Caso Gritzbach: saiba porque julgamento dos PMs executores foi adiado
Previsto para durar 5 dias, julgamento da morte de Gritzbach foi interrompido no primeiro dia após discussões entre promotores e advogados

O primeiro dia de julgamento dos três policiais militares acusados de envolvimento na execução do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, foi anulado, nessa segunda-feira (22/6), no Fórum de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) ainda não definiu nova data para a realização de um novo júri.
O julgamento havia sido marcado ainda em fevereiro deste ano e estava previsto para ocorrer entre os dias 22 e 26 de junho de 2026. No entanto, a sessão acabou dessa segunda foi interrompida após uma sequência de desentendimentos entre acusação e defesa, durante o andamento dos trabalhos.
Abandono do plenário
A anulação do júri ocorreu após uma discussão entre o promotor Rodrigo Merli e os advogados de defesa, no primeiro dia dos trabalhos. Segundo relatos acompanhados pela reportagem do Metrópoles, Merli fazia perguntas sobre outro caso envolvendo o advogado Mauro Ribas Júnior, quando afirmou que um dos depoimentos citados seria falso.
A fala gerou reação imediata da defesa, que questionou o motivo de o assunto estar sendo levado para o julgamento de Gritzbach. Os advogados argumentaram que o tema não tinha ligação com o caso analisado pelos jurados e que não fazia parte das provas reunidas no processo. A discussão aumentou à medida que acusação e defesa passaram a trocar críticas sobre os limites dos questionamentos feitos em plenário.
Com o clima cada vez mais tenso, parte dos advogados dos réus decidiu deixar o julgamento. Sem a presença da defesa, a sessão não pôde continuar e o juiz encerrou os trabalhos. Com isso, os jurados foram dispensados e todo o julgamento precisará ser realizado novamente em uma data que ainda será definida pelo TJSP.
“Cínico” e “descortês”
Mais cedo ainda, o julgamento já havia sido marcado por uma primeira discussão entre acusação e defesa.
Em meio ao embate, o advogado Mauro Ribas Júnior criticou a postura do promotor, chamando-o de “cínico”, “descortês” e “mal-educado”. Segundo registro da reportagem do Metrópoles, o promotor afirmou que “o senhor conversa com bandido, eu converso com policial”, o que intensificou a discussão no plenário.
O desentendimento ocorreu durante o depoimento do perito Leandro Lopes, quando ele era questionado pela defesa sobre provas e procedimentos adotados na investigação. A sessão passou a ser marcada por uma troca de acusações entre o promotor Rodrigo Merli e os advogados Renan Pacheco Canto e Mauro Ribas Júnior.
O que diz a defesa dos policiais
A banca de defesa dos policiais militares acusados no caso Gritzbach divulgou nota à imprensa manifestando “profundo repúdio” a ataques pessoais e ofensas dirigidas aos advogados durante a sessão do Tribunal do Júri em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Segundo a nota, os profissionais que atuam na defesa técnica dos réus foram alvo de manifestações consideradas incompatíveis com o ambiente de respeito que deve ser mantido em plenário, incluindo associações pejorativas a termos como “assassinos de aluguel” e a afirmação de que “conversam com assassinos”.
A defesa também afirmou que um dos advogados foi citado de forma indevida em referência a um episódio pessoal anterior, o que teria ocorrido em plenário de maneira desrespeitosa e fora do contexto do julgamento. Na nota, os advogados dizem que a situação gerou uma “excepcionalidade” durante a sessão e informa que adotará medidas institucionais e legais cabíveis.
Os advogados reforçam ainda que seguem na defesa dos policiais militares e aguardam a definição de uma nova data para o julgamento.
O que acontece quando a defesa abandona julgamento
Em casos de abandono do plenário por parte da defesa durante um julgamento, a Justiça precisa avaliar os motivos que levaram à saída dos advogados e quais impactos isso pode ter para o andamento do processo. Como a presença da defesa é considerada fundamental em um Tribunal do Júri, situações desse tipo podem levar à interrupção dos trabalhos e até mesmo à necessidade de realização de um novo julgamento.
O Código de Processo Penal também estabelece que advogados não podem abandonar um processo sem um motivo considerado justificável e sem comunicar previamente o juiz responsável pelo caso. A legislação prevê a possibilidade de aplicação de multa e outras medidas disciplinares, além da adoção de providências para garantir que os acusados continuem representados por um defensor e tenham assegurado o direito à ampla defesa.
Execução de Gritzbach
Vinícius Gritzbach foi executado no dia 8 de novembro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ele estava retornando de uma viagem que fez para Maceió, em Alagoas.
Em depoimento a namorada do executado, Maria Helena Paiva Antunes, afirmou que ouviu o companheiro no telefone no dia 5 e 6 de novembro falando com uma pessoa que lhe devia dinheiro. “Posteriormente, ele determinou que [o policial militar] Samuel [Tillvitz da Luz] e [o motorista] Danilo [Lima Silva] fossem a Maceió buscar algumas joias que seriam parte do pagamento dessa dívida.”
Voltando ao dia da execução, quando Gritzbach passava pela área de desembarque um carro parou no local, dois homens encapuzados desceram do veículo vestindo colete a prova de balas e portando fuzis.
Assim que o alvo se aproximou, os dois começaram a atirar. Foram 29 disparos, 10 atingiram Gritzbach, que morreu no local. Pelo menos um dos disparos acertou o rosto do empresário. Além dele, um taxista também foi morto e outras duas pessoas foram feridas pelos disparos.
Veja o vídeo com o momento em que o empresário é atingido à queima roupa:

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