Alesp abre processo que pode levar à cassação do deputado Lucas Bove

Deputado Lucas Bove (PL) é alvo de dois processos por violência política que podem levar à perda de mandato na Alesp

atualizado

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Rodrigo Romeo/Alesp
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1 de 1 Imagem colorida mostra o deputado estadual Lucas Bove (PL) discursando no plenário da Alesp - Metrópoles - Foto: Rodrigo Romeo/Alesp

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou, nesta terça-feira (24/2), a abertura de dois processos que podem que pode levar à cassação do mandato do deputado estadual Lucas Bove (PL).

O primeiro foi representado pela deputada Ediane Maria (PSol) contra Bove e o Tenente Coimbra (PL) por quebra de decoro parlamentar, violência politica de gênero e racismo. O relator, neste caso, será o deputado Eduardo Nóbrega (Podemos).

Já o segundo foi representado pela deputada Mônica Seixas (PSol), do Movimento Pretas, também por violência política. O deputado Emídio de Souza (PT) foi designado relator desta ação.

Após a aprovação pelo Conselho de Ética, os processos seguem para relatoria e, em seguida, para votação do plenário.

Um pedido da deputada Paula Nunes (PSol), da Bancada Feminista, também por violência política, foi arquivado. De acordo com as parlamentares, Bove é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por violência política de gênero, a partir das denúncias que elas apresentaram. Ele também é réu no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) por agredir a ex-esposa, Cíntia Chagas.

As agressões contra a ex-companheira geraram outras denúncias ao Conselho de Ética da Alesp. A análise do tema, no entanto, está parada. O deputado Delegado Olim (PP), presidente do colegiado, afirmou à reportagem que o tema deve ser apreciado ainda neste semestre.

Conselho arquiva pedido de cassação de deputadas do PSol

Na mesma sessão, foram arquivados os pedidos de perda de mandato das deputadas Paula Nunes (PSol) e Mônica Seixas (PSol), da Bancada Feminista e do Movimento Pretas.

Os três parlamentares entraram na pauta do conselho depois de um bate-boca em uma sessão no plenário da Alesp, em setembro do ano passado. Durante a discussão, Bove gritou com parlamentares mulheres. “Me chama de agressor, me chama de corrupto, porra!”, disse o deputado, na ocasião.

Ao Metrópoles as parlamentares definiram a posição do deputado, à época, como “descontrole”.

“O que nós sustentamos nas nossas representações é que a violência política de gênero é uma prática constante e a forma como o deputado Lucas tenta inviabilizar a nossa atuação como parlamentares. É muito importante essa casa legislativa aceitar um dos pedidos de cassação do mandato de Bove e seguir com o processo”, afirmou Paula Nunes.

Bove fala em “discussão corriqueira”

Em nota, Bove afirmou que foi denunciado “por conta de uma discussão acalorada em plenário, corriqueira na politica e sem qualquer tipo de violência”.

“Não fiz rachadinha e não chutei nenhum cidadão, como fez o deputado do PSol que escapou da cassação em um movimento politico”, disse, se referindo ao deputado federal Glauber Braga, que foi alvo de um processo na Câmara dos Deputados após chutar um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL).

Para o deputado estadual, o resultado da sessão desta terça é estratégico para a oposição. “Não tratou-se de um julgamento de mérito, mas sim político. Não à toa deixaram o tema, que já estava posto há meses, para o inicio do ano eleitoral”, disse.

Sobre o arquivamento das deputadas do PSol, Bove afirmou existir “dois pesos e duas medidas para legitimar uma perseguição contra parlamentares bolsonaristas”.

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