Marquise do Ibirapuera é entregue após 5 anos e gasto de R$ 86 milhões

Marquise do Ibirapuera foi entregue neste sábado (24/1), véspera do aniversário de São Paulo, após quase 6 anos fechada ao público

atualizado

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Imagem mostra prefeito de SP, Ricardo Nunes (MDB), andando de skate - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra prefeito de SP, Ricardo Nunes (MDB), andando de skate - Metrópoles - Foto: William Cardoso/Metrópoles

A Marquise do Parque Ibirapuera foi entregue neste sábado (24/1), após quase seis anos fechada e uma obra que consumiu quase R$ 87 milhões dos cofres públicos. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) participou da reinauguração e, cercado de apoiadores, defendeu o gasto e as novas regras de uso do espaço, bem como voltou a apoiar a concessão.

Na concessão à Urbia em 2019, a prefeitura não previu a necessidade de reforma da marquise, muito embora já estivesse parcialmente fechada e oferecendo risco aos frequentadores. A interdição total veio somente em 2020 e a reforma do espaço de 27 mil metros quadrados coube à administração municipal, com repasse do dinheiro público à própria concessionária para conduzir a obra. A Urbia poderá também explorar o local.

Antes da interdição determinada há quase seis anos, a marquise já havia passado por uma reforma, entre 2010 e 2012. Em 2017, entretanto, parte do concreto cedeu e quase atingiu frequentadores.

O Parque Ibirapuera foi inaugurado em homenagem ao Quarto Centenário de São Paulo, em 1954, e a marquise é um dos seus principais símbolos. O local foi projetado por Oscar Niemeyer e é tombado.

“Respeito ao contrato”

Ao lado do presidente da Urbia, Roberto Capobianco, Nunes defendeu a concessão e, questionado pelo Metrópoles, não demonstrou interesse em rever pontos do contrato, que é visto por críticos como extremamente favorável à concessionária.

“Uma questão fundamental é que tenha segurança jurídica. Existe toda uma questão legal, contratual, quando faz a concessão. O primeiro passo é o respeito ao contrato”, disse.

“E respeitando o contrato já vai ter um grande avanço, porque é um contrato muito bem elaborado, passando pela Câmara, audiência pública, passou pelos órgãos de controle, muitas instâncias antes de se chegar ao documento final que garante o interesse público e a efetividade da concessão”, disse.

Nunes afirmou que o importante é a fiscalização do contrato. “Obviamente, a gente tem que ter diálogos e conversas para melhorar, mas o básico, o fundamental, é que a administração, a fiscalização pela SP Regula, esteja sempre atenta ao cumprimento das cláusulas contratuais”, afirmou.

Anteriormente, durante seu discurso, o prefeito já havia elogiado a forma como tem sido conduzida a gestão do parque pela Urbia, sempre se escudando em uma pesquisa de satisfação contratada pela própria concessionária que aponta nota 9,1 (em escala de 0 a 10) dada pelos usuários. “A gente entende que está no caminho certo”, disse.

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Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, no Parque Ibirapuera
Ricardo Nunes
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, no Parque Ibirapuera, com skatista
Roberto Capobianco, presidente da Urbia
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo
O presidente da Urbia, Roberto Capobianco, atrás do prefeito Ricardo Nunes (MDB), no Ibirapuera
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O presidente da Urbia, Roberto Capobianco, atrás do prefeito Ricardo Nunes (MDB), no Ibirapuera

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Ricardo Nunes andando de skate no Ibirapuera
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Ricardo Nunes andando de skate no Ibirapuera

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Uso da marquise

A divulgação de que a marquise seria finalmente liberada foi acompanhada da informação de que seria vetado seu uso por skatistas, patinadores e ciclistas. Posteriormente, a prefeitura recuou e decidiu liberar parte do espaço (13% do local) para a prática desses esportes, mediante uma regulamentação de área pré-determinada, entre outros.

Durante a inauguração, Nunes disse que o veto a skatistas, patinadores e ciclistas ocorreu por decreto da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), em 2003. O prefeito acrescentou, entretanto, que na conversa com a concessionária e conselho gestor, houve “bom senso” na definição de regras para o uso compartilhado. “Um trabalho muito bacana de diálogo para uma utilização muito harmônica e democrática, com essa organização”.

Segundo Nunes, haveria melhorias na sinalização e orientação sobre o uso do espaço, com equipes da prefeitura e concessionária.

Durante a inauguração, o prefeito trotou por alguns metros sob a marquise. Na sequência, a pedidos, subiu em um skate e andou por alguns segundos.

Sem orientação

Logo após a inauguração realizada por Nunes, os frequentadores da marquise estavam confusos a respeito das regras de utilização e nem mesmo colaboradores da Urbia sabiam dar orientação sobre como proceder no local.

Os espaços que compõem os 13% destinados a bicicletas pequenas, patins e skates foram completamente ignorados.

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Marquise do Ibirapuera, no dia da reabertura
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Bicicletas com aro superior ao 16 (para crianças) e até patinetes elétricos circulavam livremente sob a marquise. Os espaços delimitados para cada uma das atividades também foram ignorados e ninguém sabia explicar para os frequentadores o que podia ou não.

A advogada Monica Rodrigues, de 37 anos, estava com skate e diz que a organização do espaço é positiva, mas que nem vigilantes tinham as informações necessárias. “É válida para preservar a segurança das crianças, de quem está aprendendo, mas não está muito claro. Inclusive, a gente acabou de chegar e fui perguntar para o segurança se era da fita para dentro ou da fita para fora [linha de demarcação], mas ele disse que era o primeiro dia dele e que também não sabia.”

O que diz a prefeitura

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) diz que a Marquise do Parque Ibirapuera conta com diversas placas de sinalização sobre o regulamento de uso do espaço, bem como demarcações no piso das áreas exclusivas para práticas esportivas.

“As equipes de vigilância do local também orientam os frequentadores para conscientização gradual e respeito das diretrizes”, afirma, em nota.

Segundo a secretaria, “é válido mencionar que este sábado foi a data da reabertura da marquise, um dia excepcional de celebração e aguardado há 7 anos”, diz.

“A utilização do espaço vai estabilizar gradualmente, mas caso seja necessário adicionar outras formas de comunicação e organização, será avaliado. Em diálogo com o Conselho Gestor, a sociedade civil e a concessionária, a gestão municipal prioriza sempre a boa convivência e o uso equilibrado do espaço por todos os munícipes”, afirma.

Procurada, a Urbia não se manifestou. O espaço segue aberto.

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