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São Paulo

Carbono Oculto: sócio de Primo recebeu auxílio emergencial por seis meses

Dono de 14 empresas, Tharek Majide Bannout aparece como sócio de Primo e Beto Louco na lavagem de dinheiro no âmbito da Carbono Oculto

29/10/2026 08:44
Carbono Oculto: sócio de Primo recebeu auxílio emergencial por seis meses
Carbono Oculto: sócio de Primo recebeu auxílio emergencial por seis meses

São Paulo – Tharek Majide Bannout (foto de destaque), apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como sócio de Mohamad Hussein Mourad, o Primo, em um esquema de lavagem de dinheiro no âmbito da Carbono Oculto, recebeu auxílio emergencial do governo por seis meses durante a pandemia, mesmo aparecendo como dono de 14 empresas, incluindo padarias, postos e até uma holding.

Tharek aparece como um “agregado” do clã chefiado por Primo e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Segundo a promotoria, ele ajudou na infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. A irmã de Tharek é casada com um advogado que é  primo de Mohamad Mourad.

Segundo a acusação do MPSP, o investigado atuou como integrante do esquema de ocultação de bens, blindagem patrimonial e lavagem de capitais da organização. Entre 2023 e 2024, ele passou a fazer parte do quadro societário de pelo menos sete postos de combustíveis em São Paulo.

Tharek também figurou como sócio de uma empresa de fachada que, segundo as investigações, foi usada por Primo para ocultar a frota de veículos empregada nas atividades das usinas do Grupo Itajobi, também investigada na Carbono Oculto, incluindo o transporte de cana-de-açúcar e etanol.

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O nome de Tharek se associa ao do PCC no momento em que ele compra postos de uma empresa ligada a Renan Cepeda Gonçalves, da família apontada como dona da Rede Boxter, também alvo da Carbono Oculto.

“Padarias-espelho”

De acordo com a investigação, o investigado teve papel importante para dar uma “face legítima” dos negócios chefiados por Primo e Beto Louco. Além de sócio de postos, Tharek entrou no ramo da panificação.

Dias depois da Carbono Oculto, Tharek passou a fazer parte do quadro societário de “duas” padarias Iracemas. Na prática, é um mesmo endereço com dois CNPJs que foi adquirida pelo grupo em janeiro de 2022, usando o nome de uma laranja que mora em Sergipe.

O Metrópoles foi à padaria no dia 21 de setembro e comprou cafezinhos no débito e no crédito. Em cada nota solicitada, apareceu um CNPJ diferente. Um mês depois, a reportagem retornou à padaria e um terceiro CNPJ surgiu.

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Esse esquema foi classificado por investigadores como “empresas-espelho” e busca facilitar fraudes tributárias.

Conforme revelado pela coluna Ramiro Brites, o esquema funciona assim: abre-se um negócio em determinado endereço. Meses depois, abre-se outra no mesmo endereço, com capital social maior. Aparentemente, o estabelecimento funciona de forma regular, mas o cliente nunca sabe para qual das empresas está pagando. A fraude fiscal é concentrada em um dos negócios e, quando a Receita Federal acende o alerta para os débitos tributários de um CNPJ, todo o faturamento migra para a outra empresa de capital maior.

Do canavial à Faria Lima

Essa e outras histórias estão no especial “Do Canavial à Faria Lima”. O Metrópoles publica nesta quinta-feira (29/07) a segunda matéria de uma série de reportagens sobre as consequências da operação Carbono Oculto, considerada a maior ação de combate à infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis do país.

Deflagrada em agosto de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, a operação expôs um grupo criminoso que controlava canaviais, usinas, distribuidoras de combustíveis e postos de gasolina – eram centenas de empresas enredadas em uma teia complexa de fraudes, sonegação de impostos e ocultação de patrimônio. A rede se estendia dos canaviais do interior paulista às fintechs da Faria Lima.