Estrela: ações despencam na Bolsa após pedido de recuperação judicial
As ações da Estrela voltaram a ser negociadas no pregão depois de mais de um mês. Antes da retomada, o último negócio foi em 9 de abril
atualizado
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As ações da Estrela, icônica fabricante brasileira de brinquedos que marcou gerações, operavam em forte queda no pregão desta quarta-feira (20/5) da Bolsa de Valores do Brasil (B3), após a companhia informar que apresentou um pedido de recuperação judicial.
O documento foi protocolado na Comarca de Três Pontas (MG) e inclui outras empresas do grupo. No fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Estrela alega que a decisão de pedir recuperação judicial se deve, principalmente, à necessidade de uma reestruturação das dívidas da companhia.
Ações desabam
- As ações da Estrela (ESTR4) negociadas na B3 registravam fortes perdas no fim da manhã desta quarta-feira.
- Por volta das 11h10 (pelo horário de Brasília), os papéis da companhia desabavam 18,85%, cotados a R$ 3,66.
- As ações da empresa voltaram a ser negociadas no pregão depois de mais de um mês. Antes da retomada, o último negócio com os papéis havia sido registrado no dia 9 de abril.
O que diz a Estrela
A Estrela menciona, no documento, o aumento do custo de capital e a restrição de crédito como alguns dos maiores problemas enfrentados pela empresa nos últimos anos. A companhia cita ainda mudanças no comportamento do consumidor e uma competição cada vez mais acirrada, inclusive nas plataformas digitais.
“A recuperação judicial tem como objetivo permitir a superação da atual situação econômico-financeira, mediante a reorganização estruturada do endividamento, preservando a continuidade das atividades empresariais, os empregos e a geração de valor para todos os ‘stakeholders’”, afirmou a Estrela.
No comunicado ao mercado, a Estrela “reafirma sua confiança na continuidade regular de suas operações, mantendo suas atividades industriais, comerciais e administrativas, bem como o atendimento a clientes, parceiros e fornecedores, adotando as medidas necessárias para assegurar a continuidade de seus negócios ao longo do processo de reestruturação”.
“Nos termos da legislação aplicável, a Companhia apresentará oportunamente seu plano de recuperação judicial, o qual será submetido à aprovação dos credores. A companhia manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes relacionados ao tema”, completa a companhia.
História
Fundada em 1937, prestes a completar 90 anos, a Estrela se tornou uma das marcas mais conhecidas e relevantes da indústria nacional de brinquedos ao longo das últimas décadas. A companhia atravessou gerações e fez parte da infância de milhões de brasileiros.
Inicialmente, a Estrela era uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira. Durante o século XX, a empresa se consolidou como um dos maiores símbolos de um importante setor da economia brasileira. Ela foi, ainda, uma das primeiras empresas do país a abrir capital, em 1944.
A Estrela lançou uma série de produtos que marcaram época, como o Banco Imobiliário (criado nos anos 1940), o Autorama (na década de 1950) e o Genius (nos anos 1980, o primeiro brinquedo eletrônico da história do país).
Entre os produtos mais emblemáticos e de maior sucesso do grupo, estão Falcon, Comandos em Ação, Susi, Topo Gigio, Aquaplay, Fofolete, Ferrorama, Super Massa e bonecas como Gui Gui, Mãezinha e Moranguinho.
Competição dura com jogos digitais e redes sociais
A partir dos anos 2000, a Estrela passou por uma fase de “repaginação” de alguns de seus maiores clássicos, utilizando mais recursos tecnológicos e ampliando sua presença no segmento de brinquedos colecionáveis e licenciados.
Apesar do esforço em torno da modernização, a companhia teve dificuldades para competir com produtos importados (mais baratos) e, especialmente nos últimos anos, com jogos digitais e redes sociais, verdadeiras febres no público infantil.
Atualmente, a Estrela conta com um escritório central, em São Paulo, e fábricas no interior paulista e nos estados de Minas Gerais e Sergipe.
Recuperação judicial
A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.
Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação.
Em linhas gerais, a recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência.