Conpresp adia decisão sobre intervenções na Serraria do Ibirapuera
Conselho adiou decisão sobre modificação na área da Serraria, no Parque Ibirapuera, que concessionária quer explorar comercialmente
atualizado
Compartilhar notícia

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) decidiu, em reunião nesta segunda-feira (23/3), adiar novamente uma decisão a respeito da modificação do espaço da Serraria, no Parque Ibirapuera.
Na última quinta-feira (19/3), durante audiência pública na Câmara de São Paulo, a Urbia e conselheiros gestores do parque divergiram sobre o futuro da Serraria , como registrado em entrevista concedida ao Metrópoles.
A concessionária Urbia pretende fazer transformações no local, como a construção de um segundo pavimento, favorecendo a exploração comercial da área, que hoje é utilizada por praticantes de atividades como tai chi chuan e yoga, entre outras de caráter contemplativo.
Durante a reunião desta segunda, foram solicitadas diligências para esclarecimento sobre o que foi aprovado em um plano de intervenções a respeito da área, especialmente sobre o percentual de ocupação do local.
Na reunião desta segunda no Conpresp, a vereadora Renata Falzoni (PSB) afirmou que, em 2021, havia um plano de intervenção aprovado que dizia que se poderia usar percentual inferior ao que a Urbia pretende atualmente. “Se tivessem me consultado, diria que isso é um absurdo, mas está escrito no plano de 2021”, disse.
Falzoni afirmou que, em 2022, aprovou-se no Conpresp um projeto que seguia o plano de intervenção, diferente do que apontaria agora a Urbia. “A gente está falando em descaracterizar uma área desenhada pelo Burle Marx, um patrimônio histórico da cidade, um oásis, um lugar tranquilo. Por que a gente vai colocar academia, segundo piso, restaurante, seja lá o que for?”, questionou.
A vereadora Marina Bragante (Rede) também esteve presente e disse que escuta uma coisa dos representantes da Urbia e vê outra nos documentos. Ela defende a manutenção da Serraria da forma como está hoje. “É um espaço com menos gente, menos barulho, menos oferta de serviços, que faz daquele lugar menos frenético que o restante da cidade e do parque”, afirmou.
Também durante a reunião, o vereador Nabil Bonduki (PT) é contrário às mudanças propostas apresentadas pela Urbia e defendeu mais discussões sobre o tema. “No caso do Ibirapuera, existe uma série de omissões. Não estabeleceu regras da Serraria. Quem vai estabelecer é a diretriz, que não tem o mesmo estatuto de uma resolução de tombamento. O que me parece é que é necessário dar um passo atrás, discutir uma resolução para a Serraria e outras áreas”, afirmou.
Processo complexo
Diretor da Urbia, Samuel Lloyd afirmou durante a reunião que é um processo complexo que se arrasta há alguns anos, desde o plano de intervenções até o projeto que é discutido atualmente. “O que peço é que todos se atentem aos documentos formais”, disse.
“A Urbia vai se manifestar no processo, vai contribuir com todas as informações e tem participado de, absolutamente, todas as discussões, debates para as quais têm sido convidada”, afirmou.
“Esse é um processo que tem sido ferido com muita desinformação. Mesmo em ambientes como esse, algumas informações são utilizadas para convencimento da população”
Durante sua intervenção, Lloyd disse que garante que o projeto seja mantido pelos próximos 30 anos pela geração de possibilidades econômicas para manutenção do bem tombado, não só do Ibirapuera, mas também com benfeitorias para outros cinco parques da periferia.
























