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São Paulo

Conpresp aprova projeto de academia na Serraria do Ibirapuera

Conpresp aprovou nesta segunda-feira (8/6) projeto da concessionária Urbia que pretende transformar antiga Serraria em área comercial

08/06/2026 18:01, atualizado 09/06/2026 12:05
William Cardoso/Metrópoles
Imagem mostra área da Serraria, no Parque Ibirapuera - Metrópoles

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio da Capital (Conpresp) aprovou, nesta segunda-feira (8/6), o projeto da Urbia que pretende transformar a área da antiga Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, em uma área comercial com restaurantes, lojas e até academia. Atualmente, o local serve para práticas públicas de exercícios, como ioga e tai chi chuan.

Em entrevista ao Metrópoles, o conselheiro do Ibirapuera William Callegaro criticou a decisão e afirmou que vai recorrer administrativamente. Callegaro disse ter apoio dos moradores das regiões do entorno do parque e, caso o recurso administrativo não seja atendido, eles pretendem recorrer judicialmente também.

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Professor Marco Hanada, na área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
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Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

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Professor Marco Hanada, na área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
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Professor Marco Hanada, na área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

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Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

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Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

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Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
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Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles

A área da Serraria, próxima ao portão 7, vem sofrendo várias transformações desde que o Ibirapuera foi concedido à Urbia. Entre as mudanças está a construção da Casa Ultravioleta — do Nubank — e do restaurante Jardim Churrascada.

Mesmo aprovada no Conpresp, a decisão ainda será encaminhada à Secretaria do Verde e Meio Ambiente — no caso de um aval definitivo, o projeto começará a ser colocado em prática.

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Callegaro afirmou que a Urbia fez pressão dentro dos órgãos públicos para que a proposta fosse aprovada. O Conselho Gestor não teria sido informado, o que não permitiu a mobilização prévia. Além disso, o conselheiro disse que a concessionária adiantou todas as documentações necessárias para evitar o veto por parte da secretaria.


Como é o projeto para a Serraria

Segundo o projeto, cinco vãos do espaço coberto permaneceriam destinados “à livre fruição”. Entretanto, sete vãos seriam ocupados com atividades comerciais, sanitários, escadas e elevador, um para circulação e outro para o espelho d’água.

A maior transformação ocorreria na parte superior da Serraria, com a criação de uma laje. Por definição, o mezzanino não pode ultrapassar um terço da edificação, mas a Urbia apresentou o projeto com ocupação de 89% do total, caracterizando um pavimento como qualquer outro, segundo análise da área técnica do DPH.

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A Urbia afirmou à Prefeitura de São Paulo que o projeto foi “revisado e aprimorado”, com base em aprovações anteriores, “incorporando todos os ajustes possíveis” para torná-lo viável.

“As intervenções garantem a fruição pública, respeitam a configuração histórica da Praça Burle Marx e mantêm coerência com os elementos existentes no Parque Ibirapuera. Dessa forma, as observações dos órgãos foram atendidas, tornando o projeto consistente e qualificado para aprovação”, diz aUrbia no documento apresentado à administração municipal.


Reação: “não respeita a permeabilidade, ambiência e a arquitetura do lugar”

  • Nas redes sociais, o vereador Nabil Bonduki (PT) disse que o projeto da Urbia “não respeita a permeabilidade, ambiência e a arquitetura do lugar”. “A intervenção descaracteriza a construção, remanescente do período da industrialização de São Paulo, com uma laje intermediária de concreto e fechamento de vidro, não respeitando a recomendação do IPHAN, e do próprio Plano de Intervenção da concessão”, afirmou.
  • A vereadora Renata Falzoni (PSB) chegou a solicitar à Secretaria da Cultura e Economia Criativa celeridade no processo de tombamento da Serraria e da Praça Burle Marx. Em entrevista ao Metrópoles, a vereadora criticou o projeto da Urbia. “A gente sabe o que acontece no Ibirapuera. É um comércio elitizado”, disse.
  • A parlamentar ressaltou que o espaço atualmente é usado para atividades calmas, de contemplação, o oposto do que se pretende com o projeto. “É para isso que esse espaço foi criado. Imagina o impacto de muitos carros chegando para um consumo que a gente sabe que vai ser bem no estilo dos shoppings centers”, afirma.

O que diz a Urbia

Em resposta ao Metrópoles em outra reportagem sobre a Serraria, a Urbia afirmou que “tem orgulho de apresentar o projeto de requalificação da antiga Serraria, dando continuidade ao projeto do restauro da Praça Burle Marx, no Parque Ibirapuera”.

“Trata-se de uma proposta cuidadosamente desenvolvida para valorizar o patrimônio histórico, qualificar o uso público e devolver protagonismo a uma área hoje subutilizada do parque”, afirmou.

Questionada sobre as alegações de Callegaro, a Urbia atestou que não pressionou órgãos de tombamento, e que o projeto foi desenvolvido seguindo devidamente as diretrizes dos órgãos de proteção de patrimônio ao longo de três anos. A empresa também afirmou que não possui cadeira fixa nas reuniões do Conselho Gestor e por isso não pode pautar o conteúdo das reuniões com o mesmo. “De acordo com o contrato de concessão, a Urbia não tem a obrigação de aprovar novos projetos com o conselho gestor. A aprovação ou veto de projetos é uma atribuição exclusiva dos respectivos órgãos do poder público e de tombamento”, diz.

Confira a nota oficial na íntegra:

“A Urbia anuncia a aprovação do projeto de requalificação da antiga Serraria pelo CONPRESP. A iniciativa dá continuidade ao restauro da Praça Burle Marx, valorizando um espaço com grande potencial de uso no Parque Ibirapuera. O projeto, desenvolvido ao longo de três anos, respeita integralmente as diretrizes de preservação e conta agora com a anuência dos três órgãos competentes (IPHAN, CONDEPHAAT e CONPRESP). A proposta mantém as características arquitetônicas e paisagísticas do espaço, ampliando os serviços de apoio ao visitante e reforçando o compromisso da concessionária com a zeladoria e a qualificação da experiência do público”.