Fim de uma era? Entenda o pedido de recuperação judicial da Estrela

Prestes a completar 90 anos, a Estrela se tornou uma das marcas mais conhecidas e relevantes da indústria nacional de brinquedos

atualizado

metropoles.com

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A Estrela, icônica fabricante brasileira de brinquedos que marcou gerações, apresentou, nesta quarta-feira (20/5), pedido de recuperação judicial. O documento foi protocolado na Comarca de Três Pontas (MG) e inclui outras empresas do grupo.


O que é recuperação judicial

  • A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.
  • Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação.
  • Em linhas gerais, a recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência.

O que diz a Estrela

No fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Estrela alega que a decisão de pedir recuperação judicial se deve, principalmente, à necessidade de uma reestruturação das dívidas da companhia.

A Estrela menciona, no documento, o aumento do custo de capital e a restrição de crédito como alguns dos maiores problemas enfrentados pela empresa nos últimos anos. A companhia cita ainda mudanças no comportamento do consumidor e uma competição cada vez mais acirrada, inclusive nas plataformas digitais.

“A recuperação judicial tem como objetivo permitir a superação da atual situação econômico-financeira, mediante a reorganização estruturada do endividamento, preservando a continuidade das atividades empresariais, os empregos e a geração de valor para todos os ‘stakeholders’”, afirmou a Estrela.

No comunicado ao mercado, a Estrela “reafirma sua confiança na continuidade regular de suas operações, mantendo suas atividades industriais, comerciais e administrativas, bem como o atendimento a clientes, parceiros e fornecedores, adotando as medidas necessárias para assegurar a continuidade de seus negócios ao longo do processo de reestruturação”.

“Nos termos da legislação aplicável, a Companhia apresentará oportunamente seu plano de recuperação judicial, o qual será submetido à aprovação dos credores. A companhia manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes relacionados ao tema”, completa a companhia.

História

Fundada em 1937, prestes a completar 90 anos, a Estrela se tornou uma das marcas mais conhecidas e relevantes da indústria nacional de brinquedos ao longo das últimas décadas. A companhia atravessou gerações e fez parte da infância de milhões de brasileiros.

Inicialmente, a Estrela era uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira. Durante o século XX, a empresa se consolidou como um dos maiores símbolos de um importante setor da economia brasileira. Ela foi, ainda, uma das primeiras empresas do país a abrir capital, em 1944.

A Estrela lançou uma série de produtos que marcaram época, como o Banco Imobiliário (criado nos anos 1940), o Autorama (na década de 1950) e o Genius (nos anos 1980, o primeiro brinquedo eletrônico da história do país).

Entre os produtos mais emblemáticos e de maior sucesso do grupo, estão Falcon, Comandos em Ação, Susi, Topo Gigio, Aquaplay, Fofolete, Ferrorama, Super Massa e bonecas como Gui Gui, Mãezinha e Moranguinho.

Competição dura com jogos digitais e redes sociais

A partir dos anos 2000, a Estrela passou por uma fase de “repaginação” de alguns de seus maiores clássicos, utilizando mais recursos tecnológicos e ampliando sua presença no segmento de brinquedos colecionáveis e licenciados.

Apesar do esforço em torno da modernização, a companhia teve dificuldades para competir com produtos importados (mais baratos) e, especialmente nos últimos anos, com jogos digitais e redes sociais, verdadeiras febres no público infantil.

Atualmente, a Estrela conta com um escritório central, em São Paulo, e fábricas no interior paulista e nos estados de Minas Gerais e Sergipe.

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