Conpresp aprova projeto de academia na Serraria do Ibirapuera
Conpresp aprovou nesta segunda-feira (8/6) projeto da concessionária Urbia que pretende transformar antiga Serraria em área comercial
atualizado
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O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio da Capital (Conpresp) aprovou, nesta segunda-feira (8/6), o projeto da Urbia que pretende transformar a área da antiga Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, em uma área comercial com restaurantes, lojas e até academia. Atualmente, o local serve para práticas públicas de exercícios, como ioga e tai chi chuan, .
Em entrevista ao Metrópoles, o conselheiro do Ibirapuera William Callegaro criticou a decisão e afirmou que vai recorrer administrativamente. Callegaro disse ter apoio dos moradores das regiões do entorno do parque e, caso o recurso administrativo não seja atendido, eles pretendem recorrer judicialmente também.
A área da Serraria, próxima ao portão 7, vem sofrendo várias transformações desde que o Ibirapuera foi concedido à Urbia. Entre as mudanças está a construção da Casa Ultravioleta — do Nubank — e do restaurante Jardim Churrascada.
Mesmo aprovada no Conpresp, a decisão ainda será encaminhada à Secretaria do Verde e Meio Ambiente — no caso de um aval definitivo, o projeto começará a ser colocado em prática.
Callegaro afirmou que a Urbia fez pressão dentro dos órgãos públicos para que a proposta fosse aprovada. O Conselho Gestor não teria sido informado, o que não permitiu a mobilização prévia. Além disso, o conselheiro disse que a concessionária adiantou todas as documentações necessárias para evitar o veto por parte da secretaria.
Como é o projeto para a Serraria
Segundo o projeto, cinco vãos do espaço coberto permaneceriam destinados “à livre fruição”. Entretanto, sete vãos seriam ocupados com atividades comerciais, sanitários, escadas e elevador, um para circulação e outro para o espelho d’água.
A maior transformação ocorreria na parte superior da Serraria, com a criação de uma laje. Por definição, o mezzanino não pode ultrapassar um terço da edificação, mas a Urbia apresentou o projeto com ocupação de 89% do total, caracterizando um pavimento como qualquer outro, segundo análise da área técnica do DPH.
A Urbia afirmou à Prefeitura de São Paulo que o projeto foi “revisado e aprimorado”, com base em aprovações anteriores, “incorporando todos os ajustes possíveis” para torná-lo viável.
“As intervenções garantem a fruição pública, respeitam a configuração histórica da Praça Burle Marx e mantêm coerência com os elementos existentes no Parque Ibirapuera. Dessa forma, as observações dos órgãos foram atendidas, tornando o projeto consistente e qualificado para aprovação”, diz aUrbia no documento apresentado à administração municipal.
Reação: “não respeita a permeabilidade, ambiência e a arquitetura do lugar”
- Nas redes sociais, o vereador Nabil Bonduki (PT) disse que o projeto da Urbia “não respeita a permeabilidade, ambiência e a arquitetura do lugar”. “A intervenção descaracteriza a construção, remanescente do período da industrialização de São Paulo, com uma laje intermediária de concreto e fechamento de vidro, não respeitando a recomendação do IPHAN, e do próprio Plano de Intervenção da concessão”, afirmou.
- A vereadora Renata Falzoni (PSB) chegou a solicitar à Secretaria da Cultura e Economia Criativa celeridade no processo de tombamento da Serraria e da Praça Burle Marx. Em entrevista ao Metrópoles, a vereadora criticou o projeto da Urbia. “A gente sabe o que acontece no Ibirapuera. É um comércio elitizado”, disse.
- A parlamentar ressaltou que o espaço atualmente é usado para atividades calmas, de contemplação, o oposto do que se pretende com o projeto. “É para isso que esse espaço foi criado. Imagina o impacto de muitos carros chegando para um consumo que a gente sabe que vai ser bem no estilo dos shoppings centers”, afirma.
O que diz a Urbia
Em resposta ao Metrópoles em outra reportagem sobre a Serraria, a Urbia afirmou que “tem orgulho de apresentar o projeto de requalificação da antiga Serraria, dando continuidade ao projeto do restauro da Praça Burle Marx, no Parque Ibirapuera”.
“Trata-se de uma proposta cuidadosamente desenvolvida para valorizar o patrimônio histórico, qualificar o uso público e devolver protagonismo a uma área hoje subutilizada do parque”, afirmou.









