"Cínico": defesa bate boca com promotoria no júri do caso Gritzbach
Julgamento dos policiais acusados de envolvimento na morte de Vinícius Gritzbach começou nesta segunda-feira (22/6) e deve durar cinco dias

Uma discussão entre acusação e defesa interrompeu o julgamento dos três policiais militares acusados de envolvimento na morte do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, que começou nesta segunda-feira (22/6), em Guarulhos, na região metropolitana da capital. O desentendimento envolveu o promotor Rodrigo Merli e os advogados Renan Pacheco Canto e Mauro Ribas Júnior, enquanto o perito Leandro Lopes era ouvido em plenário.
A discussão começou enquanto o perito respondia a perguntas da defesa sobre a análise de veículos ligados ao caso e à coleta de material genético realizada durante as investigações. Na fase de questionamentos, os advogados exibiam imagens de um dos carros periciados e faziam perguntas sobre procedimentos adotados pela polícia.
Em determinado momento, o clima esquentou entre acusação e defesa. O advogado Mauro Ribas Júnior interrompeu os trabalhos para criticar a postura do promotor Rodrigo Merli, chamando-o de “cínico”, “descortês” e “mal-educado”.
O bate-boca ocorreu após uma troca de falas entre Merli e o advogado Renan Pacheco Canto. A reportagem do Metrópoles acompanha o júri e presenciou quando o promotor afirmou que “o senhor conversa com bandido, eu converso com policial”, declaração que provocou reação imediata da defesa.
Renan rebateu a fala e afirmou que não aceitaria ser desrespeitado. Os advogados argumentaram que a declaração atingia profissionais que atuam na defesa criminal e consideraram a manifestação inadequada.
Com a discussão, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, responsável pelo julgamento, interveio para restabelecer a ordem no plenário. Após a intervenção, os trabalhos foram retomados e o depoimento do perito Leandro Lopes prosseguiu normalmente.
Julgamento começou nesta segunda
O julgamento dos três policiais militares acusados de participar da execução de Gritzbach começou nesta segunda-feira no Tribunal do Júri de Guarulhos, com sessão pautada para durar até sexta-feira (26/6).
Gritzbach foi morto em 8 de novembro de 2024 na área de desembarque do Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos, após voltar de uma viagem a Alagoas. Ele caminhava ao lado da namorada e de seguranças quando foi alvo de 10 disparos de fuzil. O crime ocorreu dias após o corretor iniciar delações sobre o envolvimento de policiais com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a acusação, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues teriam sido os atiradores que desceram de um Volkswagen Gol e fuzilaram Gritzbach diante de dezenas de testemunhas, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Já o tenente Fernando Genauro da Silva é apontado como o motorista que teria levado os executores até o aeroporto e ajudado na fuga após o crime.
Na prática, os jurados terão de decidir se os três participaram de uma execução planejada contra o delator. A acusação sustenta que o crime teve motivo torpe, colocou outras pessoas em risco, dificultou a defesa das vítimas e envolveu fuzis, que são armas de uso restrito.
O júri é composto por quatro homens e três mulheres. Pela manhã, três testemunhas já foram ouvidas: William Souza Santos e Samara Lima, que foram baleados no dia da execução de Gritzbach, e Simone Dionísio Novais, esposa do Celso Novais, que morreu após ser atingido pelos disparos.
“Farsa contra inocentes”
Pouco antes de o julgamento começar, o advogado dos suspeitos, Renan Canto, afirmou à imprensa que as provas contra os três PMs foram “forjadas e manipuladas para incriminar inocentes”. Para a investigação, dados de GPS, imagens de câmeras, informações de celulares e exames de DNA colocaram os três PMs na cena do crime. O advogado, porém, critica a confiabilidade das provas.
“O carro foi analisado no dia 8 de novembro. Nada foi encontrado. O carro passa por uma segunda análise, aí eles encontram uma amostra que não havia sido encontrada no dia anterior. Essa amostra, até hoje, a gente não sabe do que se trata. Se é sangue, se é suor, se é saliva. Essa amostra subiu pro sistema AIFES, que a gente chama, e ninguém foi identificado”, afirmou o advogado.

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