Topo Gigio, Susi, Fofolete: brinquedos da Estrela que marcaram época
Entre os produtos de maior sucesso do grupo, estão Falcon, Comandos em Ação, Susi, Topo Gigio, Aquaplay, Fofolete e Ferrorama. Relembre
atualizado
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A Estrela, icônica fabricante brasileira de brinquedos que marcou gerações, apresentou, nesta quarta-feira (20/5), um pedido de recuperação judicial. O documento foi protocolado na Comarca de Três Pontas (MG) e inclui outras empresas do grupo.
No fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Estrela alega que a decisão de pedir recuperação judicial se deve, principalmente, à necessidade de uma reestruturação das dívidas da companhia.
A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.
Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação. Em linhas gerais, a recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência.
História
Fundada em 1937, prestes a completar 90 anos, a Estrela se tornou uma das marcas mais conhecidas e relevantes da indústria nacional de brinquedos ao longo das últimas décadas. A companhia atravessou gerações e fez parte da infância de milhões de brasileiros.
Inicialmente, a Estrela era uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira. Durante o século XX, a empresa se consolidou como um dos maiores símbolos de um importante setor da economia brasileira. Ela foi, ainda, uma das primeiras empresas do país a abrir capital, em 1944.
A Estrela lançou uma série de produtos que marcaram época, como o Banco Imobiliário (criado nos anos 1940), o Autorama (na década de 1950) e o Genius (nos anos 1980, o primeiro brinquedo eletrônico da história do país).
Entre os produtos mais emblemáticos e de maior sucesso do grupo, estão Falcon, Comandos em Ação, Susi, Topo Gigio, Aquaplay, Fofolete, Ferrorama, Super Massa e bonecas como Gui Gui, Mãezinha e Moranguinho.
Brinquedos que marcaram gerações
Confira alguns dos brinquedos icônicos da Estrela, que ajudaram a consolidar a marca no imaginário infantil, marcaram época e atravessaram gerações:
Banco Imobiliário
Um dos maiores clássicos da Estrela, lançado em 1944, o Banco Imobiliário se tornou um dos jogos de tabuleiro mais populares do país. Os participantes do jogo são desafiados a comprarem terrenos, construírem propriedades e administrarem bem o dinheiro – para que os adversários caiam na falência.
Autorama
Criado na década de 1960, o Autorama é outro clássico da Estrela que conquistou o público infantil. O brinquedo conta com pistas elétricas e carrinhos de corrida e foi um dos pioneiros entre os produtos eletrificados destinados a esse público.
Susi
Também nos anos 1960, a boneca Susi foi lançada pela Estrela e não demorou a emplacar como grande sucesso. A boneca reforçava um “padrão” de beleza da época – era loira, magra, sorridente e tinha vários acessórios. Foi uma espécie de reação da Estrela ao mercado das chamadas “fashion dolls”, liderado pela Barbie, fenômeno nos Estados Unidos. Susi também atravessou gerações e ganhou inúmeras versões temáticas.
Topo Gigio
Outro ícone da marca, o simpático ratinho Topo Gigio foi lançado na década de 1970, impulsionado pelo grande sucesso que já fazia na televisão. Com articulações marcadas, o boneco podia ser manuseado e ajustado da forma que as crianças quisessem.
Fofolete
A Fofolete era uma bonequinha caracterizada por usar roupas coloridas. O brinquedo podia ser facilmente carregado em bolsos e bolsas, o que o ajudou a se tornar um dos maiores sucessos do mercado.
Genius
Já nos anos 1980, a Estrela, que vivia seu auge, lançou o Genius. O brinquedo foi apresentado ao público como o primeiro “computador que fala” e deixou as crianças fascinadas com suas luzes, sons e memória eletrônica, uma grande novidade na época. O brinquedo foi emblemático para a empresa e ajudou a Estrela a fazer a transição para a fase eletrônica.
Detetive
O Detetive fez as crianças se tornarem “investigadoras” de crimes, por meio de uma coleção de “pistas” sobre suspeitos, locais e armas utilizadas. O objetivo era, invariavelmente, descobrir quem era o assassino.
Jogo da Vida
Um dos maiores clássicos da Estrela em todos os tempos, o Jogo da Vida simulava a trajetória de um adulto, que tinha sonhos pessoais e profissionais – carreira, faculdade, casamento, filhos etc.
Cara a Cara
Outro grande sucesso da Estrela, o Cara a Cara promovia disputas de dedução entre os participantes, que tinham de descobrir qual personagem havia sido escolhido pelo adversários. Para isso, os jogadores faziam perguntas sobre características e aparência, por exemplo.
Pedido de recuperação judicial
A Estrela menciona, em seu pedido de recuperação judicial, o aumento do custo de capital e a restrição de crédito como alguns dos maiores problemas enfrentados pela empresa nos últimos anos. A companhia cita ainda mudanças no comportamento do consumidor e uma competição cada vez mais acirrada, inclusive nas plataformas digitais.
“A recuperação judicial tem como objetivo permitir a superação da atual situação econômico-financeira, mediante a reorganização estruturada do endividamento, preservando a continuidade das atividades empresariais, os empregos e a geração de valor para todos os ‘stakeholders’”, afirmou a Estrela.
No comunicado ao mercado, a Estrela “reafirma sua confiança na continuidade regular de suas operações, mantendo suas atividades industriais, comerciais e administrativas, bem como o atendimento a clientes, parceiros e fornecedores, adotando as medidas necessárias para assegurar a continuidade de seus negócios ao longo do processo de reestruturação”.
“Nos termos da legislação aplicável, a Companhia apresentará oportunamente seu plano de recuperação judicial, o qual será submetido à aprovação dos credores. A companhia manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes relacionados ao tema”, completa a companhia.
Competição dura com jogos digitais e redes sociais
A partir dos anos 2000, a Estrela passou por uma fase de “repaginação” de alguns de seus maiores clássicos, utilizando mais recursos tecnológicos e ampliando sua presença no segmento de brinquedos colecionáveis e licenciados.
Apesar do esforço em torno da modernização, a companhia teve dificuldades para competir com produtos importados (mais baratos) e, especialmente nos últimos anos, com jogos digitais e redes sociais, verdadeiras febres no público infantil.
Atualmente, a Estrela conta com um escritório central, em São Paulo, e fábricas no interior paulista e nos estados de Minas Gerais e Sergipe.