Alesp: Conselho de Ética analisa cassação de Bove e deputadas do PSol
Lucas Bove (PL), Mônica Seixas e Paula Nunes são alvos de pedido de cassação após bate-boca no plenário. Ele é réu por violência doméstica
atualizado
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O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) volta a se reunir, nesta terça-feira (24/2), para analisar os pedidos de cassação dos mandatos do deputado estadual Lucas Bove (PL) e das deputadas Mônica Seixas (PSol) e Paula Nunes (PSol), da Bancada Feminista e do Movimento Pretas.
Os três parlamentares entraram na pauta do conselho depois de um bate-boca em uma sessão no plenário da Alesp, em setembro do ano passado. Durante a discussão, Bove gritou com parlamentares mulheres. “Me chama de agressor, me chama de corrupto, porra!”, disse o deputado, na ocasião.
Ao Metrópoles as parlamentares da Bancada Feminista definiram a posição do deputado como “descontrole”.
“Ele quer impedir o exercício do nosso mandato, que foi eleito democraticamente e que tem o compromisso de defesa dos direitos das mulheres. A violência política de gênero e raça praticada por ele é que não pode acontecer em uma casa legislativa”, afirmou Paula Nunes.
Procurado, Bove não quis se manifestar. A reportagem apurou que o entorno do parlamentar acredita em um novo arquivamento.
Tentativas de votar a cassação
Esta é a segunda tentativa de votar o tema. A primeira, em 9 de dezembro, foi adiada por falta de quórum. Na ocasião, cinco aliados de Bove faltaram à reunião: Carlão Pignatari (PSDB), Altair Moraes (Republicanos), Rafael Saraiva (União Brasil), Eduardo Nóbrega (Podemos) e Oséias de Madureira (PSD).
Em paralelo à disputa entre PL e PSol após o “bate-boca”, há outros pedidos para cassação de Bove na Alesp. O primeiro foi formulado pela deputada Mônica Seixas, após o político ser denunciado à Justiça por violência doméstica contra a ex-esposa, Cíntia Chagas. Ela o acusou de agressão no final de 2024.
A representação da psolista foi arquivada em 26 de agosto pela Comissão de Ética. Foram seis votos contra um.
Presidida pelo parlamentar Delegado Olim (PP), que votou pelo arquivamento, a sessão teve presença dos parlamentares Oseias, Carlos Cezar (PL), Dirceu Dalben (Cidadania), Eduardo Nóbrega e Rafael Saraiva. Todos eles se posicionaram contra a invalidação do mandato de Bove.
O voto a favor da cassação foi de Ediane Maria (PSol). Ela era a única deputada mulher e parlamentar de oposição presente na reunião.
Em outubro, PT e PSol voltaram a pedir a cassação de Bove – novamente fundamentado nas acusações de ameaça e violência doméstica que miram o parlamentar.
MPSP denuncia Bove e pede “providências” à Alesp
Em 23 de outubro, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a prisão preventiva de Bove por descumprir, de maneira reiterada, medidas protetivas impostas pela Justiça a favor de Cíntia. Ela o acusou de agressão no fim do ano passado.
Além do pedido de prisão, a promotoria encaminhou um ofício à Alesp para que sejam adotadas “eventuais providências cabíveis”, sem detalhar ou sugerir possíveis punições ao parlamentar.
Oito dias depois, em 31 de outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou o pedido de prisão preventiva.
A juíza Danielle Galhano Pereira da Silva, no entanto, advertiu Bove por desrespeitar medidas cautelares. Ela disse que o parlamentar, em caso de um novo descumprimento, pode ter a prisão preventiva decretada.
Em 4 de novembro, a Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Região Oeste aceitou a denúncia do MPSP, tornando Bove réu por crimes como violência psicológica, stalking, descumprimento de medidas protetivas de urgência e lesão corporal.
O processo corre sob sigilo. O Metrópoles apurou que a primeira audiência do caso deve acontecer ainda neste semestre. Pelo segredo de Justiça, a defesa das partes optou por não se manifestar.
