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São Paulo

Controladoria de SP apura se ONG de Dark Horse cedeu dados de wi-fi

Controlador-geral de SP enviou ofício cobrando informações sobre cumprimento da Lei de Proteção de Dados por ONG em contrato de wi-fi

Artur Rodrigues13/06/2026 02:15, atualizado 12/06/2026 20:52
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Fabio Arantes/ Secom
Imagem colorida de placa do programa Wi-Fi Livre em SP. Metrópoles

A Controladoria Geral do Município (CGM) apura se a ONG da produtora do filme Dark Horse cometeu alguma violação na política de dados em um contrato de instalação de pontos wi-fi na cidade de São Paulo.

Um ofício obtido pelo Metrópoles mostra que o controlador-geral de São Paulo, Daniel Falcão, questiona se o Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, Karina Ferreira da Gama, cumpriu as regras de proteção de dados pessoais no contrato do programa Wi-Fi Livre SP, que instalou 3.200 pontos de acesso gratuito à internet na cidade.

O documento é de 3 de junho, um dia depois de o site jornalístico The Intecept Brasil divulgar que a ONG cedeu dados de usuários do Wi-Fi Livre em SP para disparos em massa.

No documento, o controlador-geral exigiu que tanto a ONG quanto a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) apresentem, em até dez dias, uma série de documentos que comprovem a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Entre as informações solicitadas pelo controlador estão:

  • registros de todas as operações de tratamento de dados realizadas no contrato,
  • um relatório de impacto à privacidade,
  • a lista de eventuais terceiros que tiveram acesso aos dados dos usuários,
  • detalhes sobre as medidas de segurança adotadas, como controles de acesso, logs de identificação e horário dos usuários conectados, bem como planos de resposta a incidentes.

O controlador também quer saber se os pontos de wi-fi estão em uma rede separada da rede interna da prefeitura, o que é considerado uma medida básica de segurança.

Críticas da oposição

A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL) protocolou uma representação junto à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para que sejam investigadas possíveis violações de uso dos dados pessoais do programa da Prefeitura de São Paulo.

O documento pede abertura de procedimento de fiscalização para apurar a eventual coleta, compartilhamento e utilização irregular de dados pessoais, especialmente números de telefone celular fornecidos por usuários para acesso à rede pública de internet.

“Se confirmadas, as denúncias apontam para uma violação muito séria do direito à privacidade e à proteção de dados pessoais. Pessoas que acessaram um serviço público podem ter tido suas informações utilizadas para finalidades completamente diferentes daquelas que justificaram a coleta desses dados. Isso é algo que precisa ser rigorosamente investigado”, afirma Sâmia.

ICB investigado

Karina é investigada por suposto desvio de dinheiro público a partir desse contrato com a Prefeitura de São Paulo, também alvo agora da Controladoria Geral do Município.

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Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU
Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Operação da Polícia Civil de SP
Dark Horse
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Dark Horse

Reprodução
Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU
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Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU

Karina Ferreira da Gama / Instagram
Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Operação da Polícia Civil de SP
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Operação da Polícia Civil de SP

Divulgação/Governo de SP
Polícia investiga desvio em programa Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo
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Polícia investiga desvio em programa Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo

Fabio Arantes/ Secom

A suspeita de desvio de recursos públicos para abastecer a obra, bem como de uma série de falhas e indícios de conduta ilegal na contratação do instituto, levaram a Polícia Civil a cumprir, na segunda-feira (1º/6), sete mandados de busca e apreensão relacionados a supostas fraudes, incluindo a sede da Go Up, endereços ligados a Karina e a SMIT, em São Paulo.

A Polícia Civil destacou que o instituto não tem qualquer experiência ou capacidade técnica no setor de comunicação. O histórico da empresa é limitado à operação de feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa.

A investigação também aponta que o Termo de Colaboração foi assinado com valores discrepantes em relação aos praticados pelo mercado. O instituto cobrou pagamento mensal de R$ 1.800 por ponto de internet instalado, valor 3,3 vezes maior do que o cobrado pela empresa pública municipal de tecnologia, a Prodam.

Vistorias e análises preliminares indicaram “descumprimento drástico” das metas acordadas. O cronograma inicial previa a entrega de 5 mil pontos de wi-fi até junho de 2025, mas apenas 3,2 mil foram instalados. Além disso, a Prefeitura de São Paulo antecipou pagamentos no valor de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação, incluindo repasses superiores a R$ 11 milhões relativos aos 3.200 pontos, embora somente seis deles estivessem funcionando no período.

Em relação ao filme sobre Jair Bolsonaro, a Polícia Civil aponta possível financiamento cruzado ilícito, já que a produtora do longa é controlada por Karina. Segundo a investigação, há suspeitas de que os recursos públicos da Prefeitura de São Paulo recebidos pelo instituto tenham sido ilegalmente desviados para financiar a obra.

O que diz o ICB

O ICB afirmou que cumpriu integralmente o mandado judicial expedido pelas autoridades, afirmando ter colaborado de forma “transparente, respeitosa e imediata” com os procedimentos realizados. Segundo a entidade, desde o início colocou-se à disposição para fornecer documentos, informações e esclarecimentos necessários à apuração dos fatos.

Em nota, o instituto disse ainda que contratou perícia e auditoria especializadas para dar suporte técnico e jurídico às investigações e que está colaborando com os órgãos responsáveis.

A organização declarou confiar que os procedimentos em curso irão demonstrar a “regularidade das ações desenvolvidas”, a “correta aplicação dos recursos” e a “inexistência de desvio de finalidade” nos projetos executados.

Também afirmou que seguirá à disposição da Justiça e dos órgãos de controle, defendendo que a análise técnica e documental contribuirá para o “completo esclarecimento dos fatos”, com observância do devido processo legal, da transparência e do compromisso com a verdade.

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