Urbia e conselheiros do Ibirapuera divergem sobre destino da Serraria

Diretor da Urbia, conselheiros gestores e integrantes da sociedade civil discutiram projeto sobre o espaço da Serraria, no Parque Ibirapuera

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1 de 1 Imagem mostra área da Serraria, no Parque Ibirapuera - Metrópoles - Foto: William Cardoso/Metrópoles

Uma audiência pública realizada nesta quinta-feira (19/3), na Câmara de São Paulo, discutiu a polêmica proposta de reforma e uso comercial do espaço conhecido como Serraria, no Parque Ibirapuera. O debate escancarou a divergência entre Urbia, conselheiros-gestores e representantes de entidades de proteção ambiental e do patrimônio.

A concessionária pretende explorar comercialmente o espaço coberto nas proximidades do Portão 7 do parque, perto da Avenida República do Líbano. Quem se opõe à proposta diz que o local será transformado em um centro comercial, uma espécie de shopping, o que é negado pelos representantes da Urbia.

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Professor Marco Hanada, na área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
Área da Serraria, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
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A audiência contou com a participação de vereadores, de representantes do conselho gestor, integrantes da sociedade civil e da concessionária Urbia.

Representantes da prefeitura e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) não participaram do evento, o que foi lamentado pelo vereador Nabil Bonduki (PT). “O que for discutido aqui será levado ao Conpresp”, disse.

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Audiência sobre a Serraria, do Parque Ibirapuera, na Câmara de São Paulo

A liberação das mudanças na Serraria está condicionada à aprovação do Conpresp, que deverá colocar o projeto em pauta na reunião da próxima segunda-feira (23/3).

“Não se assemelha a shopping”

Diretor da Urbia, Samuel Lloyd afirmou que o projeto de restauro passou por um processo de desinformação. “Não se assemelha a um shopping center”, disse.

Lloyd disse que havia um projeto para a criação de uma rua 24 horas no local ainda nos anos 1990, décadas antes da concessão, com bancas de jornais, de flores, entre outras coisas para exploração comercial do espaço. “Não é de forma alguma o nosso projeto”, disse.

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Imagem ilustrativa sobre projeto da Urbia para a Serraria
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Segundo o representante da Urbia, o restauro já foi iniciado e prioriza os serviços gratuitos. “O restauro é de tudo que torna a praça mais bonita e gratuita para todo mundo, inclusive com a inclusão de novos banheiros.”

Lloyd disse que um projeto inicial foi aprovado, inclusive a construção de uma estrutura chamada por ele de mezanino. Apesar da aprovação, a concessionária optou por fazer modificações, segundo o diretor da Urbia. “Chegamos à conclusão de que seria interessante uma intervenção que tornasse mais leve esse conjunto tombado”, disse.

Segundo Lloyd, o projeto então contou com a substituição de alvenaria por vidro, retirada de quiosque de alimentação e reversibilidade, que permitiria o retorno ao estado original, se houver uma decisão desse sentido. “Estamos falando quase de um lego. Não precisamos fazer nenhuma mutilação na estrutura”, afirmou.

Representante da Comissão de Política Urbana da Associação Comercial de São Paulo, Mariana Marchi defendeu a exploração da área. “A gente só valoriza, restaura e compreende a importância de um bem quando é utilizado. A gente tem a memória de que é um espaço subutilizado”, afirmou.

A representante da Associação Comercial citou que um projeto sobre o uso da Serraria foi disciplina da Universidade Mackenzie no passado.

“Quase um acinte”

Integrante do conselho-gestor, a arquiteta Maria Claudia Oliveira afirmou que a ideia é manter o espaço como é. “Quando Samuel [Lloyd] mostra aqueles desenhos, aquilo sim é fake news. Quando mostra árvores através do vidro, ali vai ter lanchonete, comércio, controle de acesso, ar condicionado”, afirmou. “Seria bonito dizer que a população vai usar, mas não vai”, disse.

A conselheira disse que não se coloca alguém que visa lucro para cuidar de um parque, porque os objetivos diferentes. “Parque é para não fazer nada. Aquele lugar é o último recôndito de paz no Ibirapuera”, afirmou, citando que diversas áreas do Ibirapuera já estão ocupadas por atividades comerciais.

A arquiteta Cássia Mariano participou do plano-diretor do parque e disse que o projeto pretendido pela Urbia trará comprometimento ambiental, desrespeito social, entre outros danos. “É quase um acinte”, afirmou.

Cássia disse que a permeabilidade visual e física acontece com a integração pelo eixo da Serraria. “Não pode ser fechada com vidro e laje”, afirmou. “A laje impacta irreversivelmente.”

Segundo a arquiteta, acreditava-se que o parque, sendo protegido nas três esferas, teria todos os elementos e construções também protegidos. “Na prática, não é o que acontece”, afirmou.

Mariano também apontou que o projeto da Urbia promoverá a descaracterização de um projeto de Burle Marx, um dos poucos em São Paulo. “É um espaço de tranquilidade, de regeneração e não pode ser, de forma alguma, perdido. Não se pode descaracterizar um projeto de Burle Marx na cidade de São Paulo. É um espaço quase sagrado. A fundamentalidade desse espaço está na manutenção.”

Conselheira-gestora do Ibirapuera, Sylvia Mielnik falou diretamente a Lloyd. “Uma coisa que você gosta de dizer é que quem é contra o projeto é contra a concessão. Não é verdade. Muita gente é a favor da concessão, admite que o parque está mais limpo, mas diz que na Serraria não se deve mexer”, afirmou.

Representantes disseram que o conselho-gestor foi informado sobre aspectos detalhados do projeto apenas na última reunião, em março.

Discussão na Câmara

A Câmara de São Paulo não tem poder decisório sobre o futuro da Serraria, mas tem promovido a discussão sobre o projeto.

Contrária a intervenção no local, a vereadora Renata Falzoni (PSB) afirmou que a Serraria carrega uma história relevante, faz parte de uma concepção paisagística que valoriza o vazio. “Não se pode e nem se precisa monetizar tudo. Sabemos que a lógica de uma concessionária é maximizar receitas, mas tem limites”.

A vereadora Marina Bragante (Rede) também defendeu que não ocorram intervenções na Serraria. “O princípio fundamental é que cidade que a gente quer. A gente precisa do Ibirapuera como espaço de contemplação. Isso faz diferença em uma cidade como São Paulo”, disse. “Não precisa ter 200 mil pessoas no mesmo espaço para ser um lugar bom”, disse.

Entre outras coisas, Marina também criticou a ocupação de um espaço superior ao estabelecido previamente, com a construção de uma laje que funcionaria como um segundo pavimento, encobrindo até 89% da visão do telhado do local. Lloyd disse que o projeto atual está em acordo com os conselhos de preservação do patrimônio.

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