Development LP, usado para a captação de recursos, havia enviado os US$ 13,3 milhões (R$ 75 milhões) para o filme. A maior parte dos R$ 20,9 milhões usados no Brasil – cerca de R$ 18,4 milhões – foi transferida via Pix.

Eduardo nos EUA

Após a revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, enviou dinheiro para a produção do filme Dark Horse por meio do fundo Havengate Development, a Polícia Federal (PF) passou a investigar se os recursos foram utilizados para financiar a estada do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho 03 do ex-presidente, nos Estados Unidos.

O fundo tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, do advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo. O ex-deputado, que vive nos EUA desde fevereiro de 2025, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo por ter atuado para interferir no julgamento em que seu pai foi sentenciado por tentativa de golpe de Estado.

Flávio, o “irmãozão”

Na declaração de gastos, consta que o orçamento inicial aprovado para Dark Horse era de US$ 16 milhões (R$ 89,7 milhões). O valor é R$ 44,8 milhões menor do que a quantia que teria sido negociada (R$ 134 milhões) pelo senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) com Vorcaro, em 2025, conforme revelado pelo site The Intercept Brasil.

A reportagem cita diálogos do ex-banqueiro com seu cunhado, Fabiano Zettel, e com o empresário Thiago Miranda, em que eles discutem possíveis fluxos de pagamento para a produção do filme. Um deles previa o pagamento de 12 parcelas de US$ 1,6 milhão e duas de US$ 2 milhões, totalizando US$ 24 milhões (R$ 134 milhões).

Em 16 de novembro, Flávio enviou um áudio a Vorcaro dizendo que estava muito preocupado com parcelas atrasadas do patrocínio do Master ao filme. A conversa ocorreu um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraude bilionária provocada pelo banco de Vorcaro no mercado financeiro.

“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”, disse o senador no áudio a Vorcaro. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, completou.

Na sequência, o banqueiro responde: “Fala, irmãozão! [to] na igreja terminando te chamo”.

Flávio Bolsonaro reconheceu a veracidade do áudio divulgado, mas disse que os pagamentos feitos por Vorcaro foram legais, porque não envolveriam contrapartida. O valor efetivamente pago ao filme pelo ex-banqueiro, por meio da empresa Entrepay, foi de US$ 10,6 milhões, o equivalente a R$ 61 milhões.

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